terça-feira, 6 de outubro de 2009

O GRANDE IRMÃO DE GEORGE ORWELL EM SUA ONIPRESENÇA ATERRORIZANTE E ESMAGADORA

QUEM?
Eric Arthur Blair (1903/1950). Talentoso jornalista, ensaísta e romancista britânico, que escreveu sob o pseudônimo George Orwell. Autor do clássico espetacular 1984.
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COMENTÁRIO
Tomo novamente da pena - digo - do teclado, do mouse, do monitor e da cpu (a máquina fala-escreve do livro), com satisfação para comentar e citar este brilhante e visionário escritor britânico. Ao lê-lo, recentemente, tive a desagradável sensação que aquilo tudo ali contido - toda a paranóia, a tortura, o controle, a teletela, a polícia do pensamento - tinham mais a ver comigo do que eu sequer podia imaginar, pois ao adentrar uma obra escrita há mais meio Século atrás, imaginei - por pura ingenuidade minha, confesso - encontrar um enredo menos complexo, além de uma estória menos tocante e contundente. Nada disso. O mais desconcertante e assustador de tudo - quero dizer - o mais impressionante e estranho para mim em 1984 foi perceber que, lendo a referida obra, tive a nítida percepção de que o talentoso autor em questão descrevia exatamente o mundo veloz, raso e desumano onde somos manipulados e controlados até em nossos próprios pensamentos, ou seja, o Mundo que nos cerca. Mestre Orwell quiz dizer em suas obras - e, eu repito aqui neste artigo, sem papas na língua: "- Humanidade, olho vivo com os direitos humanos, do trabalhador e do consumidor, e com a manipulação da vida." Atentemos! Pois o tempo urge! Populações globais: olhai com atenção as nanotecnologias, as bionanotecnologias, a clonagem, a liberdade civil, a democracia e o meio ambiente. Sob pena de sucumbirmos diante de nosso próprio e desmedido poder. Não é justo nem com as atuais nem com as futuras gerações.
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Como um desagradável mau presságio, 1984 de Orwell, com seu famigerado Grande Irmão, é um livro para nos ajudar a acordar. Sim! Para auxiliar-nos na árdua tarefa que é despertar e sair do torpor lânguido da subserviência viciada e degradante que é servi-lo - ao Grande Irmão - sem nem mesmo se dar conta disto, enquanto que a vida vai fugindo dia após dia, incessantemente. Trata-se de uma ficção grotesca e criativa que começa a tomar seus contornos mais que reais neste conturbado início de terceiro Milênio em que vivemos. Era veloz que, sem a devida articulação e participação social, promete degringolar-se por si própria, engolindo-nos em seu engolfo espasmódico, inconsciente, acéfalo e arrebatador.
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Haja vista que o livro resenhado aqui se encontra mais atual do que nunca, tendo ainda a capacidade de antever alguns 'lançes do jogo' capitalista e tecnocientífico, e seus inevitáveis desdobramentos socioambientais e culturais; e, justamente por isso, é indicação especial deste Escriba para uma leitura de qualidade garantida. Abaixo, algumas passagens geniais do mestre britânico da pena e da ficcção cacotópica.
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CITAÇÕES
Sobre o Grande Irmão:
"O que o Partido fizera de terrível era persuadir os seus membros de que meros impulsos, meras sensações, não tinham importância, ao mesmo tempo que lhes roubava todo o poder sobre o mundo material. Uma vez no jugo do Partido, o que a pessoa sentisse ou não, o que fizesse ou deixasse de fazer, literalmente não fazia diferença. Acontecesse o que acontecesse, o indivíduo sumia, nem ele nem seus atos eram jamais mencionados. Era banido do rio da história." (pág155)
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Sobre a guerra:
"O essencial da guerra é a destruição, não necessariamente de vidas humanas, mas dos produtos do trabalho humano. A guerra é um meio de despedaçar, ou de libertar na estratosfera, ou de afundar nas profundezas do mar, materiais que doutra forma teriam de ser usados para tornar as massas demasiado confortáveis e portanto, com o passar do tempo inteligentes." (pág179)
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Sobre as massas:
"As massas nunca se revoltarão espontaneamente, e nunca se revoltarão apenas por ser oprimidas. Com efeito, se não se lhes permite ter padrões de comparação nem ao menos se darão conta de que são oprimidas." (pág194)
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LIVRO: 1984 // AUTOR: George Orwell // EDITORA: Companhia Editora Nacional // 1949

Um comentário:

WALDEMAR disse...

Há 25 anos,quando a WEB era desconhecida do ser humano comum, esse visionário inglês já antevia o presente. Obra indispensável àqueles que querem entender o hoje, os porquês e da necessidade da rebeldia, para a libertação. Análise muito bem posicionada, com a qual concordamos plenamente.