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sábado, 4 de julho de 2009

CRÔNICA DE UM ESCRIBA PÓS-TUDO

ARTIGO
04/07/2009 dC, tempo admirável! Vão acelerados os dias de inverno. Dias curtos, frios e fugidios. Questões! Intermináveis questões! O que faz uma realidade se tornar notável a ponto de ser digna de ser escrita e descrita em linguagem literária? Ou ainda: em que manancial simbólico e sígnico o autor vai buscar e extrair seus elementos de composição literária, fundindo - como sabemos ser corriqueiro - realidade, fantasia, mitos, crenças e medos? Depois de responder a estas difíceis e impositivas questões, outra maior e mais singular surge: transpor para o léxico, para a língua falada e escrita, o sentimento obtido, a informação desejada; vista, vivida, experimentada. Ou seja, capturar o momento e ser capaz de transpô-lo, refletindo no escrito o acontecido, vivido ou criado. Isso tudo, é claro, sem deixar de fora atributo e virtude importantíssimo que é saber escrever com graça. Com estilo. E isto, definitivamente, não é fácil. Eleger as palavras certas, compor sentenças satisfatórias e, especialmente, que sejam capazes de transmitir uma gama infinita de nuances que uma realidade inexoravelmente traz em seu bojo, que dificilmente serão plenamente descritas em texto - transportando o leitor ou trazendo a história até ele - é tarefa árdua. E, superados todos estes obstáculos abstratos - mas não menos importantes por causa disto - o escritor ou escriba, mesmo que aspirante, virá a se deparar com toda uma realidade e conjuntura específica do negócio livreiro, de publicações, voltados para o mercado consumidor, é claro, que vai com a moda, que vai com os costumes, que vai com a cultura, que vai os interesses, ou seja; que vai com todo mundo. Lê-se muito no Brasil, mas lê-se mal. Nas livrarias abundam porcarias de toda espécie, que não valem a tinta com a qual foram impressas. Nossa cultura ama mesmo a televisão. Como um elemento agravante, vem a falta de capacidade da população comum de entender o que leu, ou seja, um estudo mostrou que 80% dos pesquisados que leram algo específico, não conseguiu falar absolutamente nada sobre o que leram. Tiveram a capacidade de ler, de entender e operar dentro do sistema representativo de códigos verbais escritos, mas não foram capazes de sintetizar o que leram. Não foram sequer capazes de escrever uma linha sobre. Não absorveram. Sem dúvida, no Brasil e quem sabe no mundo, os livros são para a elite privilegiada, geralmente de buxo cheio, e a filosofar pelos demais menos favorecidos. E, para ser publicado, ou publicável nobre leitor, há que se ter conteúdo e se enquadrar. O queres tu dizer aos outros? Aos demais? Já pensaste nisso? Porque queres fazê-lo? Já paraste para analisar? O que move a ti a ser um escritor? Seria mera vaidade vulgar? E mais, o que dirás tu, será o que quer ouvir o demais? Pelas massas leitoras?

Enigmas! Enigmas indecifráveis!

