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sexta-feira, 1 de abril de 2011

A CRENÇA DO ARTISTA E O INOMINÁVEL PELO NOBEL DE LITERATURA ALEXANDER SOLZHENITSYN

QUEM?******************************************************************** Alexander Solzhenitsyn (1918/2008). Romancista, dramaturgo e historiador russo. Autor do clássico antológico russo Arquipelago Gulag. **************************************************************************** COMENTÁRIO****************************************************** Alexander Solznenitsyn tinha plena consciência de sua responsabilidade de escritor quando tomava a pena para eternizar suas ideias e reflexões. Sabia que escrever era testemunhar e questionar a própria realidade a sua volta, seu tempo, sua época, e era isso mesmo que ele fazia quando compunha seus textos. Suas obras, entre outras coisas, conscientizaram o mundo quanto aos gulags, sistema de campos de trabalhos forçados existente na antiga União Soviética. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1970 pelo conjunto de sua obra. As citações escolhidas para este post foram retiradas do texto que ele escreveu para o discurso da cerimonia de entrega do referido Prêmio, discurso esse que nunca foi proferido, pois se sentiu impossibilitado de comparecer pessoalmente à cerimonia por motivos políticos.

CITAÇÕES********************************************************** "Um artista acredita ser o criador de um mundo espiritual independente; carrega em seus próprios ombros a tarefa de criar esse mundo, de povoá-lo e assumir total responsabilidade por ele; mas desmorona sob a carga, porque nenhum gênio mortal é capaz de sustentar tanto peso. É como um homem comum que, após ter declarado ser o centro da existência, não consegue criar um sistema espiritual equilibrado. E se ele fracassar, acusará a antiga falta de harmonia no mundo, ou a complexidade da desconjuntada alma moderna, ou então a burrice do público." (pág27) **************************************************************************** "Nem tudo pode receber um nome. O significado de algumas coisas transcende as palavras. A arte pode inflamar até uma alma entrevada e regelada e levá-la a uma alta experiência espiritual. A arte nos proporciona às vezes - de maneira rápida e vaga - revelações que não podem ser fruto do pensamento racional" (pág30)

LIVRO: Uma Palavra de Verdade... // AUTOR: Alexander Solzhenitsyn // EDITORA: Hemus // Riode Janeiro: 1972 3a. edição

quinta-feira, 23 de julho de 2009

PUSHKIN NUMA SENTENÇA

QUEM?
Alexandre Pushkin (1799/1837). Notável romancista e poeta russo. Considerado por muitos o maior dos poetas russos e o fundador da literatura moderna deste país. Foi pioneiro no uso da língua coloquial em seus poemas e peças, criando um estilo narrativo que mistura drama, romance e sátira. Como poeta, fazia uso de expressões e lendas populares, marcando os seus versos com a riqueza e diversidade do idioma russo. Influenciou autores como Gogol, Liermontov e Turgeniev.
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COMENTÁRIO
Nesta fantástica sentença filosófica, vemos a genialidade deste mestre russo da pena usando, com equilíbrio, elementos de humor e sagacidade. A citação escolhida veio do conto A Dama de Espadas onde ele, Pushkin, faz referência aos desmiolados e cabeças duras que existem no mundo de uma maneira geral. Sensacional!
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CITAÇÃO
"Duas idéias fixas não podem coexistir no mundo moral, assim como, no mundo físico, dois corpos não podem ocupar simultâneamente o mesmo lugar." (pág213)
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LIVRO: A Dama de Espadas // AUTOR: Pushkin // EDITORA: Livraria Martins // São Paulo // Sem data

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A HISTÓRIA DE UM CAVALO SENSÍVEL ATRAVÉS DA PENA COMPETENTE DE LEÃO TOLSTÓI

