Mostrando postagens com marcador MAR. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MAR. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O ESTILO ELEGANTE E DESENVOLTO DO FRANCÊS XAVIER DE MAISTRE

QUEM?
Xavier de Maistre (1763/1792). Escritor francês, mais conhecido pelo seu famoso livro Viagem à roda do meu quarto, e sua continuação Expedição noturna à roda do meu quarto.
*
COMENTÁRIO
Rápido como quem rouba, sem mais tró-ló-ló, vão aqui três citações magníficas deste grande escritor francês que é Xavier de Maistre, onde poderemos perceber claramente a marca indelével da pena elegante e desenvolta do artista, em fragmentos literários primorosos de seu clássico: Viagem à roda do meu quarto.
*
CITAÇÕES
Sobre a amizade:
"Quem pode, de resto, gabar-se de viver sempre com as pessoas que estima? Semelhantes aos enxames de mosquitos que se vêem redemoinhar nos ares durante as noites de verão, os homens se encontram por acaso e por bem pouco tempo. E muito felizes são se, no seu movimento rápido, tão destros como os mosquitos, não quebram as cabeças de encontro uns aos outros!" (pág86)
*
Sobre a fragilidade humana e a infinita vastidão cósmica:
"Espectador efêmero de um espetáculo eterno, o homem levanta um instante os olhos para o céu e fecha-os para sempre; mas, durante esse instante rápido que lhe é concedido, de todos os pontos do céu e desde os confins do universo, um raio consolador parte de cada mundo, e vem ferir-lhe os olhares para lhe anunciar que existe uma relação entre a imensidão e ele, e que ele está associado à eternidade." (pág102)
*

Sobre um grande amor perdido:
"Ah! Aquele zéfiro, aquele olhar, aquele sorriso, está tão longe de mim como as aventuras de Ariadne; no fundo do meu coração não existe já senão saudades e vãs lembranças; triste mistura sobre a qual a minha vida sobrenada ainda, como um navio despedaçado pelo temporal flutua algum tempo sobre o mar agitado!..." (pág121)
*
LIVRO: Viagem à roda do meu quarto // AUTOR: Xavier de Maistre // EDITORA: Estação Liberdade // São Paulo // 19898 // ILUSTRAÇÃO (rodapé): Gustave Doré

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

NAUFRÁGIOS DE AKIRA YOSHIMURA: UMA VIDA DE MISÉRIAS NO JAPÃO MEDIEVAL

QUEM?
Akira Yoshimura (1927/2006). Notável escritor japonês. Foi presidente da União Japonesa de Escritores. Autor do interessantíssimo livro Naufrágios.
*
COMENTÁRIO
É admirável observarmos a coragem humana em lançar-se destemidamente ao mar à revelia das possibilidades. Nós, tão frágeis, e eles, os Oceanos, tão vastos e profundos, repletos de mistérios. Mesmo quando o fazemos em embarcações náuticas robustas, somos nada diante do mar infinito, e seu humores instáveis. Quando as forças da Natureza resolvem se revoltar e consternar, não há nada que se possa fazer de fato a bordo destas verdadeiras casquinhas de noz, exceto buscar abrigo e refúgio próximo à costa, se for possível, é claro, e, se não, resta apenas e tão somente tentar manter-se firme, e rezar para que a embarcação e as vidas nela contidas sejam poupadas por esta força avassaladora que é o mar revolto em forma de tormenta.
*
Neste sentido, de aventura e coragem, de confrontação de forças diversas e desproporcionais a nós, os naufrágios são, sem sombra de dúvida, acontecimentos dramáticos em si, capazes de cativar nossa atenção e imaginação, justamente por suas características de drama e colapso, de tragédia e até mesmo de história, atraindo escritores e historiadores a pesquisá-los, o que traz à tona uma série de histórias fascinantes e fantásticas. Histórias que, muitas vezes, podem trazer piratas e conflitos bélicos, perda de vidas e bens, além da própria fatalidade em si que é o naufrágio de uma embarcação, que traz a inequívoca sensação de impotência, fracasso, perda e morte diante do imponderável.
*
Se não bastasse tudo isso, Akira Yoshimura, neste cativante romance que é Naufrágios, adiciona à trama uma condição de miséria quase que absoluta, ambientando sua narrativa nos recôntidos de uma pequena aldeia isolada do Mundo, situada em um cabo (acidente geográfico) do Japão Medieval, e nos oferece ainda, como protagonista, um simpático menino de nove anos de idade: Isaku. Por lá, o evento de um naufrágio pode ter significados surpreendentes dos quais, neste momento, privarei o Leitor que pretende ler a obra - como direi - por motivos de não estragar a surpresa. Naufrágios de Akira Yoshimura: dica Escriba oriunda da fina literatura japonesa. Livro para ler em terra firme, é claro, e deixar a cabeça viajar em alto mar em tempos idos do passado. Sensacional!
*
A seguir, citações da obra que, certamente, permitirão transparecer o delicado e profundo estilo deste notável autor japonês que faleceu em 2006.
*
Da Redação.
*
CITAÇÕES
Sobre a morte:
"Em uma aldeia que lutava contra a fome, um inválido era considerado morto. As pessoas lamentariam durante algum tempo, mas como acreditavam em reencarnação, aceitariam rapidamente a perda. A vida era dada às pessoas pelos deuses e, com a morte, o espírito partia para um lugar distante nos mares mas depois de algum tempo retornava à aldeia, para abrigar-se no útero de uma mulher e reencarnar numa criança. A morte era apenas um período de sono profundo antes do retorno do espírito; lamentações excessivas perturbavam o repouso da pessoa morta. As lápides dos túmulos ficavam de frente para o mar para guiar os espíritos na direção certa, quando chegasse o momento de regressar." (pág8)
*
Sobre a chegada de um O-fune-sama (naufrágio):
"Isaku colocou a mão no peito. A chegada de O-fune-sama devia-se à intervenção divina, e Isaku queria oferecer uma oração de gratidão, do fundo do coração. O som das ondas quebrando ao pé do promotório parecia reverberar até o centro da terra. Antes que se desse conta, ele já estava dormindo." (pág92)
*
LIVRO: Naufrágios // AUTOR: Akira Yoshimura // EDITORA: Best Seller // São Paulo // 2003