Da Redação.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

OS ESCRIBAS E A COMUNICAÇÃO DE VALORES

QUEM?
Alexandre Quaresma (1967). Ambientalista, escritor contista e romancista brasileiro, pesquisador independente de nanotecnologia e impactos sociais. É videomaker, com mais de 25 anos de experiência pregressa, nascido em São Paulo, atual editor chefe e Escriba titular deste Blog. Autor dos livros A Testemunha, conto ecológico de suspense, e Nanocaos e a Responsabilidade Global, ensaio de divulgação científica sobre nanotecnologia, ambos publicados por esta Editora virtual. Diretor dos documentários de divulgação científica Nanotecnologia O Futuro é Agora, Para Entender as Nanotecnologias, Nanotecnologias e o Mundo do Trabalho, Reflexões Sobre o Desenvolvimento das Nanotecnologias e Nanotecnologias Sociais.
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ARTIGO
"- Toda comunicação é comunicação de valor."
Assim diz com propriedade minha amada mestra preceptora e filósofa. E, se pensarmos bem, ela tem toda razão. Sim, porque toda comunicação é, em última análise, transmissão de valor, sejam eles éticos, estéticos, políticos, sociais, biológicos, didáticos etc. Quando, por exemplo, falamos, estamos, como já dizia sabiamente mestre Lacan, falecendo o resto. Iluminamos algo específico, para lançar à sombra todo o resto. E todo valor, geralmente nasce da importância do mesmo, quase sempre relacionado à permanência e, ao nos comunicarmos, transmitimos, infalivelmente, este valor. Ler uma notícia num jornal e comentar com alguém minha opinião sobre os fatos que li na matéria, é então um exercício de transmissão de valor na comunicação. E é assim que tudo que conhecemos se constrói. Muitos, como eu, associam essa transmição de valores à transmissão de energia. Sim, energia telúrica, desta vulgarmente encontrada nos seres vivos e em todas as coisas.
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As formigas se comunicam através de enzimas e feromônios e o formigueiro, assim, é onisciente. Naqueles pequenos encontros onde estes simpáticos animais tocam mutuamente suas anteninhas, num breve contato - fenômeno denominado pelos biólogos como trofolaxe -, seguem, em velocidade estonteante, em ambas as direções - como num cabo de fibra ótica invisível - toneladas de informação que, com certeza, são energia e valor também, e que vão manter informado e em segurança toda a comunidade do formigueiro. É comum que nós, com nossos corpos e tamanhos enormes, diante destas minúsculas criaturas, sem querer, matemos ou esmaguemos alguns destes pequenos e inocentes seres. Ao primeiro contato de um outro membro vivo da colônia, este fica perplexo, como qualquer outro ser vivo diante da morte - e passa a informar às demais, que vão informar às demais, infinitamente, até que todos estejam informados do 'perigo' detectado ali.
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Com a trágica e lamentável queda do avião da Air France no Atlântico, no fatídico Vôo 447, pudemos observar um fenômeno que é uma réplica perfeita deste sistema de comunicação das formigas. Usamos métodos similares para um resultado idêntico. Em pouco tempo a comunidade mundial, midiática e interconectada, estava ciente do famigerado acidente. Neste contexto, vemos que a questão da comunicação e do valor passa necessariamente pela questão da diferença. Um avião que cai no meio da noite no mar é uma diferença tremenda, especialmente em relação ao que estamos acostumados a considerar quando o assunto são viagens aéreas, ou seja, o acidente diz respeito ao mundo, à humanidade, a este enorme formigueiro humano que somos nós. É na diferença que se constrói o valor. O valor, para a coletividade da tragédia supracitada, é conseguirmos achar o motivo da queda, o que a provocou, e impedir que outras semelhantes venham a ocorrer. Uma diferença que faz toda a diferença. Poucos andam de avião, é verdade, mas trata-se aqui da eterna e interminável marcha humana em busca do conhecimento, de novos saberes, da edificação de valores, da construção da vida em sociedade - da permanência. Anda-se de avião - quem pode, e quer - mas anda-se também de carroça, por exemplo, que é um meio de transporte antiquíssimo, que também demandou tempo, tecnologia e, indubitavelmente, transmissão e comunicação de valores para se consolidar. É interessante notarmos o quão recente é tudo isso. Hoje temos televisão, internet, telefones móveis e sem fio, GPS's; mas, até bem pouco tempo, esta informação era transmitida a grandes distâncias unicamente por via oral e, em seguida, pela tradição escrita, que foi ulterior e subsequente àquela.
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Os Escribas foram uma casta de homens de letra cuja profissão consistia passar para papiro, ou para outro suporte qualquer disponível, idéias, informações, conceitos, doutrinas, histórias, orações, enfim, tudo que devia e necessitasse ser registrado, e também copiar à exaustão tais textos, para que a informação pudesse permanecer 'gravada' e pudesse 'circular', afixada, conformada, num outro suporte que não a fala, mas, que ainda assim, pudesse manter a fidedignidade de seu teor e conteúdo. Tarefa trabalhosa e nobre. Sim os escribas serviram aos nobres e aos que estavam no poder, ou próximos a ele - mas o que é então nossa civilização, se não isso? A escrita tinha muito a ver com o controle, com o poder, com a dominação - mas o que não é isso no contexto do Contrato Social e no desenvolvimento da vida humana na Terra? Assim, amados por uns, odiados por outros, os Escribas literalmente escreveram a história da humanidade com suas penas incansáveis e, se sabemos hoje de acontecimentos longínquos, de outras épocas distantes e perdidas na linha do tempo, num passado obscuro e intocável, foi graças a estes infatigáveis trabalhadores do verbo escrito.
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Hoje, com a aparente - digo aparente, porque toda conjectura é questionável, falível e refutável - democratização da comunicação através de meios modernos e baratos de comunicação, como a internet, surgem os novos escribas digitais. Pessoas que, como eu, aproveitam-se das benesses e facilidades da era digital para tratar de escrever idéias, contar causos, conceber valores, gerar informações e transmiti-las livremente pelos quatro cantos do Planeta, criando diferenças e gerando novos valores, usando e abusando da comunicação. E pensar que a rede internacional de computadores foi um efeito colateral positivo da Segunda Grande Guerra Mundial?! E que graças a ela podemos trocar informações e valores numa velocidade tão admirável, e que isto acabou saindo das mãos dos caras que criaram o troço, e vindo parar na mão da coletividade, abrindo uma nova perspectiva cultural para a civilização, ampliando monumentalmente nossa capacidade de percepção da realidade à nossa volta, além de trazer, como num passe de mágica, outras muito distantes de nós geograficamente, de maneira inauguradora.
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Êta mundinho besta este nosso! Incrível, besta e frágil.
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Da redação.

terça-feira, 26 de maio de 2009

UMA NECESSÁRIA TROCA DE PARADIGMAS(Ou, simplesmente, a morte dos veículos de transporte e locomoção individuais!)

QUEM?
Alexandre Quaresma (1967). Ambientalista, escritor contista e romancista brasileiro, pesquisador independente de nanotecnologia e impactos sociais. É videomaker, com mais de 25 anos de experiência pregressa, nascido em São Paulo, atual editor chefe e escriba titular deste Blog. Autor dos livros A Testemunha, conto ecológico de suspense, e Nanocaos e a Responsabilidade Global, ensaio de divulgação científica sobre nanotecnologia, ambos publicados por esta Editora virtual. Diretor dos documentários de divulgação científica Nanotecnologia O Futuro é Agóra, Para Entender as Nanotecnologias, Nanotecnologias e o Mundo do Trabalho, Reflexões Sobre o Desenvolvimento das Nanotecnologias e Nanotecnologias Sociais.
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ARTIGO
Quero tratar aqui de um assunto complexo e, para tanto, peço licença ao nobre e paciente leitor para usar de toda franqueza que me for possível, além de, sem mais delongas, adentrar lúcida e objetivamente o tema em questão. Para isso, partirei de uma máxima simples, maturada e desenvolvida por mim, em minhas repetidas e gratas visitas à magnífica cidade de São Paulo, minha terra natal, e seus intermináveis congestionamentos.
A cultura dos automóveis individuais movidos a combustíveis não renováveis e poluentes está com seus dias contados.
Sim, e isso se dará por diversos motivos importantes e convergentes. E, é justamente por isso, que tentarei ser breve neste artigo, abordando apenas alguns dos tópicos mais notáveis e gritantes relativos a este contexto de desenvolvimento social e cultural, deixando de fora as outras infinitas possibilidades de recortes e abordagens.

