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sexta-feira, 18 de junho de 2010

ZEN, FÍSICA QUÂNTICA E COMPLEXIDADE

COMENTÁRIO
Numa fábula zen, três monges contemplam a bandeira tremulando no alto do templo e surge o seguite diálogo que, numa objetividade incrível, dá conta de nos levar a refletir sobre o que é verdadeiramente a complexidade do real e suas infinitas possibilidades e configurações. Trata-se de uma mistura bombástica que, com efeito, traz a luz que nos permite compreender a forja da realidade: Zen, física quântica e complexidade.
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FÁBULA
O primeiro monge diz: "A bandeira está se movendo."
O segundo monge diz: "Não, é o vento que está se movendo."
Por fim, o terceiro monge diz: "É a mente que está se movendo."

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O ESTILO ELEGANTE E DESENVOLTO DO FRANCÊS XAVIER DE MAISTRE

QUEM?
Xavier de Maistre (1763/1792). Escritor francês, mais conhecido pelo seu famoso livro Viagem à roda do meu quarto, e sua continuação Expedição noturna à roda do meu quarto.
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COMENTÁRIO
Rápido como quem rouba, sem mais tró-ló-ló, vão aqui três citações magníficas deste grande escritor francês que é Xavier de Maistre, onde poderemos perceber claramente a marca indelével da pena elegante e desenvolta do artista, em fragmentos literários primorosos de seu clássico: Viagem à roda do meu quarto.
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CITAÇÕES
Sobre a amizade:
"Quem pode, de resto, gabar-se de viver sempre com as pessoas que estima? Semelhantes aos enxames de mosquitos que se vêem redemoinhar nos ares durante as noites de verão, os homens se encontram por acaso e por bem pouco tempo. E muito felizes são se, no seu movimento rápido, tão destros como os mosquitos, não quebram as cabeças de encontro uns aos outros!" (pág86)
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Sobre a fragilidade humana e a infinita vastidão cósmica:
"Espectador efêmero de um espetáculo eterno, o homem levanta um instante os olhos para o céu e fecha-os para sempre; mas, durante esse instante rápido que lhe é concedido, de todos os pontos do céu e desde os confins do universo, um raio consolador parte de cada mundo, e vem ferir-lhe os olhares para lhe anunciar que existe uma relação entre a imensidão e ele, e que ele está associado à eternidade." (pág102)
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Sobre um grande amor perdido:
"Ah! Aquele zéfiro, aquele olhar, aquele sorriso, está tão longe de mim como as aventuras de Ariadne; no fundo do meu coração não existe já senão saudades e vãs lembranças; triste mistura sobre a qual a minha vida sobrenada ainda, como um navio despedaçado pelo temporal flutua algum tempo sobre o mar agitado!..." (pág121)
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LIVRO: Viagem à roda do meu quarto // AUTOR: Xavier de Maistre // EDITORA: Estação Liberdade // São Paulo // 19898 // ILUSTRAÇÃO (rodapé): Gustave Doré