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O NOTÁVEL CABO FRIO E SUAS FANTÁSTICAS HISTÓRIAS DE NAUFRÁGIOS

QUEM?
Elísio Gomes Filho é mergulhador, escritor e historiador, tendo três livros publicados sobre histórias de naufrágios. É o autor do espetacular Histórias de Célebres Naufrágios do Cabo Frio.
*
COMENTÁRIO
Sem dúvida, após ler o brilhante e competente livro do historiador Elísio Gomes Filho, Histórias de Célebres Naufrágios do Cabo Frio, percebemos claramente a importância deste acidente geográfico que, como ele mesmo nos conta, sempre fez parte das primeiras cartas naúticas e, até hoje, representa um marco geográfico importante para a navegação no Atlântico, e para todas as embarcações que circulam na região desde os tempos da descoberta do continente. Por sua monumentalidade notória, serve de orientação; mas, de igual forma, especialmente com tempo ruim, figura também como grande motivo de temor para os capitães que por ali passaram através dos tempos. E não é à toa. Toda a região é considerada como tendo um altíssimo índice de incidência de naufrágios, além, é claro, da Massambaba - espetacular praia longelínea de areias brancas e finas com a extensão de quarenta e cinco quilômetros de águas translúcidas e azuis ao Sul do cabo, apelidada de cemitério de navios. Os motivos disto, constata Elísio em sua cuidadosa pesquisa, são uma série de fatores diversos que, em conjunto ou em separadamente, atuam sobremaneira no bom fluir da navegação segura das embarcações, alterando dramaticamente o destino das mesmas; a saber: mau tempo, correntes oceânicas singulares, ventos arrebatadores do Sudoeste, interferências eletromagnéticas nos instrumentos de navegação, imprecisão nos cálculos e a própria imponência do acidente geográfico em si que, naturalmente, é um obstáculo significativo a ser transposto pelos navegantes.
*
Então, por tudo isso, o Cabo Frio retoma com justiça sua importância histórica e geográfica no cenário nacional através da pena detalhista e competente deste notável historiador fluminense. Livro bem escrito, abrangente sócio-culturalmente, importante para a região, para a nossa memória, para a nossa identidade e para a história deste imenso continente de multidiversidade natural riquíssima chamado Brasil.
*
Histórias de Célebres Naufrágios do Cabo Frio, do historiador Elísio Gomes Filho, é, por puro mérito, indicação deste Escriba para uma leitura emocionante, cultural e histórica de altíssima qualidade. Atualmente esgotado, pode ser consultado na Biblioteca Pública de Cabo Frio ou, com sorte, adquirido em sebos ou na Estante Virtual; vale a pena procurar e ler!
*
CITAÇÃO
"O ângulo de abatimento dos navios ocorria em determinadas horas, correspondendo de acordo com os ângulos a um caimento em milhas até a posição de encalhe nos bancos de areia da praia ou do choque com os rochedos da Ilha do Cabo Frio ou o Promotório do Atalaia. Em suma, destacando-se as navegações tecnicamente mal-orientadas, era um conjunto de forças (corrente marinha e vento) que levava os vapores a abater sobre a costa, apesar do resguardo dado ao rumo." (pág182)
*
LIVRO: Histórias de Célebres Naufrágios do Cabo Frio // AUTOR: Elísio Gomes Filho // EDITORA: Texto & Arte // Rio de Janeiro // 1993

