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quinta-feira, 9 de julho de 2009

UMA GIGANTE DA PENA CHAMADA CLARICE LISPECTOR

QUEM?
Clarice Lispector, nascida Haia Lispector (1920/1977). Espetacular escritora brasileira natural da Ucrânia. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise. Seus escritos refletem sua alma sensível e questionadora, e seu estilo marcante influenciou toda uma geração de leitores e amantes da literatura.
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COMENTÁRIO
Ler Clarice Lispector foi uma porrada. Quando apanhei um livro seu num sebo de São Paulo e li pela primeira vez, foi de estarrecer. Não imaginava a potência de sua eminente prosa. Sofisticada e sensível, introspectiva de existencialista, seus livros revelam ampla capacidade de redação fluida, e uma magia típica dos grandes gênios. Filha da burguesia, esta escritora talentosíssima escreveu diversas obras interessantes, onde podemos notar toda a sua compreensão do Mundo, inclusive no qual estava irremediavelmente imersa, e é flagrante seu olhar autêntico e questionador imortalizado em seus belos escritos. Ler Clarice sempre é uma boa surpresa. Sim, porque esta nobre dama da nossa literatura era imprevisível em suas criações. Em suas histórias, além de competência criativa, podemos achar uma série de entidaees e fantasmas que assombram a alma humana. Na citação, vemos a autora falar consigo mesma e fazer referência a um inseto geralmente odiado, uma barata, coadjuvante da trama. Sensacional!
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CITAÇÃO
" - Segura a minha mão, porque sinto que estou indo. Estou de novo indo para a mais primária vida divina, estou indo para um inferno de vida crua. Não me deixes ver porque estou perto de ver o núcleo da vida. - e, através da barata que mesmo agora revejo, através dessa amostra de calmo horror vivo, tenho medo de que nesse núcleo eu não saiba mais o que é esperança." (pág60)
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LIVRO: A Paixão Segundo G. H. // AUTORA: Clarice Lispector // EDITORA: Rocco // Rio de Janeiro // 1998

quarta-feira, 13 de maio de 2009

QUEM NÃO LEU A METAMORFOSE DE KAFKA...

QUEM?
Franz Kafka ou, na língua tcheca, František Kafka. (1883/1924). Trata-se, nada mais, nada menos, de um dos maiores escritores de ficção da língua alemã do século XX. Nasceu numa família de classe média judia em Praga, Austria, Hungria. Suas obras escritas - a maioria incompleta e publicadas postumamente - destacam-se entre as mais influentes da Literatura Ocidental. Seu estilo literário presente em obras como a novela A Metamorfose, publicada no ano de 1915, e os romances O Processo, 1925, e O Castelo, 1926, retratam indivíduos preocupados envoltos em um mundo impessoal e burocratizado.
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COMENTÁRIO
Quem não leu a metamorfose de Franz Kafka...
Tem que ler.
Especialmente se for, como eu sou, amante das boas letras. Sim, porque trata-se de um clássico da literatura universal, termo muito usado em vão, todavia, totalmente aplicável a este talentoso autor. Signo recorrente, de um estilo e formato de redação interessantíssimo, a realidade fantástica de A Metamorfose, vai além do que é natural se esperar de um bom texto, para lançar-nos sem piedade, num mundo mágico de fantasia e arte indescritíveis. O realístico e fantástico homem-barata-homem de Kafka é leitura obrigatória, para quem é do ramo da Literatura, e sabe o que é bom em termos de obras imortais.
Aqui, vemos Gregor, o personagem principal, numa passagem brilhante onde os vizinhos divisam a escalafobética criatura numa situação fantástica de surrealismo e criatividade indubitável, letristicamente falando, é claro!
Da Redação.
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CITAÇÃO
"O pai considerou mais necessário acalmar os inquilinos do que expulsar Gregor, embora eles não estivessem agitados, e pareciam estar mais entretidos com Gregor do que com o violino. Correu até eles com os braços abertos tentando empurrá-los para o quarto e, ao mesmo tempo, tapar-lhes a visão de Gregor com o corpo." (pág94)
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LIVRO: A Metamorfose // AUTOR: Franz Kafka //EDITORA: Nova Cultura // São Paulo // 2002

