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domingo, 13 de fevereiro de 2011

RUBEM ALVES: METODOLOGIA CIENTÍFICA, O CALDEIRÃO BORBULHANTE DE FATORES QUE GERAM AS REALIDADES

QUEM?
Rubem Alves (1933). Psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro.
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CITAÇÃO
"Não há motivos para espanto. Isto, que acabamos de sugerir, é que aquilo a que os especialistas dão o nome de contexto da descoberta: o caldeirão borbulhante de fatores biográficos, sociais, emoções, intuições de onde surgem não só as teorias como também os poemas, as sinfonias, as utopias." (pág.169)
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COMENTÁRIO
Quando uma obra literária de divulgação científica alcaça a decíma sétima edição é porque já passou pelo crivo mais importante em termos editoriais: o leitor. Nessa situação, qualquer comentário ou crítica mais elaborado deixa de ter sentido, pois são, no mínimo, uns 17 mil livros editados 'seguindo' pela vida por si sós e sendo lidos a torto e a direito por aí, ilustrando e encantando. No caso desta, que destacamos hoje, não há a menor sombra de dúvida quanto à sua qualidade: Filosfia da Ciência, introdução ao jogo e suas regras, por Rubem Alves. Na obra o autor revela a verdadeira natureza do cientista que, despido de sua roupagem mítica, imaculada, utópica e quase celestial, é percebido e contextualizado como deve ser: como um ser humano falível e mortal, suceptível às mesmas mazelas e tentações como os demais seres contíguos e coetâneos que gozam de tal condição frágil e carnal de viventes nesse mundinho.
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Na citação vêmo-lo fazer referência à metodologia científica que, em tese, por deduções e experimentações protocolares, seria capaz de nos capacitar a inferir um julgamento de valor procedente e fundamentado diante de um problema dado qualquer.
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LIVRO: Filosofia da Ciência, introdução ao jogo e suas regras // AOTOR: Rubem Alves // EDITORA: Brasiliense // São Paulo: 1993.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

EDITORA ESCRIBA LANÇA LIVRO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: NANOTECNOLOGIAS: ZÊNITE OU NADIR? POR ALEXANDRE QUARESMA

QUEM?
Alexandre Quaresma (1967). Escritor e editor deste blog.
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COMENTÁRIO
É com enorme prazer que apresentamos a última e mais recente publicação desta Editora Escriba. Trata-se do livro de Alexandre Quaresma intitulado Nanotecnologias: zênite ou nadir? Que já está disponível para aquisição na Livraria Cultura, mesmo antes do lançamento oficial que se dará no VII SEMINANOSOMA - Seminário Internacional de Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente (dias 10, 11 e 12.11.2010 no Hotel Softel, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ). Este livro é o resultado de intensas pesquisas sobre o tema 'nanotecnologias' realizadas por ALEXANDRE nos últimos cinco anos junto à RENANOSOMA [1], e mais especialmente depois do VI SEMINANOSOMA (2009, Manaus, AM), donde foram extraídas as conclusões.
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[1] RENANOSOMA - Rede de Pesquisa em Nanotecnologias, Sociedade e Meio Ambiente, coordenada pelo Prof. Dr. Paulo Roberto Martins.
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LIVRO: Nanotecnologias: zênite ou nadir? // AUTOR: Alexandre Quaresma // CAPA: Juliano Thuran // EDITORA: Escriba // Rio de Janeiro: 2010

LINKS
* versão impressa na Livraria Cultura
* versão e-book no Clube de Autores
* entrevista no programa "Nanotecnologia do Avesso" na AllTV
* artigo "Livro discute impactos das nanotecnologias" no site Inovação Tecnológica