A primeira, e talvez, mais importante observação a ser feita aqui é de natureza matemática, proveniente das ciências exatas mas, passando, sem nenhuma sombra de dúvida, pela área de humanas, pelo bom senso e pela ponderação, virtudes que nunca se mostraram desfavoráveis ao salutar e profícuo julgamento. Todos os dias novos veículos são produzidos, enquanto que as ruas e estradas, vistas de uma maneira prática e quantitativa, continuam do mesmo tamanho. Parece filosofia rasa de botequim, mas não é nada disso. Trata-se, de fato, de uma dura realidade, imponente, dramática e inevitável, que precisamos a todo custo assimilar, nos debruçando sobre a matéria e, se preciso for, lançando mão de toda nossa criatividade – traço marcante de nossa espécie - e dela podermos tirar bons proveitos e boas lições e, acima de tudo, práticas que sejam mais viáveis, como alternativa ao frágil modelo que aí esta.
Minha segunda humilde ponderação, é que não faz mais sentido algum andarmos pelas ruas e estradas do Brasil e do Mundo, à bordo de veículos de transporte e locomoção individuais caríssimos, poluentes e – diga-se de passagem, abastecidos a partir de fontes não renováveis – para, além de tudo, nos engarrafarmos nestas vias que inevitavelmente temos que percorrer, para que a vida cotidiana possa seguir seu curso naturalmente e, especialmente, que a vida em sociedade possa funcionar.

Esta reflexão, nos remete, quase que diretamente, a uma outra. As populações do Planeta vêm crescendo vertiginosamente em termos numéricos e, impactos que não eram sentidos outrora, ou que eram considerados improváveis e incertos até tempos recentes, agora nos assustam de verdade e se multiplicam, nos obrigando a repensar nossos hábitos e até mesmo nossa cultura de uma maneira mais drástica e radical.
Deste modo, e como calamidades e problemas parecem atrair mais problemas e fenômenos de similar espécie, ou seja, de um certo modo, problemas 'chamam' ou 'atraem' mais problemas, é impossível deixarmos de lançar um olhar cauteloso e prescrutativo, sobre nossos hábitos e nossa cultura.

Vivemos em um mundo capitalista. E, dentro deste mundo agônico, midiático e consumista, operam as famigeradas leis de mercado, as quais me furtarei de comentar aqui, para o bem da narrativa e da reflexão que proponho. Neste ambiente e contexto, e isso vale para todos – países ricos ou não, emergentes, decadentes, dentro de organizações como a familiar, municipal, estadual, federal, enfim planetária – ou seja, o que todos querem é desenvolvimento, fartura e prosperidade. E é exatamente aqui surge o conflito.

Somos jovens enquanto nação, com uma história pregressa relativamente recente, especialmente, se considerarmos o resto do Globo, as culturas milenares orientais e o Velho Mundo. Daí, esta coisa que nós brasileiros infelizmente temos, de sermos deculturados, de repetirmos modelos, e de pouco valorizarmos nossa cultura, história e tradição, em detrimento de, modelos alheios a nós, gerando, conseqüentemente, os mesmos estragos e impactos que estes modelos já causaram em suas culturas de origem. Sim, pois nossas metas nacionais de desenvolvimento, nossos objetivos estratégicos de produção de riqueza e consumo de bens, é totalmente equivocada, e já deram prova de sua indubitável ineficiência.

Grosso modo, repetimos o que já deu errado. Daí a nossa importância estratégica de subdesenvolvidos, como reserva manancial para mais exploração capitalista.
É duro admitir: Somos movidos a consumo, e vivemos em função desta orientação cultural, e isto nos foi ensinado repetitivamente à exaustão através dos diversos meios de comunicação, mais especialmente através da televisão que não exclui ninguém em sua onipresença, e agora, nos dias atuais, pela internet. E a mensagem que nos é transmitida geralmente, é que nossa vida só adquire significado, enquanto somos peças integrantes da máquina capitalista de produção e consumo e, especialmente, pelo que possuimos e compramos. E, de fato, se usarmos da razão, doamos nossa vida a este cruel e massacrante sistema e, meio que sem querer, acabamos acreditando nisto como única alternativa, e nos absorvemos enquanto perpetuamos nossa própria escravidão dentro de uma ardilosa armadilha. Uma não, várias.
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Prezadíssimo leitor(a), gostaria de propor agora outra interessante reflexão sobre a matéria. Se olharmos bem, com olhos atentos e críticos, veremos que, dentro do jogo capitalista que participamos e sustentamos com nossas forças individuais de trabalho, nunca ganhamos o suficiente para nós mesmos, ou quem sabe, quimericamente, para nos libertarmos do jugo que nos é imposto por esta política que aí está. Não ganhamos o dinheiro de fato, vejamos bem, apenas o transportamos, de um lado para o outro. Labutamos o mês todo para, no dia do pagamento, corrermos para devolver para Eles, os capitalistas, todos os nossos míseros trocados, sob as mais diversas formas de consumo supérfluos e, dentro deste contexto de extrema externalização do prazer e da realização pessoal, surge, como o ápice e símbolo de ostentação e reconhecimento, o automóvel. Ainda mais em tempos de pick-ups e off-roads, associados a vidas maçantes e rotinas entediantes e sem sentido.