domingo, 13 de setembro de 2009

O BRILHANTE HISTORIADOR ELÍSIO GOMES FILHO E SUAS FASCINANTES HISTÓRIAS DO CABO FRIO

QUEM?
Elísio Gomes Filho é mergulhador, escritor e historiador, tendo três livros publicados sobre histórias de naufrágios. É o responsável pelo site www.nomar.com.br. Foi o fundador dos Museus Históricos Marítimos do Cabo Frio (1987) e de Armação dos Búzios (2001), cujo acervo foi doado ao Museu Oceanográfico de Arraial do Cabo em maio de 2002. Uma de suas pesquisas veio elucidar a causa do desaparecimento do barco de pesca “Changri-lá”, o qual foi atacado pelo submarino nazista U-199 em julho de 1943, o que resultou na morte de 10 pescadores e cujos nomes foram incluídos no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial (Aterro do Flamengo, RJ). É o autor do espetacular livro Histórias de Célebres Naufrágios do Cabo Frio.
*
COMENTÁRIO
Ser historiador, definitivamente, não é fácil. Sim! Porque num país de semi-analfabetos, onde a esmagadora maioria da população não sabe sequer ler, e quando sabe tecnicamente fazê-lo - segundo pesquisas - não entende ou não consegue absorver a mensagem que o texto lido traz, nem muito menos, quem dera, refletir e ter uma capacidade crítica sobre o tema; ou seja, uma lástima. Todavia, para a nossa sorte e das futuras gerações, alguns pesquisadores entusiastas seguem firme em suas atividades, como é o caso deste autor, cujo trabalho se faz importante por si só devido à sua pertinência histórica indiscutível. E é exatamente isso que se deu com a obra citada aqui. Baseado em sua experiência e conhecimento profundo do assunto, o historiador Elísio Gomes Filho consegue transformar aspectos e acontecimentos importantes do passado numa belíssima e empolgante obra de aventura que, além de nos tornar mais ilustrados sobre a peculiar história do Cabo Frio e do Brasil, ao contar seus relatos verídicos, prende-nos à narrativa graças a seu estilo elegante e competente. Na citação escolhida, vemos o autor e seu olhar sensível para com as coisas do mar descrever com sabedoria uma nuance pitoresca e notável das naus, fazendo referência à 'humanização' das embarcações; sensacional!
*
CITAÇÃO
"Um costume curioso que merece registro é o da 'humanização' dos navios. Muita gente, no passado e no presente, a eles atribuem personalidade, o que se deve em parte à profunda e tradicional familiaridade do homem com o mar. Tudo o que participa da vida do ambiente marítimo - aliás, diga-se de passagem, um meio singular por excelência - faz nascer no homem um sentimento mais ou menos vago de fraternidade. Cabe dizer que um navio é um ser vivo, pois os acontecimentos por que passa, ele os vive, e tais vivências vão talhando sua 'personalidade'. (pág112)
*
LIVRO: Histórias de Célebres Naufrágios do Cabo Frio // AUTOR: Elísio Gomes Filho // EDITORA: Texto & Arte // Rio de Janeiro // 1993

terça-feira, 9 de junho de 2009

A COLOMBA DE PROSPER MERIMÉE

QUEM?
Prosper Mérimée (1803-1870). Notável dramaturgo, contista, historiador e arqueologista francês. Foi o primeiro a traduzir obras literárias russas para o francês. Sua prosa elegante se imortalizou com Carmen (1845). Esta foi sua primeira novela de sucesso.
*
COMENTÁRIO
Colomba (1840), conta a história de uma jovem moça corsa que obriga seu irmão a cometer um assassinato para se vingar. Seria só isso, se não se tratasse de um mestre da pena, como é o caso de Merimée. Este competentíssimo autor francês nos traz uma época distante, repleta de aventuras e exotismos culturais, onde entrevemos mundos longínquos, de tradições fortes e marcantes, sempre com seu estilo clássico e elegante.
Sem maiores delongas, duas citações de Colomba, romance de Merimée, onde podemos ver um pouco da cultura corsa, referente à Córsega, esta ilha a Oeste da Itália, que é a quarta ilha do Mar Mediterrâneo por extensão territorial depois da Sicília, Sardenha e Chipre, universalmente conhecida como o berço e terra natal de Napoleão Bonaparte.
*
CITAÇÃO
"Afinal, chegou a hora de partir. Orso apertou, ainda uma vez, a mão de miss Lídia. Colomba abraçou-a, depois ofereceu os lábios ao coronel, que então se maravilhou com a delicadeza corsa. Da janela do slão, miss Lídia viu os dois montarem a cavalo. Brilhavam os olhos de Colomba, numa alegria maligna. Esta grande e forte mulher, fanática pelas suas idéias de honra bárbara, o orgulho estampado na fisionomia, os lábios curvados num sorriso sardônico, fez lembrar a miss Lídia os temores de Orso; e a jovem inglesa julgou ver um mau gênio conduzindo-o a um abismo." (pág61)