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

HORKHEIMER E ADORNO: A DOMINAÇÃO SOCIAL PELA DIVISÃO DO TRABALHO

QUEM?
Max Horkheimer (1895/1973). Filósofo e sociólogo alemão.
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Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno (1903/1969). Filósofo, sociólogo, musicólogo e compositor alemão. É um dos expoentes da chamada Escola de Frankfurt.
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COMENTÁRIO
O Conceito de Iluminismo de Max Horkheimer e Theodor Adorno é um texto antológico. Nele, os autores mostram toda sua competência ao dissertar sobre as dinâmicas deste momento histórico tão importante da humanidade (Iluminismo), e como ele influenciou o mundo que nos cerca e a forma como o compreendemos.
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Nessa citação escolhida a dedo teremos uma descrição perfeita da estrutura de dominação social que se perpetua na civilização desde que o mundo é mundo, infiltrando-se também no pensamento.
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Da redação.
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CITAÇÃO
"A dominação confere maior força e consistência ao todo social no qual se estabelece. A divisão do trabalho, na qual a dominação se desenvolve socialmente, serve á autoconservação do todo dominado. Mas com isso, o todo como tal, a atividade da razão a ele imanente, torna-se execução do particular. A dominação faz frente ao indivíduo a título de geral, de razão na esfera da realidade. O poder de todos os membros da sociedade, que enquanto tais não dispõem de outra saída aberta, soma-se, sempre de novo, pormeio da divisão de trabalho que lheséimposta, para a realiozação justamente do todo, cuja racionalidade assim é por sua vez multiplicada. O que éfeito a todos por poucos, perfaz-se sempre pela subjugação de alguns por muitos: a opressão da sociedade exibe sempre, ao mesmo tempo, os traços da opressão exercida por um coletivo. É essa unidade de coletividade e dominação, e não a imediata generalidade social, a solidariedade, que se sedimenta nas formas dopensamento." (pág.110)
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LIVRO: Textos Escolhidos // AUTORES: Max Horkheimer e Theodor Adorno // Título: Conceito de Iluminismo // EDITORA: Abril Cultural // COLEÇÃO: Os Pensadores // São Paulo: 1975 // 1a edição

sexta-feira, 16 de julho de 2010

ANTROPOLOGIA: HOMENS E CÃES ATRAVÉS DOS TEMPOS E DA HISTÓRIA POR J BAMBERG

QUEM?
Professor J. Bamberg. Caro amigo antropólogo colaborador deste blog.
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COMENTÁRIO
J. Bamberg é figura ímpar que essa vida me deu meio que sem querer, cabra que escreve com a alma brasileira na ponta da pena - digo - na ponta do teclado e do mouse, sempre que pode estar diante de sua tela internautica computadora digital. E é ali, diante da máquina fala-escreve orweliana, que ele se solta e escreve como ninguém. Aqui, nestes textos, temos uma aula sobre a história domundo e as relações homens/cães, e já que estes gentís animais tem sido foco de nossas elocubrações literárias nesses dias fugidios da pós-modernidade, com vocês o professor J. Bamberg, nosso mais novo colaborador nesse editorial, em bamberguês original.
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EDITORIAL
"Caríssimo Don Alejandro, El Escriba, Um ditado velho,lá dos 60/70, época da 'durêta' no couro de todos nós, diz:'...sofre mais que mulher de comunista e cachorro de índio!...'.Essa fala aponta numa direção curiosa,se,não, bizarra. O nosso 'índio', em geral,até recentemente não queria cachorro beirando seus terrais,nem...A vara 'comia' no couro dos canídeos,via de regra..."-...xê-têt-têêê-ì !!!.....", em ofensa irretratável a expurgá-los do campo de visão de qualquer tupynâmbo,em geral... O que o R.Linton aponta é um traço do 'indio',comanche,sioux,oglala e muitos mais, lá dos EEUU,havendo muitos outros que não os tolerava.Lá e cá, o ocorrido com o cavalo,o boi, e, com o cachorro,em especial, tem diferenças interessantes,pois. Aquí,e,claro,lá, o cachorro veio com o colonizador e em maioria de vêzes,em persiga do nosso 'primeiro-dono-da-terra', o 'negro-da-terra',leia-se,o'indio', que,porisso mesmo o odiava e sequer o caçava para comer...Ódio figadal,já descrito e muito bem, por Bartolomé de las Casas, em obra simple e belíssima!...Depois, com as saudabilíssimas misturanças dos povos de lá com os de cá,e com,principalmente,a meu rude ver,muito mais do que o colono,entradista,bandeirante ou lavrador,à exceção do vaqueiro ou negríndio, a presença do negro-escravizado-e-fugido, já aquilombado nas aldeias mais a dentro e protegido pelo 'indio' e,maioria das vêzes, por lá ficando, casando-se, tornando-se um cunhado,já um familiar,com direito a plantar roças e tanto o mais, o cachorro - trazido pelo colonizador como ferramenta,arma de guerra e depois,também,companheiro dêsses 'outros'-veio junto,para ficar e fazer parte do contexto. Lembremos: presença dos cães nas diversas culturas africanas é bem comum, seja no pastoreio,principalmente, também,na guarda,nas guerras e na caça ou enquanto 'companhia',havendo casos múltiplos de 'entêrros',sepultamentos, onde o cão está ao lado do seu dono/a,todos já mortos,óbvio, 'seguindo juntos a grande viagem'...Entre os egípcios,uma constante para quem os tivesse em zêlo.No nosso caso,não.E,a princípio,isso ocorre depois da apropriação cavalo e do boi,por exemplo.O cavalo enquanto 'ferramenta-de-guerra' e o boi,ainda arisco,perdido,na mata, no mato,aos primeiros tempos, um animal-mítico,maior do que o tapyr, a anta, e com chifres fortes e mortais, que solta urros como um Iyaguá-açú-caang-uçú...Um novo 'ente' na sua imagétika-mítica de curupiyras, caapóras e tanto mais...Êsse, estranho ser, que,só recentemente entra para a dieta da maioria dos Povos Indígenas- especialmente,daquí,Sul da América,no,hoje,Brasil."
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"Lá,ao lado norte da América, só depois da mortandade absurda dos buffalos,pelos colonizadores,cowboys,soldados e outros aventureiros até internacionais, alí,apenas pela simples caçada, e a consequente escassez de carnes e couros,necessários ao enfrentamento dos tempos invernais,por parte dos Povos Indígenas,lá instalados desde quase sempre e então invadidos e perseguidos,terras de cultivos tomadas e sei lá mais o que a lhes conduzir para as 'reservas',os mais verdadeiros campos de concentração a céu aberto e escola maldita para outras experiências semelhantes,já em tempos posteriores,o século,ocidentalmente dito,20 ... - enquanto ítem da alimentação diária, a concorrer ou substituir o peixe e a caça, as frutas e mel,insetos e outros mais.Há linhas etnológicas que pensam a presença dos cães junto aos humanos,até enquanto contributivo,significante, para a instalação dos grandes grupos, famílias e mais a definirem o que ,depois da simples socialização viesse a se transformar e evoluir para a Sociedade atual. O cão ,depois da domesticação,passa a ser ,quase, um 'ente da família', coisa que, de fato, vem a ocorrer na contemporaneidade. O companheiro da caça e da guerra evolúi para o'melhor amigo' que se transforma no 'seu filho' bem como num belo pitéu mercadológico, com gordíssimas fatias de participação no ambiente do grande-consumo.Comida,remédios,brinquedos,roupas e sei lá mais quantos outros tantíssimos ítens à disposição dos bichinhos e dos seus embevecidos donos/as-papais-mamães'.Bela matéria, a vossa, lá no Escriba, que não consigo 'acessar',para postar as minhas bestidades comentárias... Como fazê-lo,pois?!...Escrevo a'palavra-código',do quadradinho,me qualifico,ponho o password, e... Nada...Coisas dessa maquininha infernal!...Grande e confraterno abraço,para vossência e d.Cris,e a mais, em aguardo do amigo Escriba,para uma 'churrascada- sangrenta', de fazer cachorro babar, aquí em BsB, 'terra-que-muito-cachorro-manda-e-manda-muito'...Do seu mano mais rude, e ex-quadrúpede,quase bípede e atual,trípede,"JB
13 de julho de 2010 18:44

