domingo, 10 de maio de 2009

JEAN-CHRISTOPHE DE ROMAIN ROLLAND

QUEM?
Romain Rolland (1866/1944). Talentoso novelista, biógrafo e músico francês. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura no ano de 1915. Sua sensível obra concilia o idealismo patriótico com um internacionalismo humanista, além de demonstrar profunda compreenção sobre a alma humana. Escreveu peças de teatro, biografias como a Vida de Beethoven e Mahatma Gandhi, e o espetacular romance Jean-Christophe. Em 1923, fundou a revista Europe. Romain Rolland fez uma importante observação sobre o livro O Futuro de uma Ilusão de Freud. Esta observação foi a premissa usada por Freud para escrever o seguinte livro: O Mal-estar na Civilização. Quando o filósofo político italiano Antonio Gramsci escreveu, na prisão, que o "pessimismo da inteligência" não deveria abalar o "otimismo da vontade", estava citando Romain Rolland.
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COMENTÁRIO
Eis aqui um grande humanista Ás da pena: Romain Rolland. Hábil que era, não poupava talento e espírito na descrição de seus personagens no belo romance Jean-Christophe sempre, é claro, sendo direto, categórico, espirituoso e bem sucedido na arte do verbo escrito, fluído, vemos o autor acabar com um destes personagens, um sujeito sem caráter da estória, fazendo menção a sua insignificância de maneira surpreendente, reduzindo-o a algo inerte e inanimado que, movido pela gravidade, arrasta consigo tudo e todos a seu redor, em sua inevitável queda. É a marca do gênio impressa em sua obra. Trata-se de um parágrafo de uma importância e beleza notáveis, simples, todavia amplo, abrangente, complexo além de, diga-se de passagem e, acima de tudo, ser adaptável às frágeis almas humanas, e suas múltiplas facetas e susceptibilidades. Numa palavra: sensacional!
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CITAÇÃO
"Não era um mau homem, mas, sim, um homem bom pela metade, o que talvez seja pior; fraco, sem energia, sem força moral, embora julgando-se bom pai, bom filho, bom marido, bom homem, e sendo-o talvez, se para isso bastasse uma bondade fácil, que se enternece facilmente, e essa afeição animal que faz querer aos seus como a uma parte de si mesmo. Nem mesmo se podia dizer que era egoísta: não possuioa bastante personalidade para sê-lo. Não era nada. Coisa terrível na vida, essas pessoas que não são nada! Como um peso inerte, que se solta no ar, elas tendem a cair e é preciso absolutamente que caiam; e, na queda, arrasatam tudo o que está com elas." (pág36)
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LIVRO: Jean-Christophe // AUTOR: Romain Rolland // VOLUME: I // EDITORA: Globo // São Paulo // 1941

Um comentário:

Solange Frigato disse...

Apesar de ser uma robô, não sei se conseguirei decifrar o que tenho que escrever no quadrinho abaixo... mas vou arriscar somente para dizer que acabo de encontrar-me com este seu MARAVILHOSO BLOG (recomendei no Face)e contar uma novidade a vc: sabia que Clarice Lispector leu o"Jean Christophe, de R. Rolland? Ela o tinha na sua estante. Espero que tenha gostado da "fofoca sem maldade" e que siga firme com o Blog. Isso não tem preço!
Abraço.
Solange.