"A cerca de um quilômetro do povoado, depois de muitos rodeios, Colomba estacou de repente, numa curva brusca do caminho erguia-se, aí, uma pequena pirâmide de ramos - uns verdes, outros secos - todos formando uma pilia de quase três pés de altura, da qual apontava a extremidade superior de uma cruz de madeira pintada de preto. Em várias regiões da Córsega, principalmente nas montanhas, um velho costume, que talvez se prenda às supertições do paganismo, obriga os passantes a atirar uma pedra ou um galho de árvore sobre a sepultura daqueles que morreram de morte violenta. Durante muitos anos, enquanto a recordação da tragédia permanecer na memória dos homens, tais oferendas se acumulam dia a dia. Chamam a isto o montão, o mucchio de alguém." (pág80)
*
LIVRO: Colomba // AUTOR: Prosper Merimée // EDITORA: Martins // São Paulo // 1945

terça-feira, 5 de maio de 2009

MOBY DICK: A IMORTAL BALEIA DE MELVILLE

QUEM?
Herman Melville (1819-1891). Notório escritor norte-americano que, entre outras coisas, marinheiro que era, escreveu sobre as aventuras dos mares do mundo com grande talento. Autor da imortal Moby Dick, a lendária baleia branca, dentre outras belíssimas estórias do mar.
*
COMENTÁRIO
Perseguir e predar outras espécies vivas sempre foi a 'nossa'. Quero dizer, nossa especialidade. Andamos por ai, através dos mares e dos vastos territórios do Planeta caçando, espicaçando e devorando os demais seres viventes, seja para nos alimentarmos ou para vendermos os seus corpos, como se só nós tivéssemos direito à vida, numa barbárie antropocêntrica, cruel e insustentável, que se arrasta pelos tempos desde que o mundo é mundo. Uma lástima. Nem mesmo animais gigantescos como as baleias cachalotes, que chegam a medir 18 metros de comprimento, e pesar mais que 45 toneladas, conseguiram se esquivar de nossa ferrenha e sanguinária perseguição. Estes enormes, magníficos e delicados seres marinhos, em suas inocências puras e imaculadas, não são capazes de competir com nossa extraordinária engenhosidade predatória, e vão sucumbindo copiosamente às centenas, pois seus corpos e, especialmente, sua gordura, são extremamente valorizados no mercado mundial.
Trata-se de algo assim, como direi eu, humilde Escriba, inacreditável. Em pleno século XXI, em pleno alvorecer de uma nova era digital de convergência tecnológica, em um mundo fascinado e atônito pela física quântica e pela nanotecnologia, de avanços científicos inimaginados, ainda hoje, continuamos matando legiões de baleias a arpoadas, a despeito de toda crise e colapso ambiental que nos assola, perpetuando insanamente, esta tragédia descomunal que é a intolerância para com as demais espécies vivas. Ademais, subsiste ainda, sólida e inabalável, a própria questão basilar e contraditória de não respeitarmos nem mesmo o ambiente que nos gera e sustenta.
Mesmo assim, com tudo isso, mesmo sendo Moby Dick uma estória de caça à baleia nos idos do século XIX - e assim podemos ver que a tradição predatória corta a história humana na Terra há mais de duzentos anos - o romance do mestre norte-americano da pena Herman Melville, é uma pérola da literatura universal de todos os tempos. Muito além da perseguição à poderosa baleia branca da estória, que se recusa a se subjugar perante o homem, existe uma procura pelo sentido da própria existência humana, dentro do fantástico ambiente que é estar-se numa casquinha de noz a singrar os sete mares do mundo. Vale lembrar ainda que Melville, antes de ser escritor, foi marinheiro, e vivenciou de perto a vida marítima, embarcado a bordo de naus, e toda esta angústia que é viver a perseguir estes gigantescos peixes, a caçá-los e exterminá-los.
A magnífica baleia cachalote de Melville é leitura selecionada e indispensável às pessoas que tem sensibilidade para perceber a vida em toda a sua pungência, e para os amantes inveterados dos romances de aventura. Na passagem em questão, vemos a tensão dos personagens no momento exato da caça à baleia.
Moby Dick: cinco peninhas de ouro Escriba.
Da Redação.
*
CITAÇÃO
"Um som breve e sibilante se estendeu pelo espaço, erguendo-se do bote. Queequeg tinha disparado o arpão. Imediatamente um puxão inesperado, partindo da pôpa, fêz estremecer o nosso bote, ao passo que a parte dianteira parecia ter esbarrado num recife. A vela arriou e estalou; uma onda de vapor escaldante explodiu bem perto e qualquer coisa rolou trepidando debaixo do bote, como um terremoto. A tripulação aos trambolhões e envolta em brancos coágolos de espuma, parecia meio asfixiada. Temporal, baleia e arpão fundiram-se num instante, porém a baleia, apenas arranhada pelo arpão, escapou-se." (pág374)
*
LIVRO: Moby Dick // AUTOR: Herman Melville // VOLUME: I // EDITORA: José Olympio // Rio de Janeiro // 1957