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

NAUFRÁGIOS DE AKIRA YOSHIMURA: UMA VIDA DE MISÉRIAS NO JAPÃO MEDIEVAL

QUEM?
Akira Yoshimura (1927/2006). Notável escritor japonês. Foi presidente da União Japonesa de Escritores. Autor do interessantíssimo livro Naufrágios.
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COMENTÁRIO
É admirável observarmos a coragem humana em lançar-se destemidamente ao mar à revelia das possibilidades. Nós, tão frágeis, e eles, os Oceanos, tão vastos e profundos, repletos de mistérios. Mesmo quando o fazemos em embarcações náuticas robustas, somos nada diante do mar infinito, e seu humores instáveis. Quando as forças da Natureza resolvem se revoltar e consternar, não há nada que se possa fazer de fato a bordo destas verdadeiras casquinhas de noz, exceto buscar abrigo e refúgio próximo à costa, se for possível, é claro, e, se não, resta apenas e tão somente tentar manter-se firme, e rezar para que a embarcação e as vidas nela contidas sejam poupadas por esta força avassaladora que é o mar revolto em forma de tormenta.
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Neste sentido, de aventura e coragem, de confrontação de forças diversas e desproporcionais a nós, os naufrágios são, sem sombra de dúvida, acontecimentos dramáticos em si, capazes de cativar nossa atenção e imaginação, justamente por suas características de drama e colapso, de tragédia e até mesmo de história, atraindo escritores e historiadores a pesquisá-los, o que traz à tona uma série de histórias fascinantes e fantásticas. Histórias que, muitas vezes, podem trazer piratas e conflitos bélicos, perda de vidas e bens, além da própria fatalidade em si que é o naufrágio de uma embarcação, que traz a inequívoca sensação de impotência, fracasso, perda e morte diante do imponderável.
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Se não bastasse tudo isso, Akira Yoshimura, neste cativante romance que é Naufrágios, adiciona à trama uma condição de miséria quase que absoluta, ambientando sua narrativa nos recôntidos de uma pequena aldeia isolada do Mundo, situada em um cabo (acidente geográfico) do Japão Medieval, e nos oferece ainda, como protagonista, um simpático menino de nove anos de idade: Isaku. Por lá, o evento de um naufrágio pode ter significados surpreendentes dos quais, neste momento, privarei o Leitor que pretende ler a obra - como direi - por motivos de não estragar a surpresa. Naufrágios de Akira Yoshimura: dica Escriba oriunda da fina literatura japonesa. Livro para ler em terra firme, é claro, e deixar a cabeça viajar em alto mar em tempos idos do passado. Sensacional!
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A seguir, citações da obra que, certamente, permitirão transparecer o delicado e profundo estilo deste notável autor japonês que faleceu em 2006.
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Da Redação.
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CITAÇÕES
Sobre a morte:
"Em uma aldeia que lutava contra a fome, um inválido era considerado morto. As pessoas lamentariam durante algum tempo, mas como acreditavam em reencarnação, aceitariam rapidamente a perda. A vida era dada às pessoas pelos deuses e, com a morte, o espírito partia para um lugar distante nos mares mas depois de algum tempo retornava à aldeia, para abrigar-se no útero de uma mulher e reencarnar numa criança. A morte era apenas um período de sono profundo antes do retorno do espírito; lamentações excessivas perturbavam o repouso da pessoa morta. As lápides dos túmulos ficavam de frente para o mar para guiar os espíritos na direção certa, quando chegasse o momento de regressar." (pág8)
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Sobre a chegada de um O-fune-sama (naufrágio):
"Isaku colocou a mão no peito. A chegada de O-fune-sama devia-se à intervenção divina, e Isaku queria oferecer uma oração de gratidão, do fundo do coração. O som das ondas quebrando ao pé do promotório parecia reverberar até o centro da terra. Antes que se desse conta, ele já estava dormindo." (pág92)
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LIVRO: Naufrágios // AUTOR: Akira Yoshimura // EDITORA: Best Seller // São Paulo // 2003

domingo, 13 de setembro de 2009

O BRILHANTE HISTORIADOR ELÍSIO GOMES FILHO E SUAS FASCINANTES HISTÓRIAS DO CABO FRIO

QUEM?
Elísio Gomes Filho é mergulhador, escritor e historiador, tendo três livros publicados sobre histórias de naufrágios. É o responsável pelo site www.nomar.com.br. Foi o fundador dos Museus Históricos Marítimos do Cabo Frio (1987) e de Armação dos Búzios (2001), cujo acervo foi doado ao Museu Oceanográfico de Arraial do Cabo em maio de 2002. Uma de suas pesquisas veio elucidar a causa do desaparecimento do barco de pesca “Changri-lá”, o qual foi atacado pelo submarino nazista U-199 em julho de 1943, o que resultou na morte de 10 pescadores e cujos nomes foram incluídos no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial (Aterro do Flamengo, RJ). É o autor do espetacular livro Histórias de Célebres Naufrágios do Cabo Frio.
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COMENTÁRIO
Ser historiador, definitivamente, não é fácil. Sim! Porque num país de semi-analfabetos, onde a esmagadora maioria da população não sabe sequer ler, e quando sabe tecnicamente fazê-lo - segundo pesquisas - não entende ou não consegue absorver a mensagem que o texto lido traz, nem muito menos, quem dera, refletir e ter uma capacidade crítica sobre o tema; ou seja, uma lástima. Todavia, para a nossa sorte e das futuras gerações, alguns pesquisadores entusiastas seguem firme em suas atividades, como é o caso deste autor, cujo trabalho se faz importante por si só devido à sua pertinência histórica indiscutível. E é exatamente isso que se deu com a obra citada aqui. Baseado em sua experiência e conhecimento profundo do assunto, o historiador Elísio Gomes Filho consegue transformar aspectos e acontecimentos importantes do passado numa belíssima e empolgante obra de aventura que, além de nos tornar mais ilustrados sobre a peculiar história do Cabo Frio e do Brasil, ao contar seus relatos verídicos, prende-nos à narrativa graças a seu estilo elegante e competente. Na citação escolhida, vemos o autor e seu olhar sensível para com as coisas do mar descrever com sabedoria uma nuance pitoresca e notável das naus, fazendo referência à 'humanização' das embarcações; sensacional!
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CITAÇÃO
"Um costume curioso que merece registro é o da 'humanização' dos navios. Muita gente, no passado e no presente, a eles atribuem personalidade, o que se deve em parte à profunda e tradicional familiaridade do homem com o mar. Tudo o que participa da vida do ambiente marítimo - aliás, diga-se de passagem, um meio singular por excelência - faz nascer no homem um sentimento mais ou menos vago de fraternidade. Cabe dizer que um navio é um ser vivo, pois os acontecimentos por que passa, ele os vive, e tais vivências vão talhando sua 'personalidade'. (pág112)
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LIVRO: Histórias de Célebres Naufrágios do Cabo Frio // AUTOR: Elísio Gomes Filho // EDITORA: Texto & Arte // Rio de Janeiro // 1993