quinta-feira, 12 de março de 2009

A QUEDA DE ALBERT CAMUS

QUEM?
Albert Camus (1913-1960), escritor e filósofo argelino-francês. Seus escritos tratavam do absurdo da condição humana através de um existencialismo inteligente e crítico. Sol, miséria, fome, guerra; estes são os signos deste grande autor, que se refletem em sua obra. Prêmio Nobel de literatura de 1957.
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COMENTÁRIO
O mestre do absurdo e sua pena ágil e competente, na sua melhor forma, despencando numa queda livre para o interior da mente de seu personagem: um juiz de si mesmo que, pelas ruas, pelos bares e pela noite ensimesmada, vai tentando encontrar o sentido de sua singular existência, enquanto faz uma dura crítica à condição humana. Sombrio e inteligente, crítico e repleto de reflexões profundas, lascivo e boêmio; este é o universo de Albert Camus e sua admirável A Queda.
Ler este escritor francês natural da Argélia com alma irriquieta e perplexa é um prazer que, o amante das boa letras, não pode se privar, especialmente, se quiser ler os grandes imortais. Sim, porque toda sua obra é genial, e também uniforme, num sentido de qualidade. Absolutamente tudo que Camus escreveu, seus livros, sem excessão, são obras de altíssima qualidade, seja do ponto de vista do conteúdo filosófico, seja do ponto de vista da harmonia e da pura concepção artística da criação literária. Difícil seria dizer: qual livro deste grande autor poderia ser considerado o seu melhor? Assim, as obras completas de Albert Camus são recomendação especial deste Escriba.
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CITAÇÃO
"Todas as noites, eu desfilava diante do balcão, à luz vermelha e na poeira deste lugar de delícias, mentindo descaradamente e bebendo sem parar. Esperava o romper da alvorada e, enfim, me deixava cair na cama sempre desfeita da minha princesa, que se entregava mecanicamente ao prazer e logo adormecia. O dia vinha docemente iluminar este desastre e eu me sentia elevado, imóvel, numa manhã de glória."
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LIVRO: A Queda // AUTOR: Albert Camus // EDITORA: Record // RJ-SP // 2002

quinta-feira, 5 de março de 2009

A CRUELDADE HUMANA CONTRA OS ANIMAIS PELA PENA DE ALPHONSE DAUDET

QUEM?
Alphonse Daudet (1840-1897). Escritor e romancista francês conhecido por seu estilo elegante que unia realismo e poesia. Escreveu, entre outras obras, os contos da coletânea Cartas de meu Moinho, e Cartas de Segunda-feira, contendo estórias belíssimas.

COMENTÁRIO
A espécie humana é como uma praga que espalha seu rastro de destruição por toda parte, esgotando o ambiente do qual depende, subjugando, explorando e dizimando todos os outros seres vivos cruelmente, considerando erroneamente que os animais, vegetais e demais seres viventes sejam destituidos de espiríto, ou alma - tanto faz o termo que queiramos aplicar aqui - e vai extinguindo assim a vida no Planeta. Não é a toa que o Mundo está a balbúrdia que está, e tenhamos resolvido despejar nossos esgotos nos mares e rios de nossas próprias cidades, nestes mananciais da vida; e que tenhamos envenenado o ar que respiramos, despejando todo tipo de toxínas nele, tornando-o pesado e insalubre de se respirar; e que por fim tenhamos virado uma espécie de praga antropocêntrica extremamente bem adaptada, insustentável e voraz, que como um câncer, vai matando seu hospedeiro - o Planeta - a despeito de morrer junto com ele, em um colapso Global.
Nesta triste e muito bem escrita passagem do francês Alphonse Daudet somos capazes de ver a sua angústia de escritor humanista e sensível diante das barbáries contra os animais - já naquela época - das quais nós humanos somos capazes, desde de que o mundo é mundo. Mesmo hoje, quase duzentos anos depois, mais conscientes e sábios, ainda permitimos que existam hábitos atrozes e selvagens de caçadas e mortandades contra os animais da fauna planetária, a despeito de comprometermos o equilíbrio ecológico de forma tão dramatica, a ponto de por em risco nossa própria sobrevivência; enquanto os pobres animais, nossos meio-irmãos, nossos companheirinhos de viagem - inocentes co-tripulantes a bordo desta imensa nave a singrar o Cosmo - vão sendo perseguimos e sacrificamos ao sabor de nossas brutais crueldades. Criaturas que, de tão puras, são imcapazes de se defender de nós, humanos, seres ditos racionais, evoluídos e superiores. Maldita superioridade!
Nesta citação escolhida a dedo, vemos uma jovem e simpática perdiz contando sua estória na primeira pessoa, vivendo perplexa os pavores de uma abertura da temporada de caça na província francesa do século dezenove; as famigeradas caçadas de Provance. Trecho triste mas, infelizmente, real, especialmente se considerarmos o contexto em que vivemos, e nossos persistentes hábitos egocêntricos, marcados por carnificínas imemoriais através da história do homem na Terra. Uma verdadeira lástima! Leitura nobre e atualíssima do Mestre Daudet.
Da Redação.