Para concluir esta breve argumentação crítica sobre nossos paradigmas e práticas culturais de locomoção, não poderíamos deixar de notar e comentar o absurdo que é as montadoras de automóveis, estas poderosas corporações multimilionárias transnacionais, ameaçarem os governos com suas lamentações, que nada mais são do que quedas de faturamento, em meio a crise que aí está, assustando as populações, amedrontando as nações mundo a fora com suas incompetências e falências – sendo que, na verdade, trata-se apenas de queda dos lucros. Absurdo maior ainda é, o que se pratica agora, que é os governos saírem a socorrer estes grupos já tão poderosos e privilegiados. Conduta praticada nos Estados Unidos da América, na Europa e, repetido, lamentavelmente por nós brasileiros, aqui em terras tupiniquins e terceiromundistas. Seria indesejável e inoportuno perguntar, por exemplo, porque o Governo Federal, em sua presteza bombeirística patriótica, ao invés de socorrer as riquíssimas montadoras, não socorre os pequenos e médios empresários que passam por dificuldades neste momento turbulento de incertezas, mandando ao diabo estes cretinos. Ou, quem sabe, investir pesado no setor de preservação ambiental e ecológico que, indubtavelmente, necessita de normatização, legislação, fiscalização, plano de manjo ecológico e sustentável, além, é claro, de punição exemplar para os malfeitores que insistirem em infringir as leis vigentes, devastando a natureza, já tão combalida? Não é possível que os interesses de um pequeno grupo ganancioso vá se sobrepor e prevalecer sobre a integridade e o bem estar da maioria da coletividade.

Vivemos o alvorecer de uma nova era, de um novo tempo de mudanças, onde antigos e nefastos modelos, precisam ser substituídos, o quanto antes, por alternativas menos danosas à natureza. A própria palavra Sustentabilidade, tão em voga ultimamente, e tão utilizada indiscriminadamente por estes mesmos grupos capitalistas, no intuito de agregar valor de marketing às suas imagens, que significa, antes de mais nada, gerar desenvolvimento, progresso e riqueza, sem comprometer as futuras gerações, não tem, de modo algum, sido observada e respeitada.

E, para finalizar, aparentemente, a única maneira possível de se corrigir toda esta loucura, seja proibir os automóveis particulares nas grandes cidades e estradas, ou sobretaxá-los de tal maneira, que seja inviável sair-se de carro sozinho por ai. Paralelamente a isso, é claro, e até com os recursos provenientes desta nova política educativa ambiental de arrecadação, fomentar-se novas matrizes energéticas e, especialmente, construir-se uma malha de transportes coletivos eficientes, baratos, seguros, confortáveis e menos poluentes.
Não se trata aqui de uma opinião particular, mas de bom senso e medidas que devem ser empreendidas o quanto antes, sob pena de fomentarmos um colapso em nível Global.
Não é possível que pessoas fúteis e vazias andem por aí em caminhonetes diesel, cujos motores, poderiam, por exemplo, estar levando toda uma classe de alunos carentes à escola, ou cumprindo uma outra missão igualmente digna.
Falo de medidas extremas e radicais. Basta agora, sabermos quem terá a coragem necessária para implementá-las.
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O tempo urge.
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Da Redação.

terça-feira, 5 de maio de 2009

H1N1: ÊTA MUNDINHO BESTA ESTE NOSSO! BESTA E FRÁGIL.