sexta-feira, 27 de março de 2009

A IMENSSIDÃO DO MAR DE VICTOR HUGO

QUEM?
Victor-Marie Hugo (1802/1885). Talentoso escritor e poeta francês. Autor de Os Trabalhadores do Mar e Noventa e Três, entre muitas outras obras notáveis.
*
CITAÇÃO
"Estava no mar alto, concha imperceptível, sem coberta, sem vela, sem mastro, sem bússula, sem outro recurso além dos remos, em presença do oceano e do tufão átomo à mercê dos colossos." (pag66)
*
COMENTÁRIO
Noventa e Três é uma novela épica. Escrita com grande sabedoria e habilidade, esta dramatica passagem fala por si. Uma maravilha!
Da Redação.
*
LIVRO: Noventa e Três // AUTOR: Victor Hugo // EDITORA: Lello e Irmão Editores // Porto // Portugal // Sem data

quinta-feira, 26 de março de 2009

NOVENTA E TRÊS: UM CANHÃO DESGOVERNADO POR VICTOR HUGO

QUEM?
Victor-Marie Hugo (1802/1885). Talentoso escritor e poeta francês. Autor de Os Trabalhadores do Mar e Noventa e Três, entre muitas outras obras notáveis.
*
CITAÇÃO
"Acabava de soltar-se uma das caronadas da bateria, uma peça de vinte e quatro. É talvez esta a mais perigosa de todas as eventualidades marítimas. Nada mais terrível pode acontecer a um navio no mar largo e em plena marcha. Um canhão que despedaça a amarra torna-se bruscamente como que um animal extraordinário. É uma máquina que se transforma em monstro" (pág37)

"As quatro rodas passavam e tornavam a passar sobre os homens mortos, cortavam-nos e despedaçavam-nos, retalhavam-nos, e dos cinco cadáveres tinham feito vinte pedaços que rolavam pela bateria; as cabeças mortas pareciam gritar; serpeavam no pavimento regatos de sangue que acompanhavam os movimentos do balanço. O casco, avariado em muitos pontos, começava a entreabrir-se." (pág41)
*
COMENTÁRIO
Eis aqui o brilhante escritor e poeta francês Victor Hugo com seu realismo extremo e aterrador. Noventa e Três é uma novela belíssima de terra e mar, que se passa numa época conturbada da Europa, onde França e Grã Bretanha se debatiam até a morte e se confundiam, na incessante busca pela supremacía e pela estabilidade política e religiosa. A bordo da corveta Claymore, barco de guerra disfarçado de cargueiro, com uma tripulação formada por homens de ambos as nações, um canhão enorme se solta - por descuido de um marinheiro - e o caos está formado. A tragédia sela de maneira definitiva o destino da embarcação e de sua tripulação. Esta emocionante passagem, é apenas uma, dentre muitas outras que esta notável estória nos pode oferecer. Leitura fina, com narrativa instigante, de um autor genial. Sucesso absoluto! Da Redação.
*
LIVRO: Noventa e Três // AUTOR: Victor Hugo // EDITORA: Lello e Irmão Editores // Porto // Portugal // Sem data

quarta-feira, 18 de março de 2009

O LORD JIM DE CONRAD

QUEM?
Józef Teodor Nałęcz Korzeniowski, conhecido como Joseph Conrad (1857/1924). Marinheiro e eminente escritor britânico cuja obra foi centrata e inspirada no mar.
*
CITAÇÃO
"Eu jamais vira Jim com tal ar de gravidade, de autodmínio, de impressionante impassibilidade. No meio daqueles indivíduos de pele escura, seu vulto vigoroso, todo de branco, e o brilhante velo de seus cabelos loiros pareciam atrair toda a luz que se filtrava através das fendas, naquela sombria casa, de paredes de taquára e teto de palha. Não aparecia unicamente como um ser de outra raça, mas de uma outra essência. Se o não tivessem visto chegar no seu bote, teriam acreditado que descera das nuvens." (pág156)
*
COMENTÁRIO
O mar tem seus infinitos mistérios. A alma humana também. Eis a mistura base perfeita para se criar belas estória. Era exatamente isso que Joseph Conrad, este talentoso escritor norte-americano e eis marinheiro, fazia quando escrevia: misturava estes dois elementos com grande sabedoria, compondo sua obra com estas estórias instigantes, de bravos e destemidos homens do mar e suas embarcações, a singrar corajosamente os mares do mundo. Lord Jim não foge a esta regra. Trata-se de uma estória emocionante, de um marujo muito especial, que resolve abandonar sua cultura para viver em terras selvagens nos confins do mundo. Romance interessantíssimo de aventura que, com toda a certeza, vai cativar o leitor. Da Redação.
*
LIVRO: Lord Jim // AUTOR: Joseph Conred // EDITORA: Nova Cultura // São Paulo // 2003

sábado, 7 de março de 2009

O MARINHEIRO BILLY BUDD DE MELVILLE

QUEM?
Herman Melville (1819-1891). Notório escritor norte-americano que, entre outras coisas, marinheiro que era, escreveu sobre as aventuras dos mares do mundo com grande talento. Autor da imortal Moby Dick, a lendária baleia branca, dentre outras belíssimas estórias do mar.