CITAÇÃO
" O dia declinava. As detonações distanciavam-se, tornavam-se mais raras. Depois tudo silenciou. Terminara a caçada. Então voltamos lentamente para a planície, a fim de termos notícias do nosso bando. Ao passar diante da casinha de madeira um pavoroso quadro me reteve os olhos. Lebres de pelo ruço, coelinhos cinzentos de cauda branca jaziam lado a lado no rebordo de um fosso. As pequenas patas que a morte juntara, pareciam implorar misericórdia, os olhos velados pareciam chorar. Também vi perdízes encarnadas, perdizes cinzentas com ferradura como minha companheira, e perdizes novas, nascidas nesse ano e que, tal comoeu, ainda conservavam penugem sob as penas. Haverá algo mais triste do que um pássaro morto? As asas Têm tanta vida! Vê-las dobradas e frias dá-nos calafrios... Um grande cabrito-montês, na sua calma soberba, parecia dormir, com a língua cor-de-rosa pendendo um pouco sobre os beiços como se quisesse lambê-los.
E os caçadores lá estavam, curvados sobre essa carnificina, contando suas patas sangrentas, as asas dilaceradas e atirando-as dentro de suas bolsas, sem o mínimo de respeito pelas feridas ainda sangrentas. Os cães, atrelados para o regresso, framziam os beiços imobilizados, como se novamente quisessem precipitar-se na mata." (pág122)

LIVRO: Novelas // AUTOR: Alfhonse Daudet // Editora Melhoramentos // São Paulo // Sem data

O DIABO DE LEONIDAS ANDREIEV

QUEM?
Leoníd Nikoláievich Andréyev, conhecido por Leonidas Andreiev (1871/1919). Esritor e dramaturgo russo que liderou o movimento do Expressionismo na literatura de seu país.

COMENTÁRIO
O brilhante conto A Conversão do Diabo de Leonidas Andreiev é algo assim, como direi, sensacional. Uma obra prima de cunho filosófico fortíssimo, que fará, com toda a certeza, o leitor refletir e dar boas gargalhadas. Muito bem elaborada, a trama gira em torno de um diabo sensível e inteligente, que arrependido e cançado de fazer o mal, faz de tudo para se converter em anjo, para poder finalmemente praticar o bem. O tal demônio vai morar na igreja de um pobre padre, que acaba se envolvendo completamente no projeto do primeiro, que por sua vez, vai dando um verdadeiro nó em sua cabeça eclesiástica e religiosa, devido ao debates e embates metafísicos travados entre ambos. Conto bem humorado e profundo, escrito com graça e malícia, por um talentoso escritor russo; receita de absoluto sucesso para o leitor se divertir e refletir em grande estilo. Em uma palavra: Bárbaro!
Da redação Escriba.

CITAÇÃO
" - Diga-me antes: será que você ficou bem quietinho de maneira estrita ou se permitiu algumas escapadelas? O diabo soltou um suspiro lúgubre.
- Fiquei bem quietinho. Só matei uma mosca ontem porque ela estava rastejando em meu rosto, e não sei se isso é permitido ou proibído.
- Uma mosca? - disse o padre rindo.
- Uma mosca é permitido! Espere... Aí está, você recomeça a me pôr em dúvida, infeliz! Se é permitido ou não, eu mesmo já não sei mais! Desculpe-me, irmão, mas você me faz perder o meu latim! Antes de você me fazer essa pergunta sobre a mosca, eu sabia muito bem que a gente tinha o direito de matá-las, eu mesmo fiz isso mais de uma vez, mas agora...
- Elas são seres vivos - disse o diabo num tom sombrio.
- É verdade, elas são seres vivos! - repetiu o padre, pesaroso.
- Então eu também matei moscas vivas? Que pecado! Ai, ai, ai! Que pecado! " (pag235)

LIVRO: Contos Russos Eternos // AUTOR: Leonidas Andreiev// EDITORA: Bom Texto // Rio de Janeiro // 2004.