QUEM?
Alexandre Quaresma (1967). Ambientalista, escritor contista e romancista brasileiro, pesquisador independente de nanotecnologia e impactos sociais, videomaker com mais de 25 anos de experiência pregressa, nascido em São Paulo, atual editor chefe e escriba titular deste Blog. Autor dos livros A Testemunha, conto ecológico de suspense, e Nanocaos e a Responsabilidade Global, ensaio de divulgação científica sobre nanotecnologia, ambos publicados por esta Editora virtual. Diretor dos documentários de divulgação científica Nanotecnologia O Futuro é Agóra, Para Entender as Nanotecnologias, Nanotecnologias e o Mundo do Trabalho, Reflexões Sobre o Desenvolvimento das Nanotecnologias e Nanotecnologias Sociais.
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ARTIGO
Êta mundinho besta este nosso! Besta e frágil. Estamos todos nós agora, neste instante, nos borrando de medo - uns mais que outros, é verdade - só por causa de um minúsculo inimigo invisível chamado vulgarmente de vírus da gripe do porco, convenientemente re-batizada de Influenza-A bem no meio da crise dos primeiros dias; tudo, é lógico, para não atrapalhar inconvenientemente a turma do agronegócio, que vende carne suína a dar com o pau, enquanto o número de casos da gripe no mundo vai subindo. Nós, como bons brasileiros que somos, não ficamos atrás neste bonde, e não dispensamos um bom porquinho nas diversas receitas tradicionais de nossa cultura; e assim, o Brasil figura no cenário mundial como notável produtor e consumidor deste, atualmente, combalido animal.
O Estado, as autoridades competentíssimas, sempre - como classe mais que preparada que é para exercer suas nobres funções - correm à mídia para tranquilizar a receosa população brasileira, dizendo que já estão prontas para enfrentar a tal gripe, sendo que ao contrário, e na verdade - e nós sabemos desta muito bem e da pior maneira possível, ou seja, na prática - que a saúde pública brasileira vive um período negro de descaso e miséria total, onde falta gaze, esparadrapos, remédios, equipamentos, médicos, enfermeiros e, por vezes, até mesmo hospitais. O que se dirá se chegasse aqui um vírus letal de verdade.
Mas, o que ninguém diz mesmo sobre o coitado do porquinho é que ele - além de ser servido no rolete, como disse sábia e espirituosamente o Ministro Rudolf Estephanes, pode ser apreciado também sem rolete, na brasa sob a forma de churrasco, ou então na feijoada, no forno à pururuca, frito como torresmo, embutido em forma de linguiça e companhia limitada - serve também, o porco, por sua impressionante similaridade genética conosco, os humanos, para fazer parte de nossos próprios aparatos biológicos através, por exemplo, de válvulas cardíacas. Sim, nós somos fisiologicamente muito parecidos com os nossos gripados e saborosos amigos suínos, que suas partes físicas podem nos servir, e têm nos servido de fato, como reserva viva de tecidos para implante em diversas partes do organismo humano.
Vamos e venhamos, esta maldita gripe suína, que nos ameaça e amedronta, nada mais é que um resultado de nossa atividade exploratória que se estende a todos os seres vivos, e até mesmo ao Planeta que nos sustenta em sua infinita generosidade. É público, notório, óbvio e ululante: capitalismo e ecologia não se dão. Alguns mais espertos que outros, agora, em tempos de aquecimento global e outras mazelas planetárias, dizem-se verdes e sustentáveis desde o dia de seus nascimentos, quando na verdade querem apenas camuflar suas verdadeiras intenções capitalistas com discursos sócio-ambientais, enquanto continuam a ganhar seus mesquinhos lucros astronômicos. É claro que se a humanidade realmente quisesse, e se desse ao trabalho de rever suas práticas insustentáveis e anti-éticas, poder-se-ia, reduzindo margens de faturamento por um lado e priorizando questões sociais por outro, buscar novas matrizes energéticas mais perenes e menos poluentes e geradoras de resíduos, mudar drasticamente o nefasto panorama que se delineia bem diante de nós, em um futuro bem pouco distante. Todavia, com efeito e, lamentavelmente, não há um mínimo de vontade de mudar nada que está aí posto e praticado. Geramos lixo ‘pra burro, andamos em carros individuais, extremamente caros e dispendiosos de se produzir e alimentar com combustíveis, combustíveis estes, é bom lembrar, não renováveis, limitados e, que se não bastasse tudo isso, ainda estão contribuindo com sua poluição para a dramática alteração climática que vivemos, ameaçando a sutil harmonia terrestre.
Neste ambiente hostil, em um mundo de gritantes contradições, globalizado e ganancioso, massificado e consumista, obeso e ao mesmo tempo faminto, veloz e midiático, burro, raso e vazio, surge imponenete, oriunda de nossa própria mesa quintais e galpões de fábrica, a temida e famigerada gripe do porco, que virou a gripe do porco-homem, ou homem-porco, como preferirmos, pois não faz a menor diferença, e que pode virar no futuro sabe-se lá o quê, pois o vírus é mutante, como todo vírus! Mesmo que esta pequena e poderosa praga não nos varra da face da Terra agora - o que não deixaria de ser uma boa coisa para as demais espécies vivas - trata-se, sem sombra de dúvida, de um claro aviso sistêmico de alerta, que nos diz respeito certamente, resultado direto e diametral de nossa promiscuidade cruel e desumana para com as outras espécies vivas e o próprio planeta que tão gentilmente nos abriga, nossos maus hábitos industriais e alimentares, nossa desmedida ganância antropocêntrica por poder e domínio, lucro e, por fim, e não menos significativo por isso, por nossa indubitável insustentabilidade nata, traço marcante e característico de nossa espécie. Enquanto fusionarmos nosso gozo existencial a hábitos fúteis e torpes de consumo exacerbado, pouca esperança haverá para nós e para o nosso ambiente.
Resumindo a novela da gripe homem-porco-homem: Êta mundinho besta este nosso! Besta e frágil.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

NANOTECNOLOGIA - O FUTURO É AGORA

QUEM?
Alexandre Quaresma (1967). Ambientalista, escritor contista e romancista brasileiro, pesquisador independente de nanotecnologia e impactos sociais, videomaker com mais de 25 anos de experiência pregressa, nascido em São Paulo, atual editor chefe e escriba titular deste Blog. Autor dos livros A Testemunha, conto ecológico de suspense, e Nanocaos e a Responsabilidade Global, ensaio de divulgação científica sobre nanotecnologia, ambos publicados por esta Editora virtual. Diretor dos documentários de divulgação científica Nanotecnologia O Futuro é Agóra, Para Entender as Nanotecnologias, Nanotecnologias e o Mundo do Trabalho, Reflexões Sobre o Desenvolvimento das Nanotecnologias e Nanotecnologias Sociais.
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ARTIGO
Nanotecnologia: O Futuro é Agora. Nano é uma escala de tamanho referente a proporções muito pequenas. Um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro. A nanoescala faz menção a essa diminuta magnitude. Logo, nanotecnologia (NT) é basicamente tudo que pode ser construído, forjado, manipulado e controlado nesta escala de tamanho.