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Continua...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O VALOR DA VIDA POR HANS JONAS

QUEM?
Hans Jonas (1903/1993). Filósofo alemão.
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COMENTÁRIO
Uma das principais qualidades de um filósofo é propor sempre novas questões. Mantendo inabalável a certeza plácida de não encontrar as respostas procuradas, além, é claro, de deparar-se pelo caminho com novas perguntas e problematizações. Como nos ensina Edgar Morin, problematizar implica em novas problematizações, que implicam outras problematizações, numa espécie de anel recursivo interminável (EDGAR MORIN 2007:299). Na citação escolhida, extraída do livro O Princípio Responsabilidade - Ensaio de uma ética para a civilização tecnológica, vemos Jonas, este brilhante e respeitado pensador da contemporaneidade, exibir outras duas qualidades - diria eu - imprescindíveis a um filósofo e a uma boa reflexão: clareza e concisão. Da Redação.
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CITAÇÃO
"Todo o Ser vivente é seu próprio fim, e não tem necessidade de outra justificativa qualquer.” (pág.175)
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LIVRO: O Princípio Responsabilidade - Ensaio de uma ética para a civilização tecnológica // AUTOR: Hans Jonas // EDITORA: PUC-Rio // Rio de Janeiro: 2006.

A CONSCIÊNCIA HUMANA POR EDGAR MORIN

QUEM?
Edgar Morin (1921). Antropólogo, sociólogo e filósofo francês.
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COMENTÁRIO
Edgar Morin pensa e escreve muito bem. Seus textos contêm aspectos lúdicos e didáticos que fazem o leitor literalmente viajar na teoria como se estivesse lendo um romance. Suas postulações são impregnadas de sentimento e afetividade, e sua clareza chega a ser espantosa. Como recurso literário, utiliza-se de analogias e metáforas brilhantes. A citação escolhida que versa sobre a consciência humana - flor rara - foi compilada do seu livro O Método 5 - a humanidade da humanidade - a identidade humana. Para ler e refletir.
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CITAÇÃO
"Frágil e incerta como a chama de uma vela, pisca, oscila, pode desaparecer ou iluminar-se. O menor sopro pulsional pode apagá-la; corre o risco de ser alterada por um mínimo desarranjo químico da maquinaria cerebral. Trata-se de uma vigilante vacilante, acima das formidáveis e múltiplas atividades inconscientes do organismo, do cérebro, da sociedade, da história. Nascida na história, vivendo a sua história, submetida à história, um golpe de vento histórico e histérico pode apagá-la." (pág.114)
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LIVRO: O Método 5 - a humanidade da humanidade - a identidade humana // AUTOR: Edgar Morin // EDITORA: Meridional/Sulina // Porto Alegre: 2007.