terça-feira, 3 de março de 2009

A ESTÉTICA ELEGANTE DE PIRANDELLO

QUEM?
Luigi Pirandello (1867/1936). Notório dramaturgo, poeta, escritor e romancista siciliano. Prêmio Nobel de 1934.
COMENTÁRIO
Certos escritores figuram na galeria dos maiores escritores de todos os tempos. Tais homens não podem ser medidos por parâmetros exatos. O número de publicações, por exemplo, não quer dizer muita coisa. Temos autores de uma só obra, como Montaigne, que só escreveu os seus famosos Ensaios, e nem precisaria mais, haja vista a preciosidade do referido livro; ao passo que outros como Camus, por exemplo, escreveu um número médio e comedido de livros, cujo conteúdo impactante e imortal continua a nos assombrar, como o próprio conceito de absurdo que o autor gostava tanto de abordar. Outros ainda, tiveram produção profícua e escreveram um bocado e com alma como o russo Dostoiévski, autor de pérolas como Lembrança da Casa dos Mortos, escrito inspirado em sua temporada recluso numa prisão da Sibéria. Mas, o que importa de fato, é que estes homens predestinados e talentosíssimos, souberam transpor com habilidade e arte aquilo que seus olhos lúdicos e humanistas viram em suas próprias vidas diárias; perplexos. Bom para nós. Luigi Pirandello, com toda certeza e merecimento, é destes escritores que iluminam os tempos com suas obras e seu talento inegável. Esta citação foi extraída do inteligente conto Quando eu era Louco do incrível livro Novelas para um Ano - O Velho Deus. Satisfação garantida para o leitor atento que ama os livros e as letras imortais.
CITAÇÃO
"Eu penetrava até na vida das plantas e, pouco a pouco, eu me elevava da pedrinha, do fio de grama, acolhendo e sentindo em mim a vida de todas as coisas, até pareceer que eu me transformava quase no mundo inteiro, que as árvores fossem os meus membros, a terra fosse meu corpo, os rios as minhas veias, e o ar a minha alma; e eu andava um pouco assim, extático e comprenetrado nessa visão. Quando ela desaparecia, eu ficava ofegante, como se realmente no frágil peito eu tivesse acolhido a vida do mundo."(pag71)
LIVRO: Novelas para um Ano - O Velho Deus // AUTOR: Luigi Pirandello // Berlendis & Vertecchia Editores // Rio de Janeiro // 2001

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O ESTRANGEIRO CAMUS

QUEM?
Albert Camus (1913-1960), escritor e filósofo argelino-francês.

COMENTÁRIO
Escrever é, sem sombra de dúvida, uma paixão. Para constatá-la, em espécie, basta ler um senhor argelino chamado Albert Camus, membro honrário da confraria restritíssima de escritores filósofos; diga-se de passagem, praticamente extinta. Sua pena deitava-se sem nenhuma piedade sobre os escritos do Absurdo. Absurdo que é estar vivo neste mundo de contradições e de belezas raríssimas. Ainda assim, para ser um escritor, não basta ter uma 'causa', ou tema 'principal' e ser apaixonado, é preciso também ter um senso muito preciso do que se quer comunicar em expressão artísticas, no caso aqui, através das Letras. O tal "Estrangeiro" é o próprio personagem, que, com toda certeza, reflete também a alma irriquieta do autor que, em sua busca por respostas, acaba, perplexo, diante de novas questões irrespondíveis, e do absurdo que é a frágil existência humana; se revoltando afinal. E, para um escritor, até mesmo a revolta filosófica apaixonada é superada por uma virtude insubistituível: a genialidade. O livro em questão é simplesmente espetacular, e especialmente recomendado para os rebeldes, artistas, alternativos, eruditos, loucos, gênios, diferentes, enfim, para todo mundo que acredite ser um extrangeiro em sua própria vida, e neste Mundo Louco que nos cerca a todos. Da Redação.


CITAÇÃO
"O advogado colocou a mão sobre meu pulso. Eu já não conseguia pensar. Mas o presidente perguntou se eu não tinha algo a declarar. Refleti. Respondi "não". Foi então que me levaram." (pag111)


LIVRO: "O ESTRANGEIRO" // AUTOR: ALBERT CAMUS // EDITORA: RECORD // RIO DE JANEIRO // 2005 26a EDIÇÃO // *****
Imagem: Encontrada em... http://ymy.blogs.sapo.pt/tag/albert+camus

MORTE FELIZ

QUEM?
Albert Camus (1913-1960), escritor e filósofo argelino-francês.