Quando se considera um avanço cientifico e tecnológico, acredita-se erroneamente que este pertença a toda a humanidade, quando apenas uma minoria goza de seus reais benefícios. Fomos ao espaço, mas aqui na Terra populações ainda morrem de fome diante destas mesmas tecnologias. Avanços científicos nem sempre mitigam desigualdades sociais. Ao contrário, na maioria das vezes criam novas exclusões e acabam por ampliar as desigualdades já existentes. A população global não sabe quase nada sobre NT. E, quando sabe, é através de mensagens pré-fabricadas apresentadas pela mídia para criar um imaginário cor-de-rosa; tipo a cura para todos os males, o que não é uma verdade. O discurso sobre a NT é sempre 'nano-otimista', e todo o P&D (pesquisa e desenvolvimento) é financiado pela iniciativa privada e governos dos países ricos. As NT's ainda não são reguladas por nenhum órgão e vão se consolidando na sociedade à revelia dela própria, o que é muito perigoso. As NT's suscitam várias questões de cunho ético e de segurança. Não há pesquisas de impacto ambiental, nem para saúde humana. Fala-se de nano-robôs capazes de realizar tarefas inimagináveis. Porém, nem os próprios cientistas sabem o que pode acontecer em caso de acidentes. Os produtos com NT em suas fórmulas já estão sendo vendidos livremente, sem menção nos rótulos, transformando a população mundial em cobaias. Fala-se também de 'humanos melhorados' com as NT's, mas quem terá acesso a tais benefícios? E os 'não-melhorados'? E quem controlará as NT's? As mega-corporações transnacionais? Faz-se urgente o debate ético e público sobre as NT's. Ignorar nestes tempos velozes pode ser perigoso demais.

Nanotecnologia: o futuro é agora.

NANOTECNOLOGIA NA GRINGOLÂNDIA

QUEM?
Alexandre Quaresma (1967). Ambientalista, escritor contista e romancista brasileiro, pesquisador independente de nanotecnologia e impactos sociais, videomaker com mais de 25 anos de experiência pregressa, nascido em São Paulo, atual editor chefe e escriba titular deste Blog. Autor dos livros A Testemunha, conto ecológico de suspense, e Nanocaos e a Responsabilidade Global, ensaio de divulgação científica sobre nanotecnologia, ambos publicados por esta Editora virtual. Diretor dos documentários de divulgação científica Nanotecnologia O Futuro é Agóra, Para Entender as Nanotecnologias, Nanotecnologias e o Mundo do Trabalho, Reflexões Sobre o Desenvolvimento das Nanotecnologias e Nanotecnologias Sociais.
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ARTIGO
Os avanços das nanotecnologias (NT's) na Gringolândia, ou seja, nos países mais ricos Mundo afora, anda de vento em popa, ou melhor, com dinheiro e caixa, fazendo progressos fantásticos e ao mesmo tempo assustadores. Sim, porque as NT's já são uma realidade e estão sendo desenvolvidas e aplicadas meio que na 'encolha', e à revelia da própria sociedade que não é informada de que já a está consumindo e, lamentavelmente, sempre sob a proteção de leis capitalistas de sigilo industrial. Isto é um tanto óbvio se não fosse assustador e preocupante. Declaro isto pois ouvi, de fonte segura, da boca de quem trabalha nas tais corporações transnacionais justamente nestes ambientes de desenvolvimento tecnológico de produtos contendo NT's, que ninguém sabe o que se está fazendo e avançando em P&D's de NT's sequer na sala ao lado. Ou seja, no outro laboratório, às vezes, da mesma empresa, existe um outro técnico especialista, um outro cientista trabalhando, que também não pode, sob pena de ser punido judicialmente, mencionar os seus projetos a absolutamente ninguém. Isto é uma regra geral, é claro que há exceções. Todavia, com efeito, isso tudo nos indica que, provavelmente, sabemos bem menos do que o que se dá de fato em termos concretos no que diz respeito aos níveis de avanços em nanotecnologia no momento presente.
Isso tudo, é claro, sem falar do grande engano que é considerarmos estes avanços como pertencentes a toda a humanidade. Na verdade, no mundo real, no universo das patentes, por exemplo, no mundo dos homens, as nanotecnologias significam negócios, nada mais. É um equívoco acreditarmos num mundo em que os grandes capitalistas desenvolvem dentro de si sentimentos e princípios humanistas, pois isto nunca irá acontecer. Prova disto é que muito em nanotecnologia - como não poderia deixar de ser, especialmente considerando os países envolvidos - já está sendo aplicado em armamentos e produtos bélicos. São muitas as suas possíveis utilizações em diversas áreas, não só na militar. A miniaturização, por exemplo, é a mais óbvia, mas os potenciais vão bem além disso, e tratam de manipulação da informação de uma maneira geral: a otimização e potencialização de propriedades, como as explosivas, por exemplo; mas tratam também de rastrear, controlar pessoas e materiais com nanochips; e, finalmente, de alterar gens, clonar e fabricar novos organismos vivos, organismos estes, órfãos da cadeia evolutiva natural, o que pode ser um enorme perigo de incomensuráveis impactos.
Poderíamos dizer, sem medo de engano, que as nanotecnologias servem para quase tudo. Com a diminuição para a escala nano, um bilionésimo de um metro, embalagens, por exemplo, podem continuar a levar informações ao fabricante, mesmo depois de serem adquiridas. É possível que estes produtos continuem a trabalhar mesmo em nossas casas, enviando sinais do momento da abertura do próprio produto, sua localização física no espaço, se foi consumido inteira ou parcialmente, ou seja, tais avanços e aplicações comerciais e estratégicas, no mínimo, levantam quetões amplíssimas de cunho ético, filosófico e social.
Há que se atentar para as nanotecnologias sob pena de sermos engolidos por elas.
Toda vez que uma nova tecnologia chega, infalivelmente, destrói ou reduz drasticamente suas predecessoras. Assim, o Brasil precisa estar atento às questões relativas às nanotecnologias. Estamos numa verdadeira encruzilhada histórica: por um lado, um imenso potencial de desenvolvimento e aplicações destas técnicas, para que possamos, além de sanar nossas mazelas sociais, competir de igual para igual com os outros países; e, por outro, imensos riscos, e a necessidade premente de mais pesquisas de impacto na saúde humana e no meio ambiente, além da carência monumental de regulação do setor. Como se costuma dizer no popular, deixar para as próprias corporações a responsabilidade de se auto-regular, é um ato tão insano quanto tentar amarrar cachorro com linguiça. Estes grupos pensam em números, e não em pessoas.
Vale lembrar também que outras tecnologias já surgiram na história da humanidade, e que as desigualdades gritantes continuaram e até pioraram depois delas. As tecnologias, em si, não alteram a realidade sozinhas. Não mudam nada por si mesmas. São apenas ferramentas em mãos humanas.
Em um mundo consumista, capitalista e massificado, as NT's chegam para aguçar a ganância de alguns, e a preocupação de outros que pesquisam, como eu, por exemplo. Deste modo, direto da Redação, segue aqui a dica deste humilde editor Escriba: Populações do Planeta, olho vivo com as NT's!