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A PROSA CULTA, ELEGANTE, ESPIRITUOSA E BEM TEMPERADA DE BRILLAT SAVARIN


QUEM?
Jean Anthelme Brillat-Savarin (1755-1826). Advogado, político e escritor francês que ganhou fama como grastrônomo e epicurista. Autor do esplêndido e inesquecível livro A Fisiologia do Gosto.
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COMENTÁRIO
O chef sabe! Cozinhar é como fazer amor: o que pensamos na hora influencia diretamente na receita e no resultado que se quer alcançar com o processo em si. Sim! Porque para tanto, para cozinhar bem, há que se ter espírito, alma - não dá para ir fazendo a 'coisa' de qualquer jeito - a despeito, é claro, de sermos nós a sorver o 'caldo' que, de má vontade, prepararmos para nós mesmos. Sem falar do arrependimento que dá quando literalmente 'erramos a mão' e acabamos comendo uma porcaria qualquer. Para gozar satisfatoriamente dos prazeres da mesa e até da cama, exige-se calma, paciência, amor e dedicação do sujeito que se lança intrépido a tais desfrutes. Requer-se ainda entrega plena e integridade plena - digo - faz-se nescessário estar-se inteiro no lance, de corpo e alma; pois aí, meu caro e prezado Leitor(a), tudo rola legal, tranquilo e em harmonia. Do jeito que é bom! Sabe como é, não?! Do jeito que 'deve' ser.
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Neste sentido, de cozinha bem trabalhada e iguarias bem preparadas e degustadas, Brillat Savarin era um gênio, um mestre - dir-se-ia - inigualável, especialmente, se considerarmos a época em que viveu: 1755/1826, há quase três Séculos, na província francesa. Sua obra prima A Fisiologia do Gosto é um livro, simplesmente, impagável. Escrito belamente sob a forma de ensaios, com a prosa fina, elegante e bem temperada que este nobre autor francês soube imprimir em seu estilo, deparamo-nos com um volume - como direi - indispensável aos bons amantes da cozinha, da filosofia e da gastronomia requintada Mundo afora. Atualmente, tal título encontra-se esgotado, por um motivo que, confesso, desconheço - pois é notório o grande número de escrivinhamentos menores que são indiscriminadamente impressos, vendidos e lidos nos dias atuais - em contraposição à esmagadora qualidade filosófica, literária e gastronômica de Mestre Savarin. De todo o modo, vale tentar encontrá-lo nos sebos ou na Estante Virtual. E atenção! Se por acaso você achar um exemplar de A Fisiologia do Gosto, compre-o imediatamente, pois alguém sem cultura ou destraído se desfez desta jóia sem preço, sem saber direito o que estava fazendo. Leitura bem humorada e ilustrativa, que irá ajudar a compreender um pouco mais sobre o inspiradíssimo mundo da gastronomia.
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A citação escolhida vem da Meditação XX, com o título Da influência da dieta sobre o repouso, o sono e os sonhos, número 94, parágrafo primeiro.
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Da Redação.
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CITAÇÃO
"O homem mal alimetado não suporta por muito tempo a fadiga de um trabalho prolongado. Seu corpo fica coberto de suor, em breve as forças o abandonam e, para ele, o repouso não é outra coisa que a impossibilidade de trabalhar. Se se trata de um trabalho do espírito, as ideias nascem sem vigor e precisão; a reflexão se recusa a agir e o cérebro se cansa nesses vãos esforços, e dorme-se no campo de batalha." (pág203)
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LIVRO: "A FISIOLOGIA DO GOSTO" // AUTOR: BRILLAT SAVARIN // EDITORA: SALAMANDRA RIO DE JANEIRO, 1989 // PRIMEIRA EDIÇÃO: 1848
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A SABOROSA PROSA DE BRILLAT SAVARIN