CITAÇÃO

"Mas o tempo nada tinha a ver com isso. Ele não é mais que um obstáculo e o irmão interior que gerara dentro de si, pouco importava que tivesse dois ou vinte anos. A felicidade era que ele tivesse existido." (pag138)


COMENTÁRIO
Em "Morte Feliz", Camus aborda com grande habilidade através de seus personagens a questão da vida e da morte, e todas as inespugnáveis contingências existenciais que assolam o coração dos que ousam se perguntar: Por que?

LIVRO: "MORTE FELIZ" // AUTOR: ALBERT CAMUS // EDITORA: RECORD // RIO DE JANEIRO // 2005 5a EDIÇÃO

Imagem: Encontrada em... http://void.weblog.com.pt/arquivo/097832.html

SARTRE POR CAMUS

QUEM?
Albert Camus (1913-1960), escritor e filósofo argelino-francês.

CITAÇÃO
"Há em Sartre um certo gosto pela impotência, no sentido pleno e no sentido fisiológico, que o leva a adotar personagens que chegam aos confins de si mesmos e que se chocam com o absurdo que não conseguem superar. Tropeçam em sua própria vida e, se ouso dizê-lo, por excesso de liberdade. Estes seres ficam sem amarras, sem princípios, sem fio de Ariadne, livres a ponto de ficarem desagregados, surdos aos apelos da ação ou da criação. Um único problema os preocupa e eles não o definiram. Daí, o prodigioso interesse das narrativas de Sartre e, ao mesmo tempo, sua maestria profunda."(pag138)

COMENTÁRIO
Esta dupla de peso da literatura francesa deu o que falar em sua época. Eram amigos e críticos ferrenhos um do trabalho do outro, independentemente da mútua admiração que nutriam. Esta citação é notável pois retratra um momento literário interessantíssimo onde, em grande estilo, como era de se esperar de Camus que, criticando o clássico livro "O Muro" de Jean-Paul Sartre, deixa todos os leitores no ar com relação às suas veradeiras intensões, como admirável criticador. Notemos que é dúbio o sentido da resenha e, no final, depois de arrasar e elogiar a referida obra e seus personagens em um mesmo parágrafo, torna impossível ao leitor saber ao certo se ele está falando bem ou mal da obra e do autor. Requintes de Albert Camus. A Editora Escriba indica este livro de Camus, pois é composto de belíssimas resenhas literárias publicadas em jornais de França, através das quais pode-se conhecer mais sobre grandes autores admirados por Camus e que lhe enfluenciaram como: Wilde, Melville, Gide, Grenier, Guilloux, Sartre entre outros. Livro bom para achar novos livros bons.

LIVRO: "A INTELIGÊNCIA E O CADAFALSO // AUTOR: ALBERT CAMUS // EDITORA: RECORD // 2002 2a EDIÇÃO
Imagem: Encontrada em... http://www.revistaogrito.com/page/08/02/2008/camus-e-sartre-o-fim-de-uma-amizade-no-pos-guerra

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

CAMUS IMORTAL


COMENTÁRIO
Quando se escreve como Albert Camus escrevia, tudo fica muito espetacular. Parece redundâcia, mas é pura justiça sendo feita para com a memória saudosa de um Mestre da palavra escrita. Era espetacular e visceral, intenso e profundo ao mesmo tempo, sem nunca perder de vista seu leitor e a plena satisfação deste. Com certeza ele nunca pensou nisso, é óbvio, mas fato é que era exatamente isso que fazia quando escrevia: embalava o leitor em sua cantiga romanesca e revoltosa. Sim! Albert Camus é revolta, mas uma revolta elegante e centrada, intrusíva e escarnecedora. Sua especialidade, por assim dizer, era o homem revoltado e seu universo extremamente rico, e assim ele tratava de descrever o mundo com suas infinitas contradições. Mas, trazia este mundo para dentro da cabeça de seus interessantíssimos personagens - o que, com toda a certeza, era um reflexo direto de seu espírito, dando ao leitor a oportunidade única de 'ressentir' certos conflitos existenciais e existencialistas, próprios de uma época passada que pode e deve ser revisitada. Apesar da manchete tratar da morte do gênio, a citação a seguir trata propositalmente de ambos: vida, na sobrevivência, e morte, no falecimento de um antagonista da trama. Suas criações são tão reais que nos estarrecem; coisa que Camus fazia como ninguém. E ainda faz: basta lê-lo.
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CITAÇÃO
"O gatilho cedeu, toquei o ventre polído da coronha e foi aí, no barulho ao mesmo tempo seco e ensurdecer, que tudo começou. Sacudi o suor e sol. Compreendi que destruíra o equilibrio do dia, o silêncio excepcional de uma pria onde havia sido feliz. Então, atirei quatro vezes ainda num corpo inerte em que as balas se enterravam sem que se desse por isso. E era como se desse quatro batidas secas na porta da desgraça." (pág. 63)
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LIVRO: O ESTRANGEIRO // AUTOR: ALBERT CAMUS // EDITORA: RECORD // RIO DE JANEIRO, 2005, 26a edição.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O PRIMEIRO HOMEM