quarta-feira, 10 de junho de 2009

AS MEMORÁVEIS VEREDAS DE GUIMARÃES

QUEM?
João Guimarães Rosa (1908/1967). Mais conhecido como Guimarães Rosa. Um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. Foi também médico e diplomata. Seus contos e romances ambientam-se quase todos no chamado Sertão brasileiro. A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas espetaculares inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais. Tudo isso, somado a sua erudição, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas. Autor do épico, imortal e memorável Grande Sertão Veredas.
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COMENTÁRIO
Guimarães Rosa escrevia com alma cabloca, curtida de solidões e ares de interior, de imensidão. Falava sobre uma terra de dificuldades, de homens e mulheres briosas, de cangaceiros, de cavalgadas, rachada de secas e encharcada de águas límpidas, de veredas majestosas, repletas de sol, de lua e vento, vento agreste, que trás a notícia, que acaricia a pele ressequida, e que entranaha no coração da pessoa que ali vive um 'não sei o que', que vai fazendo a alma engiar. Redobrar-se sobre si. Escrevia com o espírito repleto de signos e símbolos, amalgamados e impregnados através dos tempos imemoriais, manifesto no falar e nos costumes da gente simples deste imenso país chamado Brasil. Ele descrevia, através de sua prosa fina e inauguradora, um Brasil desconhecido dentro do próprio Brasil, rico, belo, valente, emocionante e surpreendente, em sua complexidade de riquezas inaudaitas, de paragens belíssimas, de gente brava, um verdaeiro mundo dentro do mundo, um infinito de campos e espaços abertos naturais; sim: O Grande Sertão de Guimarães Rosa.
Na citação, vemos o mestre tupiniquim da pena usar e abusar em grande estilo de seus elementos básicos de criação literária: brasilidade, etmologia e cultura do sertão.
Livro para ler, e re-ler de dez em dez anos, sem ter medo de se decepcionar.
Da Redação.
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CITAÇÃO
"Sús, esbarrou o cavalo tão de repente, que o corpo dêle se encurtou pela metade. Sô Candelário. Êsse era alto, trigueiro azul, quase preto, com bigode amarelecido. Homem forçoso, homem fúria. Mandou que mandava. Em hora de fogo, pulava à frente de todos, bramava o burro. Tomou a chefia geral, debaixo dele o Hermógenes parecia um diabo coitado. Sô Candelário era o para enfrentar Zér Bebelo. Salvante que seria para tudo. Se apeou, ficou um demorado tempo de costas para a gente." (pág183)
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LIVRO: Grande Sertão Veredas // AUTOR: Guimarães Rosa // EDITORA: José Olympio // Rio de Janeiro // 1972

sexta-feira, 27 de março de 2009

A IMENSSIDÃO DO MAR DE VICTOR HUGO

QUEM?
Victor-Marie Hugo (1802/1885). Talentoso escritor e poeta francês. Autor de Os Trabalhadores do Mar e Noventa e Três, entre muitas outras obras notáveis.
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CITAÇÃO
"Estava no mar alto, concha imperceptível, sem coberta, sem vela, sem mastro, sem bússula, sem outro recurso além dos remos, em presença do oceano e do tufão átomo à mercê dos colossos." (pag66)
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COMENTÁRIO
Noventa e Três é uma novela épica. Escrita com grande sabedoria e habilidade, esta dramatica passagem fala por si. Uma maravilha!
Da Redação.
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LIVRO: Noventa e Três // AUTOR: Victor Hugo // EDITORA: Lello e Irmão Editores // Porto // Portugal // Sem data