QUEM?
Leão Tolstói (1828-1910) ou, simplesmente, Лев Николаевич Толстой - Eminente e brilhante escritor russo. Autor do clássico romance imortal Guerra e Paz. Fazendeiro, humanista, sensível, conhecedor da alma humana e dos animais, escreveu contos notáveis como O Diabo, História de um Cavalo e Padre Sérgio, este último tratando das tentações carnais de um padre diante de uma bela mulher. Reflexos de seu posicionamento vanguardista e já divergente da igreja católica ortodoxa de sua época.
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COMENTÁRIO
Kholstomér é um cavalo interessantíssimo mais humano que muito ser humano. Sensível, conta sua própria história de forma admirável, sob o bailar suave da pena competente deste mestre da literatura russa: Leão Tolstói. O conto em questão é de extrema delicadeza e acaba por nos mostrar de maneira inequívoca a alma dos animais e o quão inteligente e notáveis são estes seres. Infelizmente, estes são - de maneira geral - sacrificados, subjugados e mortos por nossas infindáveis crueldades humanas. Nós, seres ditos racionais, elevados e superiores. Uma lástima brutal. Envoltos em nossa razão pseudo avantajada, vamos explorando as demais espécies, como se só a nós fosse dado o direito de sobreviver em paz neste mundo. Maltratando e destruindo as demais criaturas vivas, interferimos numa delicada e singela harmonia natural, e deste modo, sem conhecimento e consciência, vamos cavando nossa própria sepultura ao extingui-los. Já é mais do que hora de acordarmos para estas barbaridades, e assim tratarmos com - no mínimo - mais respeito, estes inocentes e belos seres vivos - que, mesmo que não saibamos - são nossos irmãos naturais dentro desta infinidade de manifestações diferentes que a vida achou para se aparelhar nesta singular dimensão. Assim, sejamos mais justos e menos prepotentes com nossos companheiros animais. É imperativo. A própria razão o dita!
Da Redação.
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CITAÇÃO
"Eu entendi bem o que eles disseram sobre os lanhões e o cristianismo, mas naquela época era absolutamente obscuro para mim o significado das palavras "meu", "meu potro", palavras através das quais eu percebia que as pessoas estabeleciam uma espécie de vínculo entre mim e o chefe do estábulos. Não conseguia entender de jeito nenhum em que consitia este vínculo. Só o compreendi bem mais tarde, quando me separaram dos outros cavalos. Mas, naquele momento, não hove jeito de entender o que significava me chamarem de propriedadede um homem. As palavras "meu cavalo", referidas a mim, um cavalo vivo, pareciam-me tão estranhas quanto as palavras 'minha terra', 'meu ar', 'minha água'." (pág74)
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LIVRO: O DIABO E OUTRAS HISTÓRIAS // AUTOR: LEÃO TOLSTÓI // EDITORA: COSACNAIFY // SÃO PAULO // 2000/2005.

domingo, 3 de maio de 2009

AS ALMAS MORTAS DE GÓGOL

QUEM?
Nicolau Gógol (1809-1852). Brilhante escritor ucraniano, autor de obras fantásticas como o conto O Capote e o romance o Almas Mortas.
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COMENTÁRIO
O Romance Almas Mortas de Nikolai Gógol é uma jóia. Trata-se de uma obra filosófica e bem humorada que, distraidamente, nos faz pensar no que significa a vida humana afinal, além de abordar com sabedorioa toda a questão existencialista, enquanto faz uma ferrenha crítica ao modo russo de dominação feudal, e a exploração de seres humanos por outros humanos. Enquanto isso, o leitor terá a oportunidade ímpar de conhecer esta cultura tão diversa da nossa, e que ainda assim, em toda a sua diferença, ainda se assemelha em réplica de modelo exploratório e em miséria e resitência de seu bravo povo. Livro interessante, leve, a despeito do título, indiscutivelmente, sombrio. Na estória, vemos um simpático personsagem percorrer fazendas e propriedades ruarais russas de seu tempo, início do século XIX, numa busca incessante e frenética por adquirir suas almas mortas; pessoas falecidas, ainda não resensiadas. Na passagem escolhida, vemos o talento do autor na descrição da qualiodade do sono desfrutada por seu personagem, além de indentificarmos hábitos alimentares russos pouco ortodóxos, que, facilmente, poderíamos comparar com os nossos, aqui do Brasil.
Brilhante!
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CITAÇÃO
"Depois da jornada daquele dia, sentia-se muito fatigado. Tendo pedido o mais leve dos jantares, constante de um simples leitão, despiu-se sem perda de tempo e, enrodilhando-se debaixo do corbetor, adormeceu logo, num sono forte e profundo, um sono maravilhoso como só é dado dormir áqueles felizardos que não conhecem nem as hemorróidas, nem as pulgas, nem os dotes intelectuais excessivos." (pág156)
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LIVRO: Almas Mortas // AUTOR: Nikolai Gógol // EDITORA: Abril Cultural // São Paulo // 1979

sábado, 2 de maio de 2009

A DESUMANIDADE DA VELHICE POR NIKOLAI GÓGOL


QUEM?
Nicolau Gógol (1809-1852). Brilhante escritor ucraniano, autor de obras fantásticas como o conto O Capote e o romance o Almas Mortas.
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COMENTÁRIO
Com seu estilo clássico e marcante, o talentoso Nikolai Gógol nos mostra em seus belos e cativantes escritos, peculiaridades da alma humana, como esta excepcional passagem de Almas Mortas, que aborda com refinada sabedoria filosófica, as mazelas e desventuras da velhice humana. Leitura de primeira linha!
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CITAÇÃO
"Tudo parece possível, qualquer coisa pode acontecer com um ser humano. O impetuoso jovem de hoje recuaria horrorizado se lhe mostrassem o próprio retrato, depois de velho. Tratai pois de levar convosco, para o caminho, ao sair dos doces anos da juventude para a áspera e embrutecedora maturidade, cuidai de levar convosco todos os impulsos humanos, não os deixeis pelo caminho, não podereis recolhê-los mais tarde! É terrível, aterradora a velhice que vos espera no futuro, ela nada faz retornar, não devolve nada! A sepultura é mais clemente do que ela, na sepultura se inscreverá: "Aqui jaz um homem!" Mas nada se poderá ler nas linhas insensíveis da desumana velhice." (pág150)
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LIVRO: Almas Mortas // AUTOR: Nikolai Gógol // EDITORA: Abril Cultural // São Paulo // 1979