sábado, 11 de abril de 2009

OS ANTIGOS ESCRIBAS

om tempo se passou desde que os escribas com seu ofício representaram o mais alto grau do saber humano, sua perpetuação e difusão. Imaginemos um sujeito deste copiando minuciosamente uma obra extensa como uma bíblia por exemplo. Trabalho hercúleo e nobre. Estes homens incansáveis, com suas penas em punho, imortalizaram pensamentos, ideias, conceitos, dogmas, tradições e culturas inteiras em seu labor detalhista e edificante, levando à posteridade suas tradições através de registros históricos. Um nobre, quando queria uma cópia de alguma obra escrita específica, recorria infalivelmente a esta casta de seres dedicados à escrita. Trabalho árduo. Escrevia-se em papiros, em pedra, em couro, sempre no intuito de levar adiante as coisas mais notáveis e célebres do gênero humano.
escriba ou escrivão era a pessoa na Antiguidade que dominava a escrita e a usava, quase sempre, a mando do regente para redigir as normas do povo de uma determinada região ou religião, além de tomar notas de tudo que fosse importante e precisasse ser guardado enquanto dado e informação. Função de alta especificidade e grande dedicação, o trabalho de escriba era importantíssimo para estas organizações de cultura e poder, onde acabavam por trabalhar próximos aos homens e mulheres influentes da história através dos tempos, interagindo diretamente com leis, mandamentos morais e espirituais, tratados de guerra e paz, missivas, clemências, condolências, inventários, partilhas, juramentos, doações, contendas, rezas, matrimônios, acontecimentos célebres, enfim, tudo que requeresse alguma mensagem escrita documental. Os escribas também podiam exercer as funções de contadores, secretários, copistas, arquivistas e até mesmo escritores.
maginemos ter que ficar horas e horas, dias, meses e até anos, redigindo escritos, copiando textos, preparando documentos históricos ou sagrados, iluminados, quem sabe, pelas parcas lamparinas na aurora do saber humano era, sem sombra de dúvida, algo assim, no mínimo fabuloso. Ainda mais se considerarmos a era digital em que vivemos hoje com a velocidade e a volatilidade da informação enquanto impulso eletrônico, viajando pelo Planeta a altíssima velocidade, nas bandas largas da vida contemporânea. Como o tempo passou, e como os nossos hábitos mudaram! Vivemos hoje numa teia eletrônica que interconecta tudo e todos, ou quase isso, onde infelizmente a grande quantidade de informação disponível não quer dizer necessariamente qualidade.

laro! Tratava-se de um novo tempo para a humanidade. Uma época dourada de evolução e mudança drástica de tradições importantíssimas. Eram as primeiras fagulhas, os primeiros clarões repentinos de conhecimento e luzes, que surgiam e se insinuavam. Os primeiros raios, com certeza, do que viria a ser a tradição escrita, e as infinitas e luminosas possibilidades deste meio de comunicação admirável e encantador, como condensador e difusor de ciência e saber através do tempo. Algo singular e épico, notável e interessante, e que se arrasta até hoje, em nossos dias atuais, onde tribos amazônicas mantêm intactos seus sistemas de transmissão do saber, com suas vivas culturas orais. Algo delicado, belo e frágil. E pior, preocupante extremamente corruptível , especialmente, do ponto de vista do capitalismo, por exemplo. Interessantíssimo, é notarmos como foram importantes para nós estes escribas, nós, que estamos em plena migração de plataformas midiáticas, onde as letras, aparentemente sucumbem, diante da velocidade da era digital. E a carruagem da vida segue seu curso.


uando os escribas surgiram, e os homens, os primeiros mais iluminados num mundo com certeza bárbaro, rude e abrutalhado, puderam de uma maneira fabulosa inauguradora, reunir e conservar e, mais do que isso, organizar e transmitir estes primeiros lampejos civilização humana de forma escrita, descrita, imortalizada em documentos reproduzíveis, o que possibilitava uma utilização deste 'saber', deste 'conhecimento' de forma mais ampla, ainda assim, com alguma fidedignidade, ao poder sintetizar as informações necessárias num objeto simples que podia ser transportado, por exemplo, através do tempo e espaço e lido num outro ponto continente, contendo e condensando os interesses de quem o emitiu, informando textualmente a quem o recebe e lê. Uma evolução tremenda. Primeiro e, inequivocamente, a prática e estabelecimento de um código comum numa determinada cultura; e em segundo, a capacidade fantástica desta civilização transferir para a escrita, tal coleção de ideias e intenções, na enorme constelação de símbolos e signos que criamos e sustentamos como ferramentas auxiliares na compressão do Mundo que nos cerca.