QUEM?
Jean Anthelme Brillat-Savarin (1755-1826). Advogado, político e escritor francês que ganhou fama como grastrônomo e epicurista. Autor do esplêndido e inesquecível livro A Fisiologia do Gosto.
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COMENTÁRIO
Ler a prosa fina e competente de Brillat Savarin é um deleite. Sim! É dar-se ao desfrute de um texto bem temperado extremamente saboroso, culto e sofisticado. Pois o homem conhecia a fundo o assunto que abordava, o prazer à mesa, e tudo mais que cerca esta nobre e necessária atividade social tão amalgamada à nossa existência. Em sua época, tempo distante de fartura e opulência na província francesa, bem no fim do século XVIII e no início do XIX, surgia, pela primeira vez, os termos gourmets (apreciadores), e gourmands (glutões), que eram exatamente os nomes dados a estes sujeitos privilegiados da nobreza, que tinham, sem dúvida, extremo bom gosto e inclinação aos prazeres gastronômicos, e que se atiravam vorazmente em banquetes e degustações intermináveis, que se sucediam uns aos outros ocupando todo o decorrer de seus dias. Viviam em busca do vinho certo, de uma região específica, dos alimentos nobres e exóticos oriundos de tradições milenares daquelas terras; além de saborearem ávidos as aves, os doces, as trufas; de comerem peixes, moluscos, frutas, caças; de sorverem licores, fermentados e destilados; além, é claro, de devorarem uma miríade de receitas doces e salgadas de forno e fogão.
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Este interessantíssimo autor, com sua pena ágil e leve, utilizando-se do excelente formato Ensaio, trouxe à luz o retrato fiel de um tempo épico de luxo e sofisticação culinária, onde nasceram práticas seguidas até os dias de hoje. Enfim, o cara era do ramo! Entendia e muito do riscado. Marcou época e fez história com seu imperdível livro A Fisiologia do Gosto, do qual foi retirada esta brilhante passagem, que mostra com nitidez sua inclinação pessoal hedonista, além, é claro, de sua prosa fina, inteligente e bem humorada; indicação especial de hoje deste velho Escriba digital pós-tudo.
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CITAÇÃO
"O homem é, incontestavelmente, dos seres sensíveis que povoam nosso globo, o que mais está sujeito ao sofrimento. A natureza o condena inicialmente à dor pela nudez da sua pele, pela forma de seus pés e pelo instinto guerreiro e destrutivo que acompanha a espécie humana onde quer que ela haja sido encontrada.
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Os animais não receberam esta maldição e, fora certos combates causados pelo instinto de reprodução, a dor, no estado natural, seria absolutamente desconhecida pela maioria das espécies, enquanto que o homem, que só sente prazer passageiramente e por intermédio de um pequeno número de órgãos, pode sempre, e por intermédio de todas as partes do seu corpo, ser submetido às dores mais espantosas.
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Esta condição do destino foi agravada, na sua execução, por uma multidão de doenças que resultam dos hábitos e da condição social. Dessa maneira, nem mesmo os prazeres mais vivos e mais bem conduzidos que se possa imaginar podem, seja em intensidade, seja em duração, compensar as dores atrozes que acompanham alguns desarranjos, tais como a gota, a dor de dentes, os reumatismos agudos, a disúria ou os suplícios que são costume em certos povos. É este temor, arraigado na prática, que sente da dor que faz com que o homem, mesmo sem ter consciência disso, se lance no sentido oposto, entregando-se por completo ao pequeno número de prazeres que a natureza lhe concedeu." (pág161)
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LIVRO: "A FISIOLOGIA DO GOSTO" // AUTOR: BRILLAT SAVARIN // EDITORA: SALAMANDRA RIO DE JANEIRO, 1989 // PRIMEIRA EDIÇÃO: 1848

