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quarta-feira, 10 de junho de 2009

AS MEMORÁVEIS VEREDAS DE GUIMARÃES

QUEM?
João Guimarães Rosa (1908/1967). Mais conhecido como Guimarães Rosa. Um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. Foi também médico e diplomata. Seus contos e romances ambientam-se quase todos no chamado Sertão brasileiro. A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas espetaculares inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais. Tudo isso, somado a sua erudição, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas. Autor do épico, imortal e memorável Grande Sertão Veredas.
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COMENTÁRIO
Guimarães Rosa escrevia com alma cabloca, curtida de solidões e ares de interior, de imensidão. Falava sobre uma terra de dificuldades, de homens e mulheres briosas, de cangaceiros, de cavalgadas, rachada de secas e encharcada de águas límpidas, de veredas majestosas, repletas de sol, de lua e vento, vento agreste, que trás a notícia, que acaricia a pele ressequida, e que entranaha no coração da pessoa que ali vive um 'não sei o que', que vai fazendo a alma engiar. Redobrar-se sobre si. Escrevia com o espírito repleto de signos e símbolos, amalgamados e impregnados através dos tempos imemoriais, manifesto no falar e nos costumes da gente simples deste imenso país chamado Brasil. Ele descrevia, através de sua prosa fina e inauguradora, um Brasil desconhecido dentro do próprio Brasil, rico, belo, valente, emocionante e surpreendente, em sua complexidade de riquezas inaudaitas, de paragens belíssimas, de gente brava, um verdaeiro mundo dentro do mundo, um infinito de campos e espaços abertos naturais; sim: O Grande Sertão de Guimarães Rosa.
Na citação, vemos o mestre tupiniquim da pena usar e abusar em grande estilo de seus elementos básicos de criação literária: brasilidade, etmologia e cultura do sertão.
Livro para ler, e re-ler de dez em dez anos, sem ter medo de se decepcionar.
Da Redação.
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CITAÇÃO
"Sús, esbarrou o cavalo tão de repente, que o corpo dêle se encurtou pela metade. Sô Candelário. Êsse era alto, trigueiro azul, quase preto, com bigode amarelecido. Homem forçoso, homem fúria. Mandou que mandava. Em hora de fogo, pulava à frente de todos, bramava o burro. Tomou a chefia geral, debaixo dele o Hermógenes parecia um diabo coitado. Sô Candelário era o para enfrentar Zér Bebelo. Salvante que seria para tudo. Se apeou, ficou um demorado tempo de costas para a gente." (pág183)
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LIVRO: Grande Sertão Veredas // AUTOR: Guimarães Rosa // EDITORA: José Olympio // Rio de Janeiro // 1972

sábado, 30 de maio de 2009

O GRADE SERTÃO DE GUIMARÃES ROSA

QUEM?
João Guimarães Rosa (1908/1967). Mais conhecido como Guimarães Rosa. Um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. Foi também médico e diplomata.
Seus contos e romances ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro. A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas espetaculares inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais. Tudo isso, somado a sua erudição, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas. Autor do épico, imortal e memorável Grande Sertão Veredas.

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CITAÇÃO
"Ah, o bom costume do jagunço. Assim que é a vida assoprada, vivida por cima. Um jagunceando, nem vê, nem repara na pobreza de todos, cisco. O senhor sabe: tanta pobreza geral, gente no duro ou no desânimo. Pobre tem de ter um triste amor á honetidade. São árvores que pegam poeira." (pág57)
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COMENTÁRIO
Guimarães Rosa era o cara. Em um tempo, não muito diferente do nosso, onde todo mundo estava com os olhos voltados para o litoral, este nobre e talentoso escritor brasileiro se ocupava em se lançar sertões adentro, em busca de uma memória e de uma identidade do povo brasileiro do interior das Terras sem fim desta Pátria. Ler o Grande Sertão de Guimarães Rosa foi um divisor de águas em minha vida de leitor. Sem sombra de dúvida, foi nele, o primeiro autor brasileiro, onde reconheci e pude ver a pura genialidade, tão marcante dos imortais da pena. O homem era um monstro da escrita. E sabia sobre o que escrever. Buscava instintivamente suas raízes. Sua temática, seus ambientes, seus romances e tramas, seus personagens e cenários nos remetem vigorosamente a um Brasil tão autêntico e belo, que chega a parecer um outro país dentro do próprio Brasil, por sua complexidade e imensa riqueza cultural. O fato é que o homem viajou pelas veredas, pelas trilhas, a cavalo, junto com os homens que realmente viviam aquele mundo tão instigante e pungente dos sertões, viu e viveu com eles suas estórias épicas, e soube, como ninguém, transpor com sua pena ágil e competente, peculiaridades, gírias típicas, modos e trejeitos de uma determinada cultura em especial muito interessante, a do Sertanejo.
Livro sem chance para erro, para ler, re-ler, re-re-ler, e , com toda a certeza, esta obra divina, do ponto de vista literário e cultural, fará o leitor atento descobrir porque somos assim como somos: brasileiros.
Recomendação especial deste velho Escriba.
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LIVRO:Grande Sertão Veredas // AUTOR: Guimarães Rosa // EDITORA: José Olympio // Rio de Janeiro // 1972