Mostrando postagens com marcador ILÍCITO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ILÍCITO. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O OLHAR PRECISO DE GUY DE MAUPASSANT

QUEM?
Henry René Albert Guy de Maupassant (1850/1893). Notabilíssimo escritor e poeta francês inclinado em suas histórias a criar ambientes psicológicos e também de crítica social lançando mão da interessante técnica de construção literária chamada naturalista. Foi amigo pessoal e discípulo de Gustave Flaubert. Além de romances e peças de teatro, Maupassant deixou 300 contos, todos obras de grande valor.
*
COMENTÁRIO
Certos escritores talentosos, como é o caso de Guy de Maupassant, são capazes de traçar um raio X perfeito de sua época, de seus costumes, de sua vida social, e ainda criticá-los com grande sabedoria e eloquência, e tudo isso num só parágrafo; tarefa digna dos gênios. E ele o era. Não é por certo sem razão que seu nome está estreitamente associado a este gênero de literatura tão adorado e cultuado através do tempos: o Conto. Nesta citação proveniente do conto O Abandonado, vemos Maupassant, em grande estilo, numa dura e mordaz crítica aos casamentos arranjados e às inevitáveis consequências que esta retrógrada prática provocava, ao enredar mulheres e homens cujas vidas eram arranjadas, combinadas, misturadas quase sempre sem afeição, única e exclusivamente de acordo com as necessidades da soberba conveniência. O resultado? O adultério. Velado, discreto, conveniente e, especialmente, sutil para não afrontar a sensível sociedade francesa daqueles tempos outrora.
*
CITAÇÃO
"Haviam-na casado, como em geral casam as moças. Mal conhecia o noivo, um diplomata, em companhia do qual viveu, mais tarde, a mesma vida vivida por todas as mulheres da sociedade." (pág180)
*
LIVRO: Histórias Eternas // AUTOR: Guy de Maupassant // CONTO: O Abandonado // EDITORA: Cultrix // São Paulo // 1959

terça-feira, 4 de agosto de 2009

VÍCIOS NÃO SÃO CRIME DE LYZANDER SPOONER

QUEM?
Lysander Spooner (1808/1887). Notável anarquista, filósofo político norte-americano cujo trabalho era dedicado à luta contra as incontáveis contradições humanas, como a escravidão e o capitalismo. Humanista todo, lutou por atenuar as misérias humanas e as desigualdades de seu tempo. Autor do sensacional Vícios não são Crime.
*
COMENTÁRIO
Não é de hoje que o Estado se mete em demasia na vida dos cidadãos comuns. No tempo de Spooner era o álcool o grande vilão, mas seu discurso se aplica bem a várias outras questões bastante atuais que assolam os nossos conturbados dias deste início de terceiro milênio. Na citação escolhida, vemos o brilhante autor fazer uma referência direta à corrupção, que assola, assolou e sempre assolará os governos de todos os tempos, até porque, onde há grande concentração de poder, haverá, sem dúvida, excessos e desvios de conduta.
*
CITAÇÃO
"Se, em resumo, esses homens, tão ansiosos pela supressão do crime, interrompessem, por algum tempo, os seus apelos à intervenção do governo em vista da supressão dos crimes dos indivíduos, e incitassem o povo a ajudá-los a suprimir os crimes do governo, demonstrariam o seu bom senso e a sua sinceridade de maneira muito mais convincente. Quando as leis forem, no seu conjunto, tão justas e equitativas, que se torne possível a todos os homens e mulheres viver honestamente, haverá muito menos ocasiões do que hoje que possam ser invocadas para os acusar de uma forma de vida desonesta e desregrada." (pág47)
*
LIVRO: Vícios não são Crime // AUTOR: Lysander Spooner // EDITORA: Aquariana // Coleção B // São Paulo // 2003

sábado, 7 de março de 2009

DUAS ESPOSAS DE NINO MO POR LUIGI PIRANDELLO

QUEM?
Luigi Pirandello (1867/1936). Notório dramaturgo, poeta, escritor e romancista siciliano. Seus contos falam da Sicília, da província, e refletem a alma bela de seu povo e de sua região. Autor do belíssimo livro, Novelas para um Ano - O Velho Deus. Ganhou o Prêmio Nobel no ano de 1934.

CITAÇÃO
"O barco de pesca, ao qual o capitão Nino Mo dera o nome de "Filippa" em memória de sua primeira mulher, entrava no ancouradouro de Porto Empedocle no resplandecer de um magnífico por do Sol do Mediterrâneo, quando as águas, na sua infinita extensão, tremeluzem e palpitam num delírio colorido de luzes. cintilam os vidros das casas multicolores, brilham as margas do planalto onde se encosta a aldeia, esplende como ouro o enxôfre amontoado na extensa praia; único contraste é a sombra do antigo castelo à beira-mar, quadrado e fosco, no alto do dique."

COMENTÁRIO
Ao retornnar da pesca, o velho marinheiro Nino Mo, sábio e tranqüiulo, se depara com uma situação, no mínimo, inesperada: sua molher - que ecreditava estar morta - reaparece, para sua perplexidade total, criando uma bela de uma confusão, que acaba por envolver também os pacatos concidadãos da aldeia onde reside. Conto interessantíssimo, de questionamento filosófico e social claro, do que é lícito e do que não é, com final surpeendente; tudo elegantíssimo, à moda de Luigi Pirandello. (pag07)

LIVRO: Obras Escolhidas // AUTOR: Luigi Pirandello // CONTO: A Morta e a Viva // EDITORA: Martins Fontes // São Paulo // 1960