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O BRILHANTE ANARQUISTA INDIVIDUALISTA LYSANDER SPOONER

QUEM?
Lysander Spooner (1808/1887). Notável anarquista, filósofo político norte-americano cujo trabalho era dedicado à luta contra as incontáveis contradições humanas, como a escravidão e o capitalismo. Humanista todo, lutou por atenuar as misérias humanas e as desigualdades de seu tempo. Autor do sensacional Vícios não são Crime.
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COMENTÁRIO
Lysander Spooner: eis que seu revolucionário clamor de cunho ético e questionador sobre os valores sociais e da indignidade humana nos chega até os dias de hoje, como um alento oriundo de um grande pensador dedicado às causas públicas e aos menos privilegiados. Ativista combativo do Pensamento Livre e anarquista individualista do início do Século XIX, foi extremamente aguerrido em sua luta contra os poderosos e opressores da vez. Muito de seu perspicaz discurso político se baseava na argumentação de ausência de constitucionalidade nas medidas do Estado relativas ao povo. Um humanista. Uma alma sensível buscando mais dignidade social. Um homem, com certeza, necessário à humanidade, e que deixa um legado escrito importante. Nessa passagem escolhida a dedo no belíssimo livro de Ensaios, nesta jóia da literatura rebelde, underground e maldita de todos os tempos, obra prima da contracultura norte-americana - Vícios não são Crime - vemos o mestre do pensamento e da pena esbanjar inteligência e estilo num texto épico, contundente e de extrema relevância para a coletividade; simplesmente sensacional!
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CITAÇÃO
"Todos chegamos ao mundo ignorando a nós próprios e a tudo o que nos rodeia. Por uma lei fundamental das nossas naturezas, todos nós somos constantemente impulsionados pelo desejo da felicidade e pelo medo da dor. Mas temos necessidade de aprender tudo acerca daquilo que nos pode dar felicidade e preservar da dor. Não há dois entre nós que sejam inteiramente idênticos, quer do ponto de vista físico, quer do mental ou emocional; nem, consequentemente, em nossas necessidades físicas, mentais ou emocionais, de obter felicidade e evitar seu oposto. Então, não há ninguém entre nós que possa aprender esta lição indispensável da felicidade e da infelicidade, virtude e do vício em lugar dos outros." (capítulo VI/pág14)
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LIVRO: Vícios não são Crime // AUTOR: Lysander Spooner // EDITORA: Aquariana // Coleção B // São Paulo // 2003

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O MACACO NU DE DESMOND MORRIS

QUEM?
Dr. Desmond Morris (1928). Zoólogo, etólogo e escritor inglês. Autor do imperdível O Macaco Nu, entre inúmeras outras obras interessantes. Seus estudos concentram-se no comportamento animal e humano, explicados de um ponto de vista zoológico.
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COMENTÁRIO
Ler Desmond Morris em seu clássico memorável O Macaco Nu é entender o que significa ser humano, e estar intimamente amalgamado nesta admirável trama viva que habita o Planeta Terra, e o próprio universo, e que se apresenta tão brilhante nas inumeráveis formas que a vida e a natureza encontram para se manifestar. Ao ler este interessantíssimo autor, entrevemos de forma clara, o quão somos semelhantes aos outros seres vivos e, especialmente o quão somos parecidos com os nossos amigos símeos. Um grande livro, brilhante, escrito de forma simples e bem humorada, que ajudará o leitor a compreender melhor porque somos como somos. Leitura inteligente e antenada com as questões humanas e animais que, em última análise, são a mesmíssima coisa.
Do Escriptorium.
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CITAÇÃO
"Voltando à nossa própria espécie, é preciso notar que, apesar de termos adquirido um brilho verbal muito desenvolvido, continuamos a utilizar os mesmo sons básicos instintivos emitidos pelos outros primatas - grunhidos, gemidos e guinchos. As nossas expressões sonoras inatas mantêm-se, conservando mesmo papéis importantes. Não só providenciam as bases vocais com que construímos o nosso arranha-céu verbal, mas continuam a manter direitos próprios, como dispositivos de comunicação típicos da espécie. Ao contrário do que se sucede com as expressões verbais, os sons básicos surgem sem treino preliminar e têm o mesmo significado, seja em que cultura for. O grito, a lamúria, a gargalhada, o guincho, o gemido e o chorar rítmico transmitem as mesmas mensagens, seja a quem for e seja onde for. Tal como os sons emitidos pelos outros animais, eles se relacionam com estados emocionais básicos e dão-nos a impressão imediata das motivações de quem os emitiu. Nós retivemos igualmente as nossas expressões instintivas, o sorriso, o riso, o franzir de sombrancelhas, o olhar fixo, a cara de pânico e a face zangada. Essas expressões também são comuns a todas as sociedades, apesar da aquisição cultural de muitos maneirismos." (pág120)
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LIVRO: O Macaco Nu // AUTOR: Desmond Morris // EDITORA: Record // Rio de Janeiro // 2004 // Primeira Edição 1967