COMENTÁRIO
O mar sempre foi inspirador de estórias interessantes e belas. O ambiente, sua força indelével, inquestionável em sua onipresença, quase sempre, impulsiona personagens e acontecimentos, em sua majestosidade pungente, fúria e poder. Navegar por aí a bordo de embarcações marítimas de qualquer natureza ou espécie, é lançar-se numa aventura sempre emocionante com futuro, por assim dizer, incerto. Sim, porque sobre suas belas e generosas águas, surgem novas e diferentes contingências, cuja complexidade e esforço físico requerido, torna os homens gastos e calejados de sol e de sal. Um marinheiro sabe que, ao partir, pode não retornar, e isso, talvez isso, seja justamente o que exserce pressão sobre seus espíritos, curtindo-os, tornando-os destemidos e resistentes, rudes e ternos; plenos em suas insignificâncias fortes e tranqüilas.
Dentro deste contexto específico, em estando embarcado - que é o termo usado para definir quem faz parte de uma tripulação marítima - significa estar-se sujeito a um complexo código de conduta e de honra, que regi de maneira extremamente intensa a vida, a morte, o futuro e o destino, da tripulação e da própria embarcação.
Neste ambiente, surge Billy Budd, o belo marinheiro de Melville, que torna-se involuntariamente o pivo de um acontecimento seríssimo a bordo, um motim, cujo desenrolar instigante e tenso, precipita um final trágico e inesperado para a belissíma estória deste talentoso marinheiro e escritor norte-americano. Leitura fina e envolvente, em clima marítimo de aventura, escrito com perícia narrativa impressionante. Da Redação.

CITAÇÃO
"Quem é capaz de, no arco-íris, traçar a linha onde termina o violeta e começa o cor-de-laranja? Somos capazes de enxergar distintamente a diferença das cores, mas onde exatamente uma começa a se misturar a outra? O mesmo ocorre com a sanidade e a insanidade." (pág94)

LIVRO: Billy Budd, marinheiro // AUTOR: Heman Melville // EDITORA: L&PM // Rio Grande do Sul // 2005

DUAS ESPOSAS DE NINO MO POR LUIGI PIRANDELLO

QUEM?
Luigi Pirandello (1867/1936). Notório dramaturgo, poeta, escritor e romancista siciliano. Seus contos falam da Sicília, da província, e refletem a alma bela de seu povo e de sua região. Autor do belíssimo livro, Novelas para um Ano - O Velho Deus. Ganhou o Prêmio Nobel no ano de 1934.

CITAÇÃO
"O barco de pesca, ao qual o capitão Nino Mo dera o nome de "Filippa" em memória de sua primeira mulher, entrava no ancouradouro de Porto Empedocle no resplandecer de um magnífico por do Sol do Mediterrâneo, quando as águas, na sua infinita extensão, tremeluzem e palpitam num delírio colorido de luzes. cintilam os vidros das casas multicolores, brilham as margas do planalto onde se encosta a aldeia, esplende como ouro o enxôfre amontoado na extensa praia; único contraste é a sombra do antigo castelo à beira-mar, quadrado e fosco, no alto do dique."

COMENTÁRIO
Ao retornnar da pesca, o velho marinheiro Nino Mo, sábio e tranqüiulo, se depara com uma situação, no mínimo, inesperada: sua molher - que ecreditava estar morta - reaparece, para sua perplexidade total, criando uma bela de uma confusão, que acaba por envolver também os pacatos concidadãos da aldeia onde reside. Conto interessantíssimo, de questionamento filosófico e social claro, do que é lícito e do que não é, com final surpeendente; tudo elegantíssimo, à moda de Luigi Pirandello. (pag07)

LIVRO: Obras Escolhidas // AUTOR: Luigi Pirandello // CONTO: A Morta e a Viva // EDITORA: Martins Fontes // São Paulo // 1960

sexta-feira, 6 de março de 2009

O VENTO MISTRAL POR ALPHONSE DAUDET

QUEM?
Alphonse Daudet (1840-1897), na foto - por conhecidência premeditada - com seu amigo e também escritor, o francês Frédéric Mistral (1830/1914), em Provance.
Daudet era escritor e romancista francês conhecido por seu estilo elegante que unia realismo e poesia. Em alguns contos, lança mão até do Realismo Fantástico, como estrutura de redação para expressar sua fina elegante prosa provencal. Escreveu, entre outras obras, os contos da coletânea Cartas de meu Moinho, e Cartas de Segunda-feira, contendo estórias belíssimas de leveza e profundidade sem igual.