sexta-feira, 20 de março de 2009

UMA CONVERGÊNCIA TECNOLÓGICA SOCIAL SUSTENTÁVEL POR RICARDO NEDER

QUEM?
Ricardo Neder é sociólogo, pesquisador e professor-doutor no Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS-UnB), na pós-graduação de Desenvolvimento Sustentável. Atualmente tem se dedicado ao Observatório do Movimento pela Tecnologia Social na America Latina para questões envolvidas em políticas públicas e conflitos socioambientais, políticas de inovação & tecnologia social no quadro dos Estudos Sociais de Ciência, Tecnologia e Inovação, no Brasil e América Latina.
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CITAÇÃO
"Outras formas de conhecimento e experiência também se fazem necessárias nas decisões que estão além de decidir sobre tecnologias. Exemplos concretos disso são as inovações sociais demandadas na moradia rural e urbana, transportes de massa, recursos hídricos, saúde pública, biossistemas e melhores técnicas no complexo social da produção agro-familiar, ou na agricultura urbana, além da coordenação econômica e financeira viáveis para a democratização do crédito (finanças e economia solidárias). Há, portanto, nessas áreas, demandas sociais reprimidas pela política de ciência, tecnologia e inovação convencionais. Poderiam estar sendo enfrentadas se existissem esses canais de representação e de deliberação no cotidiano para as demandas sociais e soluções adequadas em tecnologia."
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COMENTÁRIO
Para mim, um humilde Escriba, é uma enorme honra travar relações pessoais com uma figura tão notável e importante - isso do ponto de vista epistemológico, cultural e também como ser humano que é - haja vista que tal figura ímpar dedica-se, no dia-a-dia em seu ofício, às questões mais importantes dentro do momento histórico que vivemos, debruçando-se copiosamente sobre as desigualdades sociais, e sempre com um olhar novo, questionador, articulante e inteligente, buscando sempre que possível os caminhos mais razoáveis para o desenvolvimento científico e tecnológico, sem nunca perder de vista o conturbado e complexo contexto de crise socio-ambiental que vivemos em nossos dias, e o ser humano individual por trás das estatísticas. Neste ambiente crítico e reflexivo, Neder - este brilhante sociólogo e pensador, radicado atualmente em Brasília - como um bandeirante high tech a desbravar caminhos nunca dantes percorridos - instiga-nos a refletir sobre nossos hábitos, nossa cultura e, especialmente, sobre os caminhos que a humanidade deve seguir para ser sustentável, prescrutando, com seus estudos e pesquisas, os possíveis rumos para a vida no Planeta, neste veloz e enigmático cenário de avanço tecnológico, em contraste com as desigualdades sociais, tendo como alicerce do discurso, os direitos humanos universais.
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ARTIGO: Tecnologia e Democracia Diante da Quarta Geração
dos Direitos Humanos // AUTOR: Ricardo Neder // PUBLICAÇÃO: Com Ciência - Revista Eletrônica de Jornalismo Científico // 2009

sábado, 7 de março de 2009

OS FANTASMAS TELEVISUAIS DE JEAN BAUDRILLARD

QUEM?
Jean Baudrillard (1929/2007). Brilhante sociólogo e filósofo francês.
COMENTÁRIO
Certos pensadores tem como marca a abordagem inteligente, a irreverência e a criatividade na formulação de sua idéias e pensamentos. Uns são obscuros e enigmáticos, outros prolixos e retissentes, outros ainda, se perdem na forma enquanto vão tratando de falar sobre nada o máximo de possível, se comprometendo ao mínimo, é lógico; e por fim os autenticos e corajosos homens que dizem o que pensam sem rodeios, doa a quem doer... como se diz, ereto, com tesão pelo que faz. Este último tipo de pessoa, de personalidade e carater, se enquadra no estilo filosófico de Jean Baudrillard. Como bom francês que era, arrasava ao criticar os assuntos que lhe enteressava, sempre com sarcasmo e perspicácia, mostrando o quão ridículo podemos ser - nós, os seres humanos - com nossas fobias e invenções; irriquietos e perdidos neste mundão de contradições e banalidades; sedentos por entretenimento barato para distrairmo-nos de nossas insignificâncias mesquinhas e de nossas mediocridades. Coisas da era digital em sua vulgaridade obsolescente. Sem mais delongas e lesco-lescos, até porque o tempo voa, a citação escolhida mostra claramente o talento desta figuraça intelectual, ao criticar escarnadamente a televisão em seu brilhante livro Tela Total. Leitura de qualidade que ajudará o leitor antenado a compreender melhor estes dias midiáticos e superficiais que nos afligem atualmente.
CITAÇÃO
"A televisão chama bastante atenção nos tempos que correm. Faz falar dela. Em princípio, ela está aí para nos falar do mundo e para apagar-se diante do acontecimento como um médium que se respeite. Mas, depois de algum tempo, parece, ela não se respeita mais ou toma-se pelo acontecimento."
LIVRO: Tela Total // AUTOR: Jean Baudrllard // EDITORA: Sulina // Rio Grande do Sul // 2005