domingo, 5 de abril de 2009

A MESA ATEMPORAL DE BRILLAT SAVARIN

QUEM?
Jean Anthelme Brillat-Savarin (1755-1826). Advogado, político e escritor francês que ganhou fama como grastrônomo e epicurista. Autor do esplêndido e inesquecível livro A Fisiologia do Gosto.
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COMENTÁRIO
Para quem não sabe, Mon Senior Brillat Savarin é o papa-mor da gastronomia francesa. Bon vivant, que era por inclinação convicata, escreveu sabiamente sobre comer e beber, e sobre os hábitos à mesa, descrevendo detalhadamente toda a epopeia dos almoços, jantares e banquetes gastronômicos da ponposa e refinada França de sua época. Elegante, e escrito em forma de ensaio, esta belíssima obra, A Fisiologia do Gosto, imortal por sua riqueza e complexidade de abrangência, é um retrato fiel de um tempo fabuloso, onde surgiram os primeiros refinamentos gastronômicos que comumente conhecemos hoje em dia. Bem humorado, o autor desserta sobre bebidas, doces, pratos refinados e especiais, pates, geleias, frutas, passeios, sono, e sobre todo o mais que acrediota pertinete, e o faz com grande competência. Para os amantes da boa mesa e do bom vinho, mestre Brillat é fundamental. Esteve esgotado nas livrarias, mas vale a pena procurar nos sebos, ou ficar antenado para uma possível e bem-vinda nova edição.
A citação escolhida fala por si, e dá uma ideia precisa ao leitor, do que ele poderá encontrar nesta verdadeira jóia que é, A Fisiologia do Gosto, de Brillat Savarin. Simplesmente espetacular!
Com os comprimentos e a recomendação especial deste Escriba.
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CITAÇÃO
"Chegamos, então, a tal ponto de progresso alimentar que, se a necessidade dos negócios não nos tirasse da mesa ou se a necessidade do sono não viesse se interpor, a duração das refeições seria praticamente indefinida e não teríamos nenhum ponto de referência certo para determinar o tempo que poderia transcorrer entre o primeiro como de Madeira e o último copo de ponche." (pág165)
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ONDE E QUANTO?
Nos Sebos: $$
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LIVRO: "A FISIOLOGIA DO GOSTO" // AUTOR: BRILLAT SAVARIN // EDITORA: SALAMANDRA RIO DE JANEIRO, 1989. // PRIMEIRA EDIÇÃO: 1848

sexta-feira, 27 de março de 2009

DA VAIDADE POR MICHEL DE MONTAIGNE

QUEM?
Michel de Montaigne (1533-1592). Brilhantíssimo escritor e filósofo francês, que imortalizou o formato literário Ensaio.
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CITAÇÃO
"Não haverá talvez maior vaidade do que escrever sobre esta e tão inultilmente." (pag431)
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COMENTÁRIO
Da Vaidade, Capítulo IX, Ensaios III de Michel de Montaigne, primeira sentença. Vaidade seria comentar.
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LIVRO: Coleção: OS PENSADORES // Volume: Michel de Montaigne // Livro: ENSAIOS I // Editora: Abril Cultural // São Paulo: 1972, 1a. edição

O UNIVERSO VIVO E INTERCONECTADO DE FRED ALAN WOLF

QUEM?
Fred Alan Wolf (1934). Físico teórico e escritor norte-americano. Seu trabalho envolve o mundo da física quântica em relação a nossa consciência. Autor do celebre livro Espaço-Tempo e Além.
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CITAÇÃO
"Todo o universo está vivo. Todo o universo está interconectado. A microestrutura do espaço tridimensional assemelha-se a um queijo suíço que apresenta flutuações incessantes. As informações transmitem-se através dos buracos de minhoca a velocidades ordinárias que aparentam ser maiores que a da luz aos observadores situados fora dos buracos de minhoca, conectando todos os pontos do espaço com todos os outros pontos, em um número indefinido de padrões possíveis, mudando incessantemente, e executando seu liga-desliga em frequências incríveis acima de 10000000000000000000000000000000000000000 vezes por segundo!" (pág38)
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COMENTÁRIO
"Espaço-Tempo e Além é uma preciosidade. Fala, de forma simples e divertida, de coisas que nós, seres humanos, estamos começando agora a entender. Não é fácil imaginar, por exemplo, um mundo em nanoescala. Mas isto já é uma realidade. Hoje existem vários produtos com nanotecnologia disponíveis no mercado, o que, diga-se de passagem, é uma temeridade, especialmente pela carência de pesquisas de impacto e de risco destas minúsculas e imprevisíveis substâncias na saúde humana e no meio ambiente. O mundo visto e manipulado através de um microscópio de força atômica, que permite que atuemos numa dimensão hiper diminuta: um bilhonésimo de metro. Nesta dimensão, é possível reproduzir a própria vida, átomo a átomo. Uma loucura total. E real, para complicar a novela. Estaríamos preparados para tamanho poder? Espero que sim.
Na citação escolhida, desta belíssima obra de fácil entendimento - haja vista que é escrita e ilustrada em forma de desenhos semelhantes aos das histórias em quadrinhos - o autor nos leva a compreender um pouco mais sobre este novo e instigante campo da ciência: a física quântica.
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LIVRO: Espaço-Tempo e Além //AUTOR: Bob Toben/Fred Alan Wolf // EDITORA: Cultrix // São Paulo // 1982

quinta-feira, 5 de março de 2009

A TELA TOTAL DE BAUDRILLARD

QUEM?
Jean Baudrillard (1929/2007). Brilhante sociólogo e filósofo francês.