CITAÇÃO
"Esta noite não consegui dormir. O mistral encolerizara-se e o estrépito de sua voz poderosa conservara-me acordado até pela manhã. Balançando penosamente as asas mutiladas, que oscilavam à brisa como as velas e o cordame de um navio, o moinho inteiro estalava. Telhas voavam do telhado fustigado pelo vento. Ao longe, o denso pinheiral que recobre a colina, agitava-se e rumorejavam na sombra. Podíamos imaginar-nos em pleno mar..." (pág124)

COMENTÁRIO
O mar pode assustar até quem está em terra firme, que dirá a bordo de um casca de noz, singrando por mares revoltos, em meio às ondas. Um vento mais forte, uma tempestade, podem mudar o destino de pessoas, e até de lugares, haja vista tufões, tornados, ciclones e toda a família de vendavais e furacões, que assolam os mares do Mundo desde de sempre. Quando começamos a navegar por aí, em tempos imemoriais, estivemos sempre sujeitos aos caprichos desta força imperativa e fantástica da natureza, que quando quer, se impõe, à revelia das vontades de nós, pobres humanos e mortais, em sua míseras naus. Ainda mais agora, em tempos de aquecimento global , degêlo de calotas polares, e mudanças drásticas no clima; pelo visto, a coisa tende a degringolar de vez, agitando ainda mais os ventos e os mares. Uma boa tempestade, mesmo em terra, nos faz lembrar à força e com bastante austeridade, quem é que 'manda no pedaço', ou melhor, no Planeta.
Afora a digressão, o Mistral - não o da foto, mas o fenômeno - é um vento catabático (da palavra grega katabatikos que significa "descendo colinas"), que transporta ar de alta densidade de uma elevação descendo a encosta devido à ação da gravidade. Estes ventos são por vezes chamados "ventos de Outono". O Mistral se caracteriza por ser um vento seco e frio dos quadrantes do norte que sopra no Sul da França, terra de nosso autor Alphonse Daudet.
Da redação Escriba.

LIVRO: Novelas // AUTOR: Alfhonse Daudet // Editora Melhoramentos // São Paulo // Sem data

quarta-feira, 4 de março de 2009

DOIS NAUFRÁGIOS POR ALFHONSE DAUDET

QUEM?
Alfhonse Daudet (1840-1897). Escritor e romancista francês conhecido por seu estilo elegante que unia realismo e poesia.
*
CITAÇÃO
"Veja só o senhor o pior da história... Três semanas antes do sinistro, uma pequena corveta que seguia para a Criméia, tal como Sémillante, havia naufragado nas mesmas circunstâncias, quase no mesmo lugar; apenas, daquela vez, tinhamos conseguido salvar a tripulação e vinte soldados em trânsito que se encontravam que se encontravam a bordo... Êsses pobres rapazes não se sentiam à vontade, bem imaginam! Nós os levamos para Bonifácil, onde passaram dois dias conosco... Depois de secos e refeitos, adeus! boa sorte! regressaram a Toulon, e alguns dias depois novamente embarcaram para a Criméia... Adivinhem em que navio?... No Sémillante... Tornamos a encontrar todos os vinte estendidos entre os mortos, no lugar onde achamos... Eu próprio ergui um bonito brigadeiro de bigodes bem tratados, um parisiense louro que eu hospedara em minha casa, e que nos fizera rir o tempo todo com seus casos... Ao deparar como ele, tive o coração dilacerado... Ah! Santa Madre!..." (pág37)
*
COMENTÁRIO
O mar por vezes tem fome... E é voraz em sua fúria inconsciente. Em seu afã, come gente. Devora almas. Muitas de uma vez, quando assim querem os seus humores altivos e instáveis. Algo como uma força incomensuravelmente avassaladora e prepotente que não faz predileções: devora e extingue o que estiver em seu caminho. Trata-se aqui do talento de um notório contista francês, mas representa por si, como fenômeno repetido, um exemplo ilustrativo das milhares de almas que já foram devoradas em sua ânsia através dos tempos imemoriais. Este nobre senhor Mar, profundo, belo e sereno, também sabe se revoltatar. E quando o faz, é, literalmente, um Deus nos acuda. Aqui perto, na praia onde estou mesmo, existe também um naufrágil, de um cargueiro japones que se perdeu de sua rota ao contornar a costa. A catástrofe se deu a mais de cinqüenta anos atrás, e na ocasião a praia ficou - como contam os mais velhos cidadãos que presenciaram o acontecido - 'qualhada de corpos' . E, os relatos se seguem: - Ouviu-se na naquela sinistra noite do Cabo Frio, no meio da tempestade, o mugido do imensso animal metálico pedindo socorro como num lamento; mas seu destino já estava selado pelo próprio mau tempo: seria devorado pela incrível borrasca. Arraial do Cabo era apenas uma aldeia na época, uma minúscula vila de pescadores, um arraial como o próprio nome evoca, e, assim, nada poderia ser feito. Cabo Frio... também... Não tinha recursos à época para socorrer ninguém. Naquela noite tempestuosa, quem teria? Chovia e ventava muito. Mais de cem vidas ceifadas, cujos corpos foram enterrados num semitério improvisado numa encosta de Monte Alto, cidade vizinha, numa colina diante daquele mesmo mar que os devorara. Do ocorrido, como testemunha perene da tragédia, em meio a enorme e esparramada paria de Maçambaba, ergue-se misteriosamente junto a suas areias, amplas e sem pedras, um enorme escolho de metal submerso, que ao sabor das ondas da arrebentação, encravado na areia, como um esqueleto, deixa à mostra sua imponente crista negra, recoberta por mariscos no meio daquela imenssidão.
Meros e pobres... Humanos... minúsculas criaturas neste enorme Planeta... pequenas e agitadas vidinhas cheias de si... Almas mortais singrando águas sem fim. Volta e meia, esta força, misteriosa e alheia a tudo, cobra seu tributo... muitas vezes em vidas.
Da redação Escriba.
*
LIVRO: Novelas // AUTOR: Alfhonse Daudet // Editora Melhoramentos // São Paulo