CITAÇÃO
"E ele também, talvez mais do que ela, já que havia nascido numa terra sem antepassados e sem memória, em que o aniquilamento daqueles que o tinham precedido tinha sido mais radical ainda e onde a velhice não encontrava nenhum dos recursos da melancolia que encontra nos países civilizados, ele, como uma lâmina solitária e sempre vibrante destina a ser quebrada de um só golpe e para sempre, pura paixão confrontada com uma morte total, sentia hoje a vida, a juventude, as pessoas lhe escaparem, sem poder salvá-las em nada, e abandonado apenas à esperança cega, que esta força obscura que durante tantos anos o sustentara acima dos dias, o alimentara sem medida, sempre a mesma nas mais duras circunstâncias, iria fornecer-lhe também, com a mesma generosidade incansável que mostrara ao lhe dar suas razões para viver, as razões para envelhecer e morrer sem revolta." (pág. 240)
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COMENTÁRIO
Eu, como fanático aficcionado pelo autor, indico este belíssimo livro O Primeiro Homem, onde Mestre Albert Camus mostra toda a sua profundidade literária na busca insessante por suas raízes e pela memória de seu pai morto na primeira Guerra Mundial; e brilhantes são os seus escritos. Depois de ler toda a sua obra - como fiz, e razão pela qual conheci vários outros autores através dele - fica fácil indicá-lo intimamente como leitura obrigatória para quem quer saber das 'coisas'.
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LIVRO: O PRIMEIRO HOMEM // AUTOR: ALBERT CAMUS // EDITORA : NOVA FRONTEIRA // 1994/2005

CAMUS E O ABSURDO EXISTECIAL

COMENTÁRIO
Albert Camus é um escritor simplesmente fantástico. Autor de livros clássicos, como A Peste e O Estrangeiro, verdadeiras pérolas, e de muitos outros incríveis, como O Mito de Sísifo e A Inteligência e o Cadafalso, Camus era membro vitalício de uma extinta estirpe de escritores filósofos que, com suas inexoráveis capacidades criatívas, criaram obras antológicas da literatura mundial de todos os tempos. Antagonizador e contemporâneo de Sartre, era detentor de um estilo único, e escreveu com grande competência sobre a Argélia, sua terra natal. De origem pobre, Camus teve a sorte de encontrar um preceptor espetacular, que o conduziu ao ensino superior. Tendo identificado o jovem talento no ensino fundamental numa escola de periferia, tratou de plantar dentro dele a semente da literatura e do amor pelos livros. A citação que escolhi para este post vem do admirável livro A Queda, e faz referência à relação do personagem da estória em questão com o sexo oposto.
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CITAÇÃO
"Sejamos indulgentes e falemos de infermidade, de uma espécie de incapacidade congênita de ver no amor qualquer coisa mais que o ato. Esta enfermidade, afinal, era confortável. Conjugada com minha faculdade de esquecimento, favorecia minha liberdade. Ao mesmo tempo, por um certo ar de distanciamento e de independência irredutível que me dava, propiciava-me oportunidades para novos êxitos. À força de não ser romântico, eu dava um sólido alimento ao romanesco. As nossas amigas, com efeito, têm isto de comum com Bonaparte, pensam sempre ter êxito no que todo mundo fracassou." (pág. 45)
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LIVRO: "A QUEDA" // AUTOR: ALBERT CAMUS // EDITORA; RECORD // RIO DE JANEIRO, 2002, 12a. edição.
Imagem: Encontrada em... http://aarkangel.wordpress.com/2008/01