quinta-feira, 26 de março de 2009

NOVENTA E TRÊS: UM CANHÃO DESGOVERNADO POR VICTOR HUGO

QUEM?
Victor-Marie Hugo (1802/1885). Talentoso escritor e poeta francês. Autor de Os Trabalhadores do Mar e Noventa e Três, entre muitas outras obras notáveis.
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CITAÇÃO
"Acabava de soltar-se uma das caronadas da bateria, uma peça de vinte e quatro. É talvez esta a mais perigosa de todas as eventualidades marítimas. Nada mais terrível pode acontecer a um navio no mar largo e em plena marcha. Um canhão que despedaça a amarra torna-se bruscamente como que um animal extraordinário. É uma máquina que se transforma em monstro" (pág37)

"As quatro rodas passavam e tornavam a passar sobre os homens mortos, cortavam-nos e despedaçavam-nos, retalhavam-nos, e dos cinco cadáveres tinham feito vinte pedaços que rolavam pela bateria; as cabeças mortas pareciam gritar; serpeavam no pavimento regatos de sangue que acompanhavam os movimentos do balanço. O casco, avariado em muitos pontos, começava a entreabrir-se." (pág41)
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COMENTÁRIO
Eis aqui o brilhante escritor e poeta francês Victor Hugo com seu realismo extremo e aterrador. Noventa e Três é uma novela belíssima de terra e mar, que se passa numa época conturbada da Europa, onde França e Grã Bretanha se debatiam até a morte e se confundiam, na incessante busca pela supremacía e pela estabilidade política e religiosa. A bordo da corveta Claymore, barco de guerra disfarçado de cargueiro, com uma tripulação formada por homens de ambos as nações, um canhão enorme se solta - por descuido de um marinheiro - e o caos está formado. A tragédia sela de maneira definitiva o destino da embarcação e de sua tripulação. Esta emocionante passagem, é apenas uma, dentre muitas outras que esta notável estória nos pode oferecer. Leitura fina, com narrativa instigante, de um autor genial. Sucesso absoluto! Da Redação.
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LIVRO: Noventa e Três // AUTOR: Victor Hugo // EDITORA: Lello e Irmão Editores // Porto // Portugal // Sem data

quarta-feira, 18 de março de 2009

O LORD JIM DE CONRAD

QUEM?
Józef Teodor Nałęcz Korzeniowski, conhecido como Joseph Conrad (1857/1924). Marinheiro e eminente escritor britânico cuja obra foi centrata e inspirada no mar.
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CITAÇÃO
"Eu jamais vira Jim com tal ar de gravidade, de autodmínio, de impressionante impassibilidade. No meio daqueles indivíduos de pele escura, seu vulto vigoroso, todo de branco, e o brilhante velo de seus cabelos loiros pareciam atrair toda a luz que se filtrava através das fendas, naquela sombria casa, de paredes de taquára e teto de palha. Não aparecia unicamente como um ser de outra raça, mas de uma outra essência. Se o não tivessem visto chegar no seu bote, teriam acreditado que descera das nuvens." (pág156)
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COMENTÁRIO
O mar tem seus infinitos mistérios. A alma humana também. Eis a mistura base perfeita para se criar belas estória. Era exatamente isso que Joseph Conrad, este talentoso escritor norte-americano e eis marinheiro, fazia quando escrevia: misturava estes dois elementos com grande sabedoria, compondo sua obra com estas estórias instigantes, de bravos e destemidos homens do mar e suas embarcações, a singrar corajosamente os mares do mundo. Lord Jim não foge a esta regra. Trata-se de uma estória emocionante, de um marujo muito especial, que resolve abandonar sua cultura para viver em terras selvagens nos confins do mundo. Romance interessantíssimo de aventura que, com toda a certeza, vai cativar o leitor. Da Redação.
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LIVRO: Lord Jim // AUTOR: Joseph Conred // EDITORA: Nova Cultura // São Paulo // 2003

sexta-feira, 6 de março de 2009

O VENTO MISTRAL POR ALPHONSE DAUDET

QUEM?
Alphonse Daudet (1840-1897), na foto - por conhecidência premeditada - com seu amigo e também escritor, o francês Frédéric Mistral (1830/1914), em Provance.
Daudet era escritor e romancista francês conhecido por seu estilo elegante que unia realismo e poesia. Em alguns contos, lança mão até do Realismo Fantástico, como estrutura de redação para expressar sua fina elegante prosa provencal. Escreveu, entre outras obras, os contos da coletânea Cartas de meu Moinho, e Cartas de Segunda-feira, contendo estórias belíssimas de leveza e profundidade sem igual.