quarta-feira, 8 de abril de 2009

UM LEÃO DA LITERATURA RUSSA: O DIABO DE TOLSTÓI ERA UMA MULHER

QUEM?
Leão Tolstói (1828-1910) ou, simplesmente, Лев Николаевич Толстой - Eminente e brilhante escritor russo. Autor do clássico romance imortal Guerra e Paz. Fazendeiro, humanista, sensível, conhecedor da alma humana e dos animais, escreveu contos notáveis como O Diabo, História de um Cavalo e Padre Sérgio, este último tratando das tentações carnais de um padre diante de uma bela mulher. Reflexos de seu posicionamento vanguardista e já divergente da igreja católica ortodoxa de sua época.
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CITAÇÃO
"Aconteceu exatamente o que ele esperava. Como se não tivesse nenhuma intenção a não ser a de conversar à toa, Mária Pávlovna contou que naquele ano só nasceriam meninos e que isso era sinal de guerra.. As jovens mães, tanto a dos Vássin como a dos Ptchélnikov, tinham tido meninos. Mária Pávlovna pretendia parecer natural, mas ficou acanhada quando viu que o sangue subir às faces do filho e o modo nervoso como ele tirou, agitou e repôs o pincenê e acendeu apressadamente um cigarro. E ela se calou. Ele também permaneceu calado, incapaz de pensar em algo que rompesse aquele silêncio. Estava claro para ambos que um tinha compreendido muito bem o outro." (pag121)
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COMENTÁRIO
Escrever é entregar-se à criação. Penetrar no âmago da vida e, com um olhar rápido e sagaz, reter aquilo tudo que se vislumbra enquanto aprendizado neste adentrar, e transpor, para o plano material, aquele saber, aquela compreensão percebida, descrevendo e escrevendo a experiência. Seria mais ou menos isto, se fosse simples, mas não o é, pois além da criação, existe o homem que penetra neste âmago e tenta descrevê-lo, e este homem, em questão, era um gênio, uma grande e memorável figura. Um humanista, amante da natureza e dos animais, filósofo nato e praticante, com uma pena ágil e competente, escreveu muito bem sobre sua pátria e seu povo. Seus escritos são carregados de sentimentos de nobreza e simplicidade, que vão se mesclando com uma narrativa cativante, a compor um cenário interessantíssimo, onde história, filosofia, humanismo, sensibilidade e cultura russa, se fundem, revelando um belíssimo mosaico da Mãe Rússia e seu nobre, obstinado e resistente povo. Livro para ler, re-ler, re-ler... Dizem os especialistas, que a cada dez anos, podemos re-ler os grandes livros que admiramos de verdade, especialmente, quando falamos dos clássicos imortais. Este é o caso de Leão Tolstói.
Nesta citação, vemos um diálogo, onde é possível assimilarmos o clima desta belíssima estória que é O Diabo. O diabo, de Tolstói, é uma bela mulher.
Da redação Escriba.
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LIVRO: O DIABO E OUTRAS HISTÓRIAS // AUTOR: LEÃO TOLSTÓI // EDITORA: COSACNAIFY // SÃO PAULO // 2000/2005.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A FELICIDADE CONJUGAL DE LEÃO TOLSTÓI

QUEM?
Leão Tolstói (1828-1910) ou, simplesmente, Лев Николаевич Толстой - Eminente e brilhante escritor russo. Autor do clássico romance imortal Guerra e Paz. Fazendeiro, humanista, sensível, conhecedor da alma humana e dos animais, escreveu contos notáveis como O Diabo, História de um Cavalo e Padre Sérgio, este último tratando das tentações carnais de um padre diante de uma bela mulher. Reflexos de seu posicionamento vanguardista e já divergente da igreja católica ortodoxa de sua época.
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CITAÇÃO
"A minha vida pareceu-ma tão infeliz, o futuro tão sem esperanças, o passado tão negro! L. M. falava comigo, mas eu não compreendia as suas palavras. Tinha a impressão de que ela falava comigo unicamente por compaixão, a fim de ocultar o desprezo que eu suscitava nela. Em cada palavra, em cada olhar seu, eu parecia perceber este desprezo e uma comiseração ofensiva. " (pag157)
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COMENTÁRIO
A Felicidade Conjugal é uma obra belíssima que não foge à regra, ou seja, possui altíssima qualidade literária, especialmente, em se tratando de Leão Tolstói. Uma novela clássica, escrita com extrema habilidade, delineando um panorama profundo da vida conjugal e do matrimônio. Muito bom livro, para ler e refletir.
Da Redação.
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ONDE E QUANTO?
Nas Livrarias:$$$$$
Nos Sebos: $
Na Internet: $$$
Nas Bancas: $
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LIVRO: Clássicos de Bolso/Toltói // Título: Sonata a Kreutzer/A Felicidade Conjugal // EDITORA: Ediouro // Rio de Janeiro // Sem data