COMENTÁRIO
Muitos acham que a televisão é uma maravilha. Não é a toa que toda casa, por mais humilde que seja, tem sempre um aparelho televisor. Anulando o telespectador, a vida vais sendo apresentada pela máquina, que nos rouba sorrateiramente a identidade e os momentos de convívio com nossos pares. Um bom papo, um belo romance, um passeio a pé, olhar o céu à noite... Nada disso pode atrapalhar sua programação diária e banal. Reflexo de uma sociedade rasa e deculturada, massificada e conssumista, a televisão trás para dentro dos lares do Mundo, referências e paradígmas equivocados; e a coclusão aí está: uma gigantesca massa ignorante de imbecíls, que só sabem repetir o que a máquina os ensinou. No país dos analfabetos, dos sem dente, sem teto, sem terra e sem vergonha, a televisão faz a festa. O filósofo Baudrillard sabia muito bem disto. Tela Total é um livro interessantíssimo, moderno, crítico, inteligente e atual. Recomendação Escriba para o leitor que quer entender nosso século veloz.

CITAÇÃO
"Trata-se do acontecimento mais importante da história moderna, e desse acontecimento cada um é ator pelo fato mesmo de estar diante de sua tela de televisão: perde-se de vista o real enquanto se é perdido de vista." (pag64)

LIVRO: Tela Total // AUTOR: Jean Baudrllard // EDITORA: Sulina // Rio Grande do Sul // 2005

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A JUSTA REVOLUÇÃO PENAL DE BECCARIA

QUEM?
Cesare Bonesana, marquês de Beccaria, vulgo Cesare Beccaria (1738-1794) - jurista, filósofo, economista e escritor italiano.

CITAÇÃO
"Não é somente de interesse comum que não se cometam crimes, mas que sejam mais raros na proporção do mal que fazem à sociedade. Assim, os obstáculos que separam os homens dos crimes, devem ser mais fortes quando os crimes se mostram mais prejudiciais para o bem público e na proporção dos estímulos que, para eles, impelem os homens. Deve existir, por isso, uma proporção entre os crimes e as penas. Se o prazer e a dor são as molas dos seres sensíveis, se entre os motivos que levam os homens até as mais sublimes realizações, foram destinados a recompensa e a pena pelo invisível Legislador, resultará de sua errônea distribuição aquela contradição, menos observada, embora mais comum, que as penas castigam os crimes que elas fizeram nascer. Se uma mesma pena se destina a dois crimes que ofendem desigualmente a sociedade, os homens não encontrarão um obstáculo mais sério para a prática do crime mais grave, se a esse procedimento, tiverem unido uma vantagem maior. Quem ver imposta a pena de morte, por exemplo, a quem mate um faisão e a um assassino de um homem ou a um falsificador de documento importante, não fará qualquer distinção entre estes crimes; destruir-se-ão, deste modo, os sentimentos morais, obra de muitos séculos e de muito sangue, morosos e difíceis de serem produzidos no espírito humano, para cujo aparecimento se acreditou necessário o auxílio dos mais sublimes motivos, e um tanto revestido de aparatosas formalidades graves." (pág. 87)

COMENTÁRIO
Cesare Beccaria foi um cara importantíssimo. Deste tipo de pessoa que tinha que ter nascido para poder fazer o que fez em vida, levando a cabo uma missão tão importante que mudou a face do Mundo na sua época. Era um brilhante jurista humanista. Sua genial e compacta obra Dos Delitos e das Penas, escrito em forma de Ensaio, sensibilizou o coração dos homens poderosos da vez que, através dela, foram capazes de perceber a brutalidade bárbara da aplicação das leis e dos costumes penais, revisando-os conceitualmente. Dentre outras vitórias épicas, Beccaria foi capaz de influenciar os espíritos esclarecidos de seus mais ilustres contemporâneos, extinguindo, por exemplo, práticas cruéis e abomináveis como a aplicação da pena de morte para delitos menores, torturas etc. Assim, seus escritos mereceram quase que imediata acolhida em muitos países, como França, Alemanha e Áustria, e na própria Itália, terra natal do autor, impactando beneficamente os direitos humanos. Indubitavelmente, Beccaria foi um revolucionário. Com este pequeno livro de importante conteúdo humanista, o autor mostra a sutileza que existe em julgar situações singulares, e guia o jurista, para que este cometa o menor número possível de injustiças em sua busca pela aplicação das leis. Simplesmente sensacional! Boa leitura até para quem não se interessa muito por Direito. Imperdível.
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LIVRO: Dos Delitos e das Penas // AUTOR: Cesare Beccaria // EDITORA: CD // 2002/2004