CITAÇÃO
"Esta noite não consegui dormir. O mistral encolerizara-se e o estrépito de sua voz poderosa conservara-me acordado até pela manhã. Balançando penosamente as asas mutiladas, que oscilavam à brisa como as velas e o cordame de um navio, o moinho inteiro estalava. Telhas voavam do telhado fustigado pelo vento. Ao longe, o denso pinheiral que recobre a colina, agitava-se e rumorejavam na sombra. Podíamos imaginar-nos em pleno mar..." (pág124)

COMENTÁRIO
O mar pode assustar até quem está em terra firme, que dirá a bordo de um casca de noz, singrando por mares revoltos, em meio às ondas. Um vento mais forte, uma tempestade, podem mudar o destino de pessoas, e até de lugares, haja vista tufões, tornados, ciclones e toda a família de vendavais e furacões, que assolam os mares do Mundo desde de sempre. Quando começamos a navegar por aí, em tempos imemoriais, estivemos sempre sujeitos aos caprichos desta força imperativa e fantástica da natureza, que quando quer, se impõe, à revelia das vontades de nós, pobres humanos e mortais, em sua míseras naus. Ainda mais agora, em tempos de aquecimento global , degêlo de calotas polares, e mudanças drásticas no clima; pelo visto, a coisa tende a degringolar de vez, agitando ainda mais os ventos e os mares. Uma boa tempestade, mesmo em terra, nos faz lembrar à força e com bastante austeridade, quem é que 'manda no pedaço', ou melhor, no Planeta.
Afora a digressão, o Mistral - não o da foto, mas o fenômeno - é um vento catabático (da palavra grega katabatikos que significa "descendo colinas"), que transporta ar de alta densidade de uma elevação descendo a encosta devido à ação da gravidade. Estes ventos são por vezes chamados "ventos de Outono". O Mistral se caracteriza por ser um vento seco e frio dos quadrantes do norte que sopra no Sul da França, terra de nosso autor Alphonse Daudet.
Da redação Escriba.

LIVRO: Novelas // AUTOR: Alfhonse Daudet // Editora Melhoramentos // São Paulo // Sem data

segunda-feira, 2 de março de 2009

O VENTO SIROCO DE LUIGI PIRANDELLO

QUEM?
Luigi Pirandello (1867/1936). Importante dramaturgo, poeta e romancista siciliano. Prêmio Nobel de 1934.
CITAÇÃO
"Ainda lembro como fiquei impressionado, naquela noite, com o repentino espetáculo da natureza quase toda em fuga, na urrante vemência do vento. As nuvens fugiam fendidas pelo céu, em fúria desesperada, numa fileira infinita, e parecia que arrastavam consigo a lua pálida pelo pavor; as árvores se contorciam gemendo, rangendo, sofrendo espasmos sem descanso, como se quisessem arrancar suas raízes e fugir também para lá, para lá, aonde o vento levava as nuvens, a uma tempestuosa reunião." (pag74)
COMENTÁRIO
O Siroco (em italiano scirocco e em árabe ghibli) é um vento quente, muito seco, que sopra do deserto do Saara em direção ao litoral Norte da África, comumente na região da Líbia. Este fenômeno causa gigantescas tempestades de areia no deserto e manifesta-se quando baixas pressões reinam sobre o mar Mediterâneo. Freqüentemente o ciroco, sem umidade devido ao efeito Föhn, cruza o Mediterrâneo atingindo com violência o sul da Itália - terra de Mestre Pirandello - e, em certas ocasiões, chega até à Cosata Azul e à Riviera.
O estilo de elegante de Luigi Pirandello é impecável ao transportar o leitor suavemente para onde ele quer: para dentro de sua estória; e o faz com maestria, evocando muitas vezes sua cultura e sua origem. Este agrigento da Sicília era um monstro com a pena na mão. Escrevia inspirado e com talento, duas qualidades que um bom escritor tem que ter; e ele tinha. Esta citação escolhida é belíssima e fala por si, dispensando maiores comentário. Luigi Pirandello: é para ler e se deleitar.
Literatura Escriba classificação cinco peninhas de ouro!
LIVRO: Novelas para um Ano - O Velho Deus // AUTOR: Luigi Pirandello // Berlendis& Vertecchia Editores // Rio de Janeiro // 2001