terça-feira, 3 de março de 2009

BENITO CERENO DE MELVILLE

QUEM?
Herman Melville (1819-1891). Notório escritor norte-americano que, entre outras coisas, marinheiro que era, escreveu sobre as aventuras dos mares do mundo com grande talento. Autor da imortal Moby Dick.

COMENTÁRIO
O romance Benito Cereno de Melville é uma estória emocionante de coreagem, descriminação racial e aventura em pleno mar. Obra relativamente menos conhecida do que Moby Dick, por exemplo, Benito Cereno não deixará nada a desejar ao leitor que gosta de uma boa estória de marítima, de naus e embarcações, e os homens, que em sua intrepidez, ousam desafiá-lo, a bordo destas naves flutuantes, pelos oceanos do Planeta. Se não bastassem esses elementos fortíssimos e marcantes, o brilhante marinheiro escritor Melville desvenda os mistérios das almas humanas de seus personagens, especialmente através de Benito Cereno, negro gigante e inocente, que se deixa fisgar pelo destino, numa silada inesperada. Abordando em sua trama questões morais importantes, dentro de uma estória memorável de coragem e virtude, escrita em plena época da Guerra da Seceção, este escritor norte-americano nos brinda com seu inegável talento. Leitura fácil e empolgante. Recomendação especial deste dedicado Escriba.

CITAÇÃO
"Com os mastros rangendo, o navio virou pesadamente para o vento; sua proa jogava lentamente, à vista dos barcos, com o esqueleto brilhando ao luar horizontal, e lançando uma gigantesca sombra listrada em cima da água. Um braço estendido do fantasma parecia acenar aos brancos que o vingassem."(pág101)

LIVRO: Benito Cereno // AUTOR: Herman Melville // EDITORA: Imago // Rio de Janeiro // 1993

O ABISMO MARÍTIMO DE CONRAD

QUEM?
Józef Teodor Nałęcz Korzeniowski, conhecido como Joseph Conrad (1857/1924). Marinheiro e eminente escritor britânico, cuja obra foi centrata e inspirada no mar.

COMENTÁRIO
Conrad faz parte desta finíssima casta de homens nobres que viveram seus dias e noites sob o capricho das ondas, ao sabor dos ventos em pleno mar aberto. Assim como Herman Melville, Victor Hugo, e muitos outros, seus escritos tratam da insignificância humana diante da imenssidão marítima, seu inexorável e envolvente poder, e também dos bravos homens que ousam desafiá-lo a bordo de uma minúscula casquinha de noz. Singraram heróicamente os mares do mundo, para depois transporem com suas hábeis penas suas histórias fantásticas de aventuras épicas inimagináveis. Nesta citação escolhida a dedo do romance A Linha de Sombra, Conrad, com maestria, trás ao leitor em terra firme, um pouco da experiência marítima viva do que é estar em meio ao oceano, sujeito às suas intempéries e seus humores sempre difusos variantes. No caso aqui, o capitão e seus marinheiros, encontram-se retidos numa terrível e indesejável calmaria que ameaça a segurança e a integridade do barco da tripulação.
Literatura fina em clima de aventura, história boa, auto-biográfica, ou seja, baseada em fatos reais, embalada numa trama complexa e instigante, escrita em estilo enxuto e elegante, ou seja, numa só palavra: Sensacional. Direto da redação com um abraço deste humilde Escriba.

CITAÇÃO
"Depois do pôr-do-sol eu saí de novo ao tombadilho para encontrar somente o vácuo inerte. A crosta fina e isenta de características marcantes da costa não se podia distinguir. A escuridão levantara-se em volta do navio como uma misteriosa emanação das águas mudas e solitárias. Eu me debrucei no balaústre e voltei meus ouvidos para as sombras da noite. Nem um ruído. Meu comando bem poderia ser um planeta voando vertiginosamente dentro de sua rota fixa, num espaço de infinito silêncio. Eu me agarrei ao balaústre como se meu senso de equilíbrio tivesse me abandonado para sempre. Que absurdo. Gritei nervosamente." (pag90)

LIVRO: A Linha de Sombra // AUTOR: Joseph Conrad // EDITORA: Globo // Rio de Janeiro // 2003