terça-feira, 31 de março de 2009

SONATA A KREUTZER DE LEÃO TOLSTÓI

QUEM?
Leão Tolstói (1828-1910) ou, simplesmente, Лев Николаевич Толстой - Eminente e brilhante escritor russo. Autor do clássico romance imortal Guerra e Paz. Fazendeiro, humanista, sensível, conhecedor da alma humana e dos animais, escreveu contos notáveis como O Diabo, História de um Cavalo e Padre Sérgio, este último tratando das tentações carnais de um padre diante de uma bela mulher. Reflexos de seu posicionamento vanguardista e já divergente da igreja católica ortodoxa de sua época.
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COMENTÁRIO
O Conde Leão Tolstói era o cara. Escrevia que nem gente grande que era. Imortal, sua prosa deixou marcas pelo mundo afora, dando luz e visibilidade à alma do povo russo, povo forte e honrado, submetido as durezas e privações que o destino sempre sabe impor, sem nunca perder por isso sua identidade, sua origem e sua ligação com a terra. O frio, a Estepe, a miséria... nada é capaz de dobrar esta gente corajosa e sensível, rústica e nobre, imortalizada pela pena do mestre Leão.
A citação escolhida advem da bela obra Sonata a Kreutzer considerada por muitos uma novela perfeita, onde o autor usa a técnica do contraste para enaltecer sua mensagem existencialista. Uma bela história, com a marca do gênio russo da pena.
Da redação Escriba.
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CITAÇÃO
"- Eles tocaram Sonata a Kreutzer de Betethoven. O Senhor conhece o primeiro presto? Conhece?! - exclamou ele. - Uh! Como é terrível esta sonata! Precisamente essa parte. E a música em geral é uma coisa terrível. O que é ela? Não compreendo. O que é a música? O que ela faz? E por que ela faz aquilo que faz? Dizem que a música atua de maneira a elevar a alma: é absurdo, é mentira! Ela atua e terrivelmente, digo-o por experiência própria, mas não de maneira a elevar a alma. Ela não eleva nem rebaixa a alma, ela a excita." (pag72)
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ONDE E QUANTO?
Nas Livrarias:$$$$
Nos Sebos: $
Na internet: $$$
Nas bancas: $
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LIVRO: Clássicos de Bolso/Toltói // Título: Sonata a Kreutzer/A Felicidade Conjugal // EDITORA: Ediouro // Rio de Janeiro // Sem data

terça-feira, 10 de março de 2009

OS VAGABUNDOS DE GORKY

QUEM?
Máximo Gorki (Максим Горький), pseudônimo de Aleksei Maksimovich Peshkov (em russo, Алексей Максимович Пешков) (1868/1936). Famoso escritor, romancista, dramaturgo, contista e ativista político russo. Gorki foi escritor de escola naturalista que formou uma espécie de ponte entre as gerações de Tchekhov e Tolstói, e a nova geração de escritores soviéticos.
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COMENTÁRIO
O que nos move à vida? O que faz com que nos movamos em direção a algo ou algum lugar? Desejos de todos os tipos e gêneros. Alguns são viciados em trabalho, outros em comida, pornografia, drogas, compras; muitas são as compulsões e vícios, sabe-se lá! Poucos são ricos e abastados. Estes não se preocupam com quase nada que não seja ganhar mais dinheiro - o que não é fácil, convenhamos - e estão sempre bem; entra ano, sai ano. Outros tipos, geralmente engravatados, revestidos de empáfia e muito solícitos, vivem como sangue-sugas, rondando o poder, e recolhendo sorrateiramente suas migalhas, que lhe garantem a subsistência e a subserviência; mas não importa, são os parasitas políticos que nós elegemos - talvez por mera incompetência em cuidarmos de nossos próprios destinos sozinhos - e a quem re-confiamos nosso futuro, há cada quatro anos. Outros sujeitos ainda vivem à margem do próprio Contrato Social, militando solenemente na marginalidade, e acabam, mais dia menos dia, sendo engolidos pelo sistema que não admite ser contrariado, e deste modo vivem pouco, ou são presos, onde ficam reclusos e separados dos demais. E, finalmente, a ampla maioria da população comum, que se resigna com sua miséria plena e monumental e são engolfados pela força descomunal do desprezo, de modo que, pouco a pouco, são inundados por um sentimento de não valerem nada - nem para si, nem para os outros - tornando-os assim como uma espécie de lixo vivo - o que os projeta para dentro de um lastimável mundo obscuro de exclusão, iniquidade e pouquissima auto-estima. Mundo pobre e desigual, sem charme e em um contexto real de drama existencial, drama este que ninguém gosta de ver e, nem muito menos, de lembrar. São os esquecidos. Pessoas que, por não poderem consumir nada além do básico para se alimentar, passam a ser desconsideradas, especialmente, nesta era de consumismo capitalista, onde o ser humano desprovido de posses não vale absolutamente nada.
Neste ambiente agônico e crítico, surgem Os Vagabundos de Máximo Gorky. Grande e renomado autor, que soube como ninguém, decifrar a alma desta gente forte simples da mãe Russia que, com toda certeza, também tinha suas misérias e desigualdades gritantes. Este brilhante escritor nos mostra que muitas vezes estes vagabundos, que encaram a existência assim mais despreocupadamente, na flauta, acabam levando uma vida bem mais tranquila e menos sofrida do que os ricos e bem abastados senhores, cheios de bens a zelar e compromissos e responsabilidades a cumprir. Ou seja, viver é um mistério danado!
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CITAÇÃO
"Konovalov tirou aparas não sei de onde, amontou lenha e dali a instantes, por entre o fumo tênue e azulado, surgiram fagulhas crepitantes que pouco a pouco incendiaram a lenha numa grande flor roxo amarelado...
Konovalov pôs uma cafeteira no fogo e pôs-se a contemplar as chamas com expressão sonhadora.
- Os homens fizeram as cidades, edificaram casas onde se amontoam, fustigam a terra, afogam-se e inutilizam-se atoamente... Será isto viver? Não, a verdadeira vida é a nossa..." (pag155)
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LIVRO: Os Vagabundos // AUTOR: Máximo Gorgy // EDITORA: Irmãos Pongetti // Rio de Janeiro // 1944

quinta-feira, 5 de março de 2009

O DIABO DE LEONIDAS ANDREIEV

QUEM?
Leoníd Nikoláievich Andréyev, conhecido por Leonidas Andreiev (1871/1919). Esritor e dramaturgo russo que liderou o movimento do Expressionismo na literatura de seu país.

COMENTÁRIO
O brilhante conto A Conversão do Diabo de Leonidas Andreiev é algo assim, como direi, sensacional. Uma obra prima de cunho filosófico fortíssimo, que fará, com toda a certeza, o leitor refletir e dar boas gargalhadas. Muito bem elaborada, a trama gira em torno de um diabo sensível e inteligente, que arrependido e cançado de fazer o mal, faz de tudo para se converter em anjo, para poder finalmemente praticar o bem. O tal demônio vai morar na igreja de um pobre padre, que acaba se envolvendo completamente no projeto do primeiro, que por sua vez, vai dando um verdadeiro nó em sua cabeça eclesiástica e religiosa, devido ao debates e embates metafísicos travados entre ambos. Conto bem humorado e profundo, escrito com graça e malícia, por um talentoso escritor russo; receita de absoluto sucesso para o leitor se divertir e refletir em grande estilo. Em uma palavra: Bárbaro!
Da redação Escriba.

CITAÇÃO
" - Diga-me antes: será que você ficou bem quietinho de maneira estrita ou se permitiu algumas escapadelas? O diabo soltou um suspiro lúgubre.
- Fiquei bem quietinho. Só matei uma mosca ontem porque ela estava rastejando em meu rosto, e não sei se isso é permitido ou proibído.
- Uma mosca? - disse o padre rindo.
- Uma mosca é permitido! Espere... Aí está, você recomeça a me pôr em dúvida, infeliz! Se é permitido ou não, eu mesmo já não sei mais! Desculpe-me, irmão, mas você me faz perder o meu latim! Antes de você me fazer essa pergunta sobre a mosca, eu sabia muito bem que a gente tinha o direito de matá-las, eu mesmo fiz isso mais de uma vez, mas agora...
- Elas são seres vivos - disse o diabo num tom sombrio.
- É verdade, elas são seres vivos! - repetiu o padre, pesaroso.
- Então eu também matei moscas vivas? Que pecado! Ai, ai, ai! Que pecado! " (pag235)

LIVRO: Contos Russos Eternos // AUTOR: Leonidas Andreiev// EDITORA: Bom Texto // Rio de Janeiro // 2004.

quarta-feira, 4 de março de 2009

SENHORES E SERVOS DE TOLSTÓI

QUEM?
Leão Tolstói (1828-1910) ou, simplesmente, Лев Николаевич Толстой - Eminente e brilhante escritor russo. Autor do clássico romance imortal Guerra e Paz. Fazendeiro, humanista, sensível, conhecedor da alma humana e dos animais, escreveu contos notáveis como O Diabo, História de um Cavalo e Padre Sérgio, este último tratando das tentações carnais de um padre diante de uma bela mulher. Reflexos de seu posicionamento vanguardista e já divergente da igreja católica ortodoxa de sua época.

COMENTÁRIO
Definitivamente, o Conde Leão Toilstói foi um sujeito notável. Sua literatura brilhante e humanista encantou gerações a fio. Seus conteúdos intensos e belos o imortalizaram como um dos grandes - se não o maior - expoente da cultura russa e de seu rústico, resistente e nobre povo. Senhores e Servos (ou Homens e Escravos) é uma jóia da literatura universal de todos os tempos, e conta a emocionante estória de um senhor, um servo e um cavalo, perdidos em meio à tempestade de neve. Drama contundente e gritante, que retrata um ambiente milenar da desigualdade humana, em um enredo instigante com final mais que surpreendente. Obra de primeira grandeza que agradará o leitor com inclinações filosóficas e humanistas. Brilhante, harmônico, emotivo, envolvente, humano, cativante, sensível; numa palavra: Mestre Leão Tolstói.
Da Redação.

CITAÇÃO
"E depois disso, Vassili Andréitch deixou de ver, deixou de ouvir e nada mais sentiu deste mundo. A tempestade continuava sempre, não parava nunca. A neve rolava em turbilhões enormes e cobria cada vez mais, tapando por completo, o corpo de Vassili Andréitch; o pobre baio, cujo corpo gelado tremia todo; já sepultara o trenó até quase o meio." (pag87)

LIVRO: Homens e Escravos // AUTOR: Leão Tolstói // EDITORA: Irmãos pongetti // Rio de Janeiro // 1943

sábado, 31 de janeiro de 2009

AS TENTAÇÕES DE PADRE SÉRGIO POR TOLSTÓI


QUEM?
Leão Tolstói (1828-1910), ou, simplesmente, Лев Николаевич Толстой - eminente escritor russo.

CITAÇÃO
"Páchenka, por favor, receba as palavras que lhe direi agora como uma confissão, como palavras ditas a Deus na hora da morte. Páchenka, não sou um homem santo, não sou nem mesmo um homem simples e comum: sou um pecador torpe, abjeto, um pervertido, um pecador orgulhoso, e se não sou o que há de pior na raça humana, estou entre os piores." (pag95)

COMENTÁRIO
Leão Tolstói era um gênio. Um mago da literatura universal de todos os tempos. Sua prosa clássica natural da Mãe Rússia cruza o globo de ponta à ponta e já foi traduzida em quase todas as linguas e idiomas do planeta. O obstinado personagem Padre Sérgio, desta citação, retrata um homem religioso em crise existencial, sob o jugo da tentação que pode provocar a presença de uma bela mulher. Tema quente e picante, trazido à luz para a imortalidade pela pena do Mestre Leão, que era, além de fazendeiro, escritor e humanista, homem dado à filosofia e à reflexão - numa crítica forte contra a fé católica ortodoxa - para o puro deleite do leitor. Categoria Escriba: cinco peninhas de ouro para Tolstói.

LIVRO: Padre Sérgio // Autor: Leão Tolstói // Editora: Cosacnaify // São Paulo // 2006

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O CAPOTE DE GOGOL


QUEM?
Nicolau Gogol (1809-1852), brilhante escritor ucraniano.
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COMENTÁRIO
Na Rússia de Gogol, vemos um povo de alma bela, forte e nobre, submetido às mais duras provações possíveis de se imaginar, onde muitas vezes o orgulho patriótico se mistura e se funde à submissão subserviente exacerbada e sem limites - algo parecido com a realeza britânica, com sua necessidade compulsiva por um herdeiro homem para o trono, um falo a que se cultuar - hábito antiquíssimo que remonta a própria história do homem na Terra - muito praticado em diversas culturas, originado da necessidade básica que afligiu os povos do Mundo em diferentes épocas - que é poder unir todo um povo, toda uma nação, sob uma única égide, um único soberano, especialmente, em territórios muito vastos e desunidos, em reinos muito extensos, como era o caso da Rússia do século XIX. A citação escolhida foi compilada do magnífico e imortal Conto de Nicolau Gogol "O Capote", e gira em torno da miserável situação social do povo russo à época, retratando com sabedoria e brilhantismo a burocracia vigente nas hierarquias governamentais, e o pseudo poder gozado pelos chefetes da vez, em contraste com a dura realidade das coisas simples e importantes da vida cotidiana, no caso aqui: um cidadão comum em meio a tantos outros, o frio extremo da mãe Rússia e um casaco, ou melhor, um capote, como se diz por lá em terras asiáticas. Literatura de altíssimo nível com recomendação especial deste humilde Editor. É só conferir e se deleitar!
*
CITAÇÃO
"O espírito de imitação infectou fortemente nossa santa Rússia, cada um quer bancar o chefe e imitar alguém maior: certo conselheiro titular chamado a dirigir uma repartição sem importância apressou-se, dizem, a arrumar, com ajuda de uma divisória, uma espécie de quarto, pomposamente chamado de 'gabinete do diretor'; porteiros de colarinho vermelho e galões em todas as costuras abriam a quem chegasse a porta de seu antro, onde mal cabia uma modestíssima mesa. Nosso personagem importante afetava um ar nobre e maneiras altivas. Seu sistema, dos mais simples, baseava-se unicamente na severidade. - Severidade, mais severidade, sempre severidade! , repetia ele sem cessar fulminando seu interlocutor com um olhar significativo ainda que supérfluo; os dez ou doze empregados que tinha sob suas ordens estavam cheios de respeito e de temor salutar: assim que eles o viam chegar, abandonavam suas ocupações e esperavam, estáticos em posição de sentido, que ele se dignasse atravessar o escritório. Se ele dirigisse a palavra a um inferior seu, era sempre num tom áspero, e para o mais das vezes uma das três perguntas seguintes: - Onde adquiriu essa arrogância? Sabe com quem está falando? Sabe diante de quem você está?

Era, no entanto, um homem bom, muito prestativo, e ainda havia pouco de um trato agradável com seus amigos; mas o título de Excelência lhe havia virado a cabeça. Assim que obteve este título, seu espírito se perdeu, e ele perdeu todo controle sobre si mesmo. Com seus iguais, conduzia-se ainda como um homem bem educado, nada burro sob muitos aspectos; mas, se porventura se misturassem à sua companhia pessoas inferiores, ainda que apenas de um grau abaixo da categoria que ele ocupava na hierarquia, ele se tornava de imediato insuportável, esquecia toda polidez e não dizia palavra. Isso não o empedia de se dar conta de que poderia ter passado o tempo de uma maneira muito mais agradável." (pag33)
*
LIVRO: CONTOS RUSSOS ETERNOS // AUTOR: NICOLAU GOGOL // EDITORA BOM TEXTO // RIO DE JANEIRO // 2004.

sábado, 17 de janeiro de 2009

A HISTÓRIA DE UM CAVALO POR LEÃO TOLSTÓI

QUEM?
Leão Tolstói (1828-1910) ou, simplesmente, Лев Николаевич Толстой - eminente escritor russo.
COMENTÁRIO
Alguns críticos, talvez por não terem o que dizer de concreto sobre a literatura da mãe Rússia e seus inumeráveis talentos, arriscam dizer sobre algum escritor aqui e ali, independentemente de sua nacionalidade, fazendo menção a uma certa maneira de explorar as misérias do dia-a-dia, dizendo que estes são 'russos demais'. Puro despeito, pois seus verdadeiros expoentes, como é o caso de Tolstói , Gorki, Tchékhov, Dostoiéviski entre muitos outros, são escritores fantásticos, que souberam escrever muito bem sobre as mazelas e qualidades de sua Pátria e de seu povo. A citação escolhida aqui, vem de um conto interessantíssimo, onde o Mestre conta toda a história do ponto de vista subjetivo do personagem principal: Kholstomér; um cavalo muito simpático. Muito triste e emocionante, ainda assim, uma belíssima história que valoriza de forma brilhante a vida animal de uma maneira geral e que, com certeza, comoverá o leitor, assim como comoveu este dedicado Editor. Da Redação.
CITAÇÃO
"Quando dei a volta da vitória, a multidão me seguiu. E umas cinco pessoas ofereceram milhares de rublos ao príncipe. Ele apenas riu, mostrando os dentes brancos.
- Não, disse ele - ele não é um cavalo, é um amigo, e eu não o vendo nem por uma montanha de ouro. Até a vista, senhores - e acomodou-se no assento. - Para Stojinka. - Era o apartamento de sua amante. E nós voamos para lá. Foi nosso último dia feliz. Chegamos á casa dela. Ele dizia que ela era dele. Mas ela se apaixonou por outro e o deixou. Ele soube disso lá, no apartamento. Eram cinco horas e ele foi atrás dela sem me desatrelar. Coisa que nunca tinha acontecido: açoitaram-me com o chicote e me fizeram galopar. Pela primeira vez perdi o passo, fiquei com vergonha e quis acertar, mas, de repente, ouvi o príncepi gritar feito possesso: "Anda!". Fustigou-me com o chicote, senti a pontada e saí a galope batendoas patas no jogo dianteiro do coche. Nós a alcançamos vinte e cinco verstas adiante. Eu o levei até lá, mas passei a noite toda tremendo, nem comer eu consegui. De manhã deram-me água. Bebi, mas para o resto da vida deixei de ser o cavalo que era. Fiquei doente, atormentaram-me e me mutilaram - curaram-me, como dizem os homens. Meus cascos se soltaram, meu peito sumiu, a fraqueza e o abatimento tomaram conta de mim. Venderam-me a um negociante de cavalos."
LIVRO: O DIABO E OUTRAS HISTÓRIAS // AUTOR: LEÃO TOLSTÓI // EDITORA: COSACNAIFY // SÃO PAULO // 2000/2005.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O DESTINO DE UM HOMEM


COMENTÁRIO
A literatura é russa algo assim inesgotável. Depois de ler os clássicos, e de uma pesquisa mais minuciosa, podemos descobrir autores - com o perdão da expressão - de segunda grandeza, o que de fato é uma inverdade, já que são tão bons como os primeiros, com seus estilos igualmente marcantes e humanistas, que constroem obras literárias incríveis com seus escritos. Mikhail Sholokhow é prova inconteste disto. Este habilidoso autor russo, prêmio Nobel de 1965, escreveu como ninguèm sobre sua região na enorme Mãe Russia: o Don. Mesmo em meio à desolação miserável das guerras - e todas elas o são - estes homens predestinados - talvez metabolizando com sua arte uma realidade tão aterradora - transformaram em litaratura e proza histórias de pequenas criaturas humanas sem rosto que se degladiam e se esquivam em meio ao caos e ao conflito armado. Da Redação Escriba.

CITAÇÃO
"Dois seres humanos, dois órfãos, dois grãozinhos de areia jogados em terras alheias pela força do furacão da guerra... Que os espera no futuro? E quer-se acreditar que aquele homem russo, de inquebrantável força de vontade, aguentará ainda por muito tempo, e que sob seu ombro paterno deverá crescer aquêle que, depois de grande, tudo suportará, a tudo vencerá em seu caminho, se a Pátria dele precisar." (pag95)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

SANGUE ESTRANHO


COMENTÁRIO
Assim como a música brasileira é inesgotável, a literatura russa também o é. MIKHAIL SHOLOKHOW, prêmio Nobel 1965, é um bom exemplo disso. Neste sentido, "Sangue Estranho" é simplesmente espetacular, pois retrata os horrores da guerra em toda a sua barbárie, sem deixar de lado as possibilidades que a nobre arte literária permite.

CITAÇÃO
"Em cima da carroça jazia um homem descalço, os braços jogados para o lado. A cabeça do homem ficava batendo contra as costas da carroça, e grandes manchas escuras de sangue cobriam as tábuas." (pág. 70)
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Livro: SANGUE ESTRANHO // Autor: Mikhail Sholokhow // Editora: Hemus, SP, 1968
Imagem: Encontrada em... http://zamanila.com/sholokhov/

DA VINCI POR DMITRI


COMENTÁRIO

Quando Dmitri Sergeievich Merejkovski esteve com Dostoievski, aos 15 anos de idade, e teve a oportunidade de ler seus primeiros escritos, este o desencorajou, por assim dizer, a seguir a carreira de escritor dizendo o seguinte: "Para escrever é necessário sofrer." Irônicamente, o efeito foi inverso. Dmitri seguiu em frente em busca de seus sonhos e anseios literários, estudou a fundo o mundo das letras, percorrendo os melhores caminhos possíveis dentro da academia, e acabou por se tornar um importante escritor russo e eminente crítico literário. A citação escolhida aqui foi extraída da belíssima biografia romanceada por ele do grande e imortal Leonardo Da Vinci.

CITAÇÃO

"Quando conheceres perspectiva, e souberes de cor as proporções do corpo humano, observa com cuidado, durante os teus passeios, os movimentos das pessoas; como param e como andam, como falam e discutem, riem e brigam. Como são as fisionomias nessas ocasiões, assim como as dos espectadores que querem apartá-los, e as dos curiosos sem nada dizer. Observa tudo isso e desenha-o a lápis, logo o possas fazer, em um livrinho de papél de cor, que deves carregar, inseparavelmente, contigo. E quando esse livro estiver completo, troca-o por outro, guardando e preservando o anterior. Lembra-te de que estes velhos desenhos não devem ser destruídos nem apagados, mas conservados como um tesouro, pois os movimentos dos corpos são infinitos e não há memória humana capaz de retê-los. Olha, pois, esses rápidos esboços como teus melhores precptores e mestres!" (pág. 11)

Livro: O ROMANCE DE LEONARDO DA VINCI // Autor: Dmitri Sergeievich Merejkovski // Editora: Livraria da Globo, SP/RJ, 1947.

Imagem: Encontrada em... http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Leonardo_da_Vinci.jpeg

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O BEIJO DE TCHEKHOV

CITAÇÃO
"E o mundo inteiro, toda a vida, pareceram a Riabóvitch uma brincadeira incompreensível, sem objeto... Mas, afastando os olhos da água e olhando o céu, lembrou novamente como o destino, na pessoa de uma mulher desconhecida, acarinhara-o sem querer, lembrou seus devaneios e imagens de verão, e a vida que levava pareceu-lhe tosca, miserável, incolor..."
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COMENTÁRIO
Inspirado, Antón Tchekhov confronta os limites do indivíduo em meio à imensidão dos seres. Um beijo, roubado na penumbra, ilegítimo e momentâneo, leva o personagem da trama a questionar sua singela existência.
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Livro: O BEIJO E OUTRAS HISTÓRIAS // Autor: Antón Pávlovitch TCHEKHOV (1860-1904) // Editora: BOA LEITURA, SP // Conto